Pilates trabalha mobilidade, força, equilíbrio, coordenação e consciência corporal (Arquivo pessoal) A dor lombar é uma queixa muito comum e, muitas vezes, não está relacionada a um único fator. Na maioria das situações, ela é resultado de uma soma de hábitos e sobrecargas que se repetem ao longo do dia. A fisioterapeuta Roberta Guimarães Dias Monteiro fala sobre alguns fatores que ajudam a entender a causa e a ter sucesso no tratamento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Quais são as principais causas da dor lombar e como a maneira como nos sentamos, trabalhamos e usamos o celular pode contribuir? Geralmente não há uma única causa. Pode estar relacionada a períodos prolongados na mesma posição, sedentarismo, fraqueza muscular, sobrecarga física, movimentos repetitivos, execução inadequada de exercícios, alterações de mobilidade e até fatores emocionais. A rotina de trabalho influencia muito: tanto quem permanece várias horas sentado quanto quem passa grande parte do dia em pé pode desenvolver sobrecarga na região. Colchão, travesseiro e posição inadequados podem fazer com que a pessoa permaneça horas em uma postura pouco confortável para a coluna, acordando com sensação de rigidez ou dor. O uso prolongado do celular pode favorecer longos períodos de flexão do tronco e pouca movimentação. O problema não é existir uma “postura proibida”, mas permanecer por muito tempo em posições que aumentam a sobrecarga e não variar o movimento. Como diferenciar uma dor muscular passageira de uma dor que merece investigação? Uma dor muscular decorrente de esforço geralmente apresenta melhora progressiva em alguns dias e não costuma vir acompanhada de outros sintomas importantes. Já uma dor persistente, recorrente, muito intensa ou que começa a interferir significativamente no sono, no trabalho, na caminhada e nas atividades do dia a dia merece avaliação. Quais sinais de alerta indicam que a pessoa deve procurar avaliação médica rapidamente? Dor lombar associada a uma perda importante ou progressiva de força, alterações importantes de sensibilidade, perda de controle urinário ou intestinal, dormência na região íntima, febre, trauma significativo ou piora intensa e inexplicável precisa de avaliação médica rapidamente. Pessoas com histórico de câncer, infecções importantes ou outras condições clínicas relevantes também merecem atenção especial diante de uma dor nova e persistente. A dor lombar pode ter origem em outras regiões do corpo? Sim. O corpo funciona de maneira integrada. Alterações de mobilidade ou função do quadril, por exemplo, podem modificar a forma como determinados movimentos são realizados e aumentar a demanda sobre a lombar. De que maneira o pilates pode contribuir para prevenir e tratar a dor lombar? O pilates pode ser uma excelente ferramenta porque trabalha força, mobilidade, controle do movimento, equilíbrio, coordenação e consciência corporal. Com exercícios adequadamente selecionados e progressivos, a pessoa aprende a movimentar melhor o corpo e desenvolve capacidade para tolerar as demandas do cotidiano. Quais músculos e capacidades são trabalhados no pilates para proteger a coluna? Trabalhamos de forma integrada a musculatura abdominal, extensores da coluna, glúteos, músculos do quadril e toda a região responsável pelo controle do tronco e da pelve. Mas não se trata apenas de fortalecer músculos isolados. Mobilidade, resistência, coordenação, equilíbrio, respiração e controle do movimento também são fundamentais para uma coluna funcional. Quem está com dor pode começar pilates imediatamente ou precisa de avaliação? O ideal é passar por uma avaliação antes, principalmente quando a dor é intensa, recente, recorrente ou apresenta sintomas associados. O pilates pode ser adaptado para diferentes condições, mas o profissional precisa saber o que está acontecendo para selecionar os exercícios, amplitudes e cargas mais adequados naquele momento. Pilates pode ajudar pessoas com hérnia de disco, artrose ou osteoporose? Sim, desde que exista avaliação e adaptação adequadas. Pessoas com hérnia de disco, artrose e osteoporose podem se beneficiar, mas cada condição exige cuidados específicos. Na osteoporose, determinadas amplitudes, movimentos e cargas precisam ser escolhidos considerando o risco individual de fratura. O diagnóstico não deve afastar automaticamente a pessoa da atividade física; deve orientar uma prática mais segura. Em quanto tempo a pessoa costuma perceber melhora? Não existe um prazo único. Algumas pessoas percebem redução dos sintomas e melhora da mobilidade nas primeiras semanas. Outras, precisam de um período maior, especialmente quando convivem com dor há meses ou anos. Pilates sozinho resolve? O pilates pode ser uma ferramenta muito importante, mas não deve ser encarado como solução isolada para todos os casos. Bons resultados também dependem de hábitos cotidianos: manter-se fisicamente ativo, variar posições durante o trabalho, dormir adequadamente, controlar progressivamente as cargas de exercício e cuidar da saúde de maneira global. Em algumas situações, também é necessária atuação conjunta com outros profissionais. Quais atitudes no cotidiano ajudam a prevenir? Movimentar-se ao longo do dia é uma das principais. Evitar permanecer horas seguidas sentado ou em pé, realizar pequenas pausas, manter uma rotina de fortalecimento e mobilidade, praticar atividade física regularmente e aprender a lidar progressivamente com cargas são atitudes importantes. Também devemos prestar atenção ao sono e à recuperação. O que você diria para quem convive com dor há meses e passou a ter medo de se movimentar? Eu diria que sentir dor por muito tempo não significa necessariamente que a coluna esteja continuamente sendo lesionada ou seja frágil. O medo pode fazer a pessoa reduzir cada vez mais os movimentos e atividades, levando à perda de força, mobilidade, condicionamento e confiança. Com avaliação adequada e exposição gradual ao movimento, é possível recuperar segurança e funcionalidade. O objetivo é fazer com que o paciente volte a confiar no próprio corpo. Quais são os três erros mais comuns cometidos por quem tenta tratar a dor lombar por conta própria? O primeiro é fazer repouso excessivo e evitar qualquer movimento por medo de piorar. O segundo é copiar exercícios da internet ou de outra pessoa sem saber se são adequados para o seu caso. E o terceiro é focar apenas no alívio momentâneo utilizando medicamentos, massagens ou outras estratégias passivas sem trabalhar as causas. O melhor caminho é avaliar, entender o problema e planejar um tratamento.