[[legacy_image_356103]] Do ninar no colo ao preparo de uma refeição saborosa, uma coisa é fato: mãe é sinônimo de afeto e cuidado. Afinal, é ela quem, na maior parte das vezes, perde o sono com madrugadas de choro, leva para tomar as vacinas e faz visitas ao berço para conferir se seu bebê está bem. Entretanto, para defender sua individualidade, a maternidade precisa ter espaço para o autocuidado. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Dentre as muitas tarefas e funções que envolvem ser mãe, a pausa para relaxar é essencial para aliviar o peso das obrigações e da rotina. Por isso, um hobby, por mais simples que pareça, pode ter um papel terapêutico e quebrar o estresse da vida corrida. Nem sempre esse hobbies estão presentes na vida antes da maternidade, como no caso da psicóloga Renata Werson, de 54 anos. Moradora de Santos e mãe de quatro meninos, ela descobriu a paixão pela fotografia enquanto registrava em imagens o crescimento dos filhos e, desde então, fez disso um escape. Mãe de Allan, Carlos Eduardo, Fabrício e Otávio (de 28, 24, 23, e 18 anos, respectivamente), a santista relata que a fotografia mudou sua percepção das coisas e lhe abriu portas. “Quando engravidei do meu segundo filho, meu marido comprou uma máquina fotográfica e passei a registrar o crescimento deles. Comecei a fazer parte de um site de fotografia, o Flickr, e conheci muita gente do Brasil todo. Começamos a sair para fazer fotografia juntos”. Ela até organizou uma maratona de fotografias. “Quando foi feita a maratona, em 2009, eles eram muito pequenos ainda. Me lembro perfeitamente que estava na cozinha preparando um arroz e ligando para a Secretaria de Cultura pedindo apoio para o evento”. A paixão foi tamanha que a psicóloga recomenda a fotografia a pacientes. “Já passei por um processo de depressão e você perde o olhar para as coisas. Acha tudo muito cinza, triste e apagado, não vê beleza em nada. Quando você está fotografando, resgata isso. Se eu passar por uma poça d’água, vejo a arte ali, o reflexo das coisas”. Entre as fotos favoritas dela, está uma dos três filhos pequenos brincando. O legado passou de mãe para filho. Renata deu seu equipamento fotográfico ao filho Fabrício, que também descobriu o amor através da lentes e trabalha com isso. Movimento e diversãoEsse será o primeiro Dia das Mães da professora Fabiane Caetano, de 41 anos. A moradora de Itanhaém teve sua primeira filha, a pequena Lívia, em outubro de 2023. Foi neste período que se viu obrigada a parar uma atividade que há anos fez parte de sua vida: a dança. “Nunca competi, gostava de me movimentar mesmo, de fazer qualquer aula de dança. Depois, fui atrás de academia e fazia as aulas aeróbicas. Acabei no fitdance”. Quando recebeu a notícia de que seria mãe, Fabiane temeu ter que parar de praticar atividades físicas e parte delas realmente foi interrompida, menos a dança. “Fiz até o meu oitavo mês de gravidez. Até onde aguentei, fiz”. Depois do puerpério, a professora relembra já ter começado a planejar quando retornaria à dança. “Era uma preocupação. Sabia que tinha que voltar, mas também tinha um tempo. Precisava primeiro cuidar da minha neném e ter esse primeiro momento, que era a prioridade”. [[legacy_image_356104]] Foi a partir do quarto mês que Fabiane voltou. Porém, a primeira coisa que notou foram as mudanças que a gestação causou em seu corpo. “Meu joelho dói, a lombar dói. Não sou mais a mesma do antes da gravidez, mas acho que com o tempo tudo vai melhorando”. Com a ajuda do marido e pai de Lívia, Fabiane se divide em turnos. Pela manhã, ele sai para fazer exercícios. À noite, ela vai para a dança. Esse retorno de Fabiane para a dança fez com que sentisse uma diferença na disposição durante os cuidados da filha. Além disso, como ainda está de licença-maternidade, a professora diz que consegue dar atenção integral para a bebê. “Acho importante esse olhar para mim. Eu preciso estar disposta para poder dar uma atenção e cuidar dela. Hoje é minha terapia. A gente sente que extravasa, tira aquele estresse durante o dia. E há uma troca com as meninas na academia que é muito importante”. Um tempo para siA psicóloga Yasmin Calheiros ressalta a importância do autocuidado e de um tempo em que as mães tenham a oportunidade de relaxar. A especialista explica que a jornada exaustiva das mães pode levar a quadros de depressão, ansiedade, estresse, prejuízos na imunidade, esgotamento, mau humor, mal-estar, entre outros. “Por isso, o momento de autocuidado, como ter um hobby, é necessário para as mães recuperarem sua saúde mental, melhorar o humor e recarregar as energias para conseguir enfrentar suas jornadas da semana”. Para evitar que a situação se agrave, a psicóloga recomenda que a mãe crie uma rotina na semana para que haja um horário só seu. “Esse momento é sagrado. Converse com seu companheiro para dividir as tarefas, assim você não ficará sobrecarregada e terá mais tempo livre para fazer seu hobby e autocuidado”. Yasmin reforça que é necessário entender a importância do tempo livre para se desligar das atribuições diárias. “Permita-se relaxar. Os benefícios são essenciais para o bem-estar físico e a saúde emocional”.