Especialista explica os sinais mais comuns do lúpus e alerta para sintomas que podem passar despercebidos (Adobe Stock) O diagnóstico do lúpus costuma ser como resolver um quebra-cabeça. Os sintomas variam de pessoa para pessoa, podem surgir aos poucos e se confundir com diversas outras doenças, o que torna a identificação precoce um dos maiores desafios da Medicina. Por isso, observar os sinais e buscar acompanhamento médico diante de sintomas persistentes é fundamental. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, entre 150 mil e 300 mil brasileiros convivem com a doença, que atinge principalmente mulheres entre 20 e 45 anos, embora possa surgir em qualquer idade e afetar ambos os sexos. A complexidade do diagnóstico ficou conhecida até na cultura pop, especialmente na série House, em que o lúpus aparecia frequentemente entre as suspeitas médicas. Isso acontece porque a doença realmente pode imitar outras condições. “O lúpus pode se manifestar de formas muito diferentes, exigindo investigação clínica detalhada e exames laboratoriais específicos”, explica o reumatologista Leonardo Zambom. Trata-se de uma doença autoimune. Isso significa que o sistema imunológico, responsável por proteger o organismo, passa a atacar células saudáveis do próprio corpo, provocando inflamações. Os sintomas costumam ser variados. Entre os mais comuns estão febre, cansaço intenso, perda de apetite, emagrecimento, fraqueza e dores nas articulações. Dependendo do órgão afetado, também podem surgir alterações renais, hipertensão, inflamações pulmonares e manchas na pele. Além dos impactos físicos, o lúpus pode afetar diretamente a qualidade de vida, interferindo na rotina, no trabalho, na vida social e no bem-estar emocional dos pacientes. A origem da doença é considerada multifatorial, envolvendo predisposição genética, fatores hormonais, alterações imunológicas e gatilhos ambientais. “Exposição solar excessiva, infecções e até alguns medicamentos podem contribuir para o surgimento ou agravamento da doença”, explica o especialista. O diagnóstico combina avaliação clínica e exames laboratoriais. Um dos principais testes é o exame FAN (fator antinuclear), utilizado para identificar a presença de autoanticorpos frequentemente associados à doença. Outros exames, como anti-SM e anti-DNA, ajudam na confirmação do diagnóstico e no acompanhamento da atividade inflamatória. Hemograma, exames de urina e avaliação da função renal também costumam fazer parte da investigação para identificar possíveis impactos no organismo. Tratamento Embora ainda não exista cura, o lúpus pode ser controlado com tratamento adequado e acompanhamento médico contínuo. A base terapêutica costuma incluir medicamentos como hidroxicloroquina, além de corticoides e imunossupressores nos casos mais ativos. Em algumas situações, terapias imunobiológicas também podem ser indicadas. “Hoje já existe um avanço importante da medicina personalizada, permitindo adaptar o tratamento conforme as características de cada paciente, o que melhora o controle da doença e a qualidade de vida”, finaliza Leonardo Zambom.