(Jaime Leme/Divulgação) Aos 33 anos, o piloto Lucas Moraes é um fenômeno do rali e, cada vez mais, quer mostrar para o Brasil a beleza do esporte que pratica com tanta paixão. Considerado o maior talento do cenário off-road nacional, ele vem se destacando há mais de uma década. Lucas foi bicampeão da Mitsubishi Cup (2013 e 2014), tricampeão brasileiro de rali Cross-Country (2013, 2014 e 2018), campeão do Sertões - Categoria Protótipo T1 (2018), 3º lugar no Mundial de Baja, na Espanha (2022), e bicampeão do Rally dos Sertões (2019 e 2022), sendo o mais jovem a conquistar este feito. No ano passado, chamou a atenção do mundo automobilístico na sua estreia no Rally Dakar ao conquistar um pódio inédito para o Brasil na competição, ficando em 3º lugar e como melhor rookie (novato) da história. Foi contratado então por uma das principais equipes do mundo, a Toyota Gazoo Racing, e ganhou pela segunda vez o Capacete de Ouro. Em 2024, foi o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do Dakar, no deserto da Arábia Saudita. “Em um Dakar, por exemplo, você é levado ao limite. Nas etapas do Mundial, que estou disputando, também somos levados ao limite. Nos submetemos a tudo isso porque amamos o esporte. Mas, em outros momentos, ver que o seu trabalho é reconhecido faz tudo valer a pena”. Depois de tantas vitórias, ele sonha com o dia em que o esporte seja mais reconhecido no País. “Gostaria de, nos próximos cinco anos, poder ganhar um Dakar e ajudar o rali a ter mais destaque no cenário esportivo nacional”. Quando foi que o off-road entrou na sua vida? Era um hobby e virou uma profissão? O cenário off-road entrou na minha vida desde pequeno, comecei com uma motinho no motocross, mas só levei o esporte a sério quando tinha uns 13 anos. Aos 15, fui contratado pela Suzuki para ser piloto deles e assim o hobby começou a virar profissão. Não parei mais. Você foi o primeiro brasileiro a conseguir um pódio no Dakar, em sua estreia na competição. Depois, o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do principal rali do mundo. Agora, qual o objetivo? São resultados que me enchem de orgulho por poder colocar mais o esporte no mapa do mundo off-road. Além dos resultados inéditos que trouxemos para o Brasil, na minha estreia, fui o melhor rookie (novato) da história da prova. Para mim, essas conquistas significam muito e agora o objetivo é sempre fazer o meu melhor, conquistar o pódio novamente no Dakar e tornar o rali mais conhecido no Brasil. No Brasil, há muitas competições de off-road, quais são as principais? A modalidade está crescendo? Tem o Campeonato Brasileiro de Rali, porém a competição mais conhecida no Brasil é o Rally dos Sertões, que este ano será em Brasília. Inclusive, ele vem crescendo e sendo reconhecido como o maior rali nas Américas. Acredito que o esporte está crescendo, mas, ainda depende de termos resultados melhores no Dakar e no Mundial. Tenho certeza: se um dia conseguirmos ganhar um desses eventos, o cenário muda de figura. Como você estuda as provas e como é a preparação física e nutricional para aguentar os dias e as condições de prova? É um processo que demanda bastante planejamento. Na parte física, foco muito para manter o meu core forte, pois toda a parte de abdômen, ombros e pescoço sofre bastante. Além disso, a parte mental de concentração e foco, é muito importante, ficamos quatro a cinco horas por dia contra o relógio, e qualquer descuido pode jogar a prova fora. O que é mais difícil durante as provas? E qual foi a maior dificuldade que você já teve? A parte mais difícil é sempre o gerenciamento dos pneus. Temos apenas dois estepes por dia no carro, e em muitas vezes, furamos os dois pneus. Nesse caso, esse gerenciamento faz muita diferença no ritmo que você consegue imprimir na prova. Quais são os planos para este ano? Para este ano, o foco é tentar levar o tricampeonato do Rally dos Sertões e terminar o Mundial no top 3. Esses são os grandes objetivos nesse segundo semestre de 2024. Quem são algumas pessoas que te inspiram? Ayrton Senna, pelo exemplo de atleta e pelo que ele representa para os brasileiros. O tenista Roger Federer, pela pessoa que é dentro e fora das quadras, pelo relacionamento com as marcas, por ter colocado o tênis em algo bastante sofisticado, e a ciclista Demi Vollering, pela humildade. Mesmo sendo a melhor ciclista de estrada do mundo, ela mantém o pé no chão, fala com todos e está transformando o ciclismo feminino.