Lea Maria tem mais de 3,7 milhões de seguidores em suas redes sociais (Divulgação) Lea Maria, comediante natural da Alemanha, nascida na cidade de Fulda, desde que desembarcou no Brasil, há sete anos, tem conquistado corações e sorrisos com seu humor afiado e sua visão única sobre as diferenças culturais entre seu país de origem e o Brasil. Com mais de 3,7 milhões de seguidores em suas redes sociais, Lea tem se dedicado a estudar a cultura brasileira e viralizou falando de um jeitinho único das diferenças culturais dos dois países e por compartilhar suas experiências de forma divertida. Com formação em antropologia, seu estilo flexível e espontâneo de criar roteiros, com uma mistura de autenticidade, humor e uma pitada de crítica social, Lea Maria não só entretém, mas também provoca reflexões sobre essas diferenças culturais e as experiências que moldam nossa identidade. Em dezembro, Lea lança seu primeiro especial de comédia com o show Alemã de Cria no youtube. Depois, embarca em uma turnê pela Europa e no início de 2025 para os Estados Unidos e Canadá já com o seu novo solo, o Alemalandra, ampliando ainda mais sua presença internacional. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Como foi que você veio para o Brasil? O que te fez ter vontade de vir para cá? Cheguei no Brasil em 2017 para fazer um intercâmbio na USP, onde estudei Antropologia. Adoro viajar e conhecer novas culturas. O Brasil é uma mistura de culturas do mundo inteiro! Conheci meus primeiros amigos brasileiros na Nova Zelândia e eles despertaram a minha curiosidade de vir para cá. Quais são as maiores diferenças que você explora dos hábitos alemães e brasileiros? Nos meus shows, gosto de mostrar bem essas diferenças culturais entre os brasileiros e alemães. Por exemplo, o jeito de lidar com os estranhos. Na Alemanha, as pessoas são mais reservadas, todo mundo quer o seu espaço, sabe? Aqui no Brasil é o oposto: você vira melhor amigo da pessoa no ponto de ônibus, já conhece toda família em 5 minutos. A língua portuguesa e suas expressões também viraram piadas nos meus textos. No início, eu não entendia uma palavra. Depois, fui melhorando, mas os erros e o meu sotaque se tornaram partes engraçadas da minha vida. O que você mais estranhou aqui no Brasil e o que mais gosta? Gosto muito da vida no Brasil, da leveza e da musicalidade do povo brasileiro. Me apaixonei pela música brasileira, desde o samba até o rap. O ritmo e as letras me inspiram. Sem falar da biodiversidade. O que mais estranhei no início foi o chuveiro elétrico. Na Alemanha o chuveiro é a gás. Não entendo o motivo de combinar água e eletricidade, mas acho que é por isso que o brasileiro inventou o chinelo Havaianas (risos). Por que acha que seus quadros de humor fazem tanto sucesso com os brasileiros? Mesmo sendo alemã, tenho muita afinidade com a cultura brasileira, desde que cheguei no País, tenho estudado sua história, cultura e particularidades, e adoro brincar com as diferenças entre os dois países. Acho que esse olhar “de fora” de situações cotidianas traz essa identificação com os brasileiros. Acho que o riso nasce do inesperado, e a mistura entre essas duas culturas tão diferentes, traz muitas coisas surpreendentes. Você foi vítima de violência doméstica e falou abertamente sobre o assunto. Você acha importante denunciar, se posicionar, tornar público? O caso está em sigilo de justiça, então é complicado falar mais abertamente sobre o assunto. No entanto, meu desejo é ser uma voz ativa para apoiar mulheres que passaram ou estão passando por essa situação, além de contribuir para a prevenção desses casos. Acredito que é muito importante, sim, quando possível, falar abertamente sobre essas experiências e encorajar outras pessoas a se libertarem de situações tóxicas. Tem vontade de voltar para a Alemanha ou o Brasil já virou sua casa? O Brasil já é a minha casa, me conquistou de um jeito que não sei explicar. Volto para Alemanha só de férias. Lá, as roupas são sóbrias demais e as pessoas sérias demais (risos). Aqui, o calor humano, a alegria das pessoas, até o caos do dia a dia, me ganharam. Acho que não tem mais volta! Qual comida você mais gosta aqui e qual sente falta do seu país? O que eu mais gosto da comida brasileira é a moqueca vegana e a paçoca. Sem falar que alguns dias sem feijão já começo a me coçar, igual brasileiro. Da Alemanha, sinto falta do pão e das pastas veganas. E da cerveja, é claro. Quais os próximos planos de trabalho? Em outubro, gravei meu primeiro especial de comédia, o Alemã de Cria, e vou lançá-lo asgora no dia 20 de dezembro. Estou bem animada para compartilhar esse trabalho com o público. Esse especial representa uma realização pessoal e profissional, quero gerar identificação com o público. Ainda este mês, vou testar material novo em alguns shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. E vou me preparar para uma turnê fora do Brasil. Ainda não posso dar muitos detalhes, mas será mais um momento marcante para minha carreira, também quero realizar outros projetos, outras áreas que quero explorar. Tem muita coisa que quero fazer, e espero poder continuar contando com o apoio do público que vem me acolhendo tão bem.