(Adobe Stock) Máquinas de costura muitas vezes estão associadas na memória afetiva com casas de mães, avós e tias: um móvel e, ao mesmo tempo, estação de trabalho, com agulhas, linhas e uma roda que poderia servir de volante em brincadeiras infantis. Essas máquinas, porém, têm se tornado objeto de desejo de jovens millenials nascidos depois de 1990 e da geração Z (nascidos entre 1996 e 2010), como uma forma de destacar a própria individualidade e obter renda. A Singer, uma das maiores fabricantes de máquinas de costura do Brasil, identificou que 37% dos compradores de novos equipamentos em seu site tem entre 18 e 34 anos, a maior fatia. Em segundo lugar, aparece a faixa etária de 35 a 44 anos, com 20% Além disso, uma pesquisa da empresa indicou que 36% dos lares brasileiros têm uma máquina, sendo dois terços herdados da família e um terço de novos compradores. No grupo de pessoas entre 18 e 29 anos, 24% afirmaram que há uma máquina em suas casas. Outras empresas também chegaram à conclusão de que mais consumidores jovens estão se interessando pelo mundo da costura. A Elgin afirmou que também notou o aumento da procura da geração Z pelas máquinas, embora não apresente dados. A empresa afirma que tem buscado formas de atender a essa demanda com novos produtos. Já a Janome disse ter percebido essa movimentação há alguns anos. Entre os dados levantados pela Singer, outro ponto importante é que as máquinas são usadas com bastante frequência. Apenas 1% dos donos diz nunca usar, e 9% relataram utilizá-las raramente. Já 31% usam diariamente, 47% ao menos uma vez por semana, e 12%, uma vez por mês. Além disso, 99% dizem sentir prazer ao costurar. “Começamos a direcionar a comunicação para o pessoal mais jovem, porque faltava informação para comprar a primeira máquina de costura”, afirma Concheta Feliciano, diretora de Marketing e E-commerce da Singer América Latina. A principal razão para uso é a busca por uma renda extra, mesmo entre os mais jovens, em um mercado de trabalho com menos garantias e mais incertezas. Mas há outras, como um desejo por demonstrar individualidade através das roupas, o aprimoramento de técnicas por parte de estudantes de moda, a busca por produtos mais duráveis e sustentáveis e também por economia. Com modernidade, empresas se adaptam a novo público Para se adaptar aos novos consumidores, as fabricantes têm lançado novos modelos de máquinas, mais interativos e simples de operar, além de trabalhar o marketing em pontos de venda e por meio de influencers e eventos de moda. “Precisamos ter produtos para todos os preços. Tem alguns compradores patrocinados pelos pais, mas há os que estão iniciando e pagam as máquinas com seus próprios recursos”, afirma Concheta Feliciano, diretora de Marketing e E-commerce da Singer América Latina. A Elgin informou situação parecida, com o lançamento de novos modelos, todas com a mesma identidade visual, além de treinamento especializado para os gerentes e vendedores de lojas físicas, ainda muito visadas pelos consumidores em busca de informação. Facilidade Se o interesse cresce, o aprendizado pode ser facilitado pelas novas tecnologias, tanto nas próprias máquinas quanto a internet, que permite o acesso a mais material de ensino. “As máquinas atuais são muito intuitivas, vem com manual e tela para programar algumas coisas, e hoje tem a possibilidade de ter um YouTube na vida, que abre fronteiras. Tem tudo no painel, a parte de bordar e de costurar”, comenta a professora de corte e costura Suzana Ramos. Há máquinas tanto mecânicas quanto eletrônicas à venda. As eletrônicas são indicadas para casos de costura mais leves, ou quando se busca precisão e uma produção mais rápida - algumas permitem costurar e bordar no mesmo equipamento, o que economiza espaço. Por outro lado, para materiais mais pesados, como cortinas, uma mecânica é mais indicada por ter mais força e potência na perfuração.