Introduzido no Brasil no fim do século 19 por influência de países europeus, rapidamente ganhou características próprias (JP Image/Divulgação) Principal valor-notícia: o retorno do ladrilho hidráulico como protagonista na arquitetura de interiores, unindo tradição, sustentabilidade e design contemporâneo. Feito à mão, carregado de história e capaz de transformar a percepção dos ambientes, o ladrilho hidráulico vive um novo momento na arquitetura de interiores. Mais do que um revestimento, ele organiza espaços, cria percursos visuais e imprime personalidade aos projetos por meio de desenhos, cores e paginações. A tendência pode ser vista em trabalhos como o ambiente A Poética do Ritmo, assinado pela arquiteta Isabella Nalon para a Casacor São Paulo 2026. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a arquiteta, o interesse pelo material está justamente na capacidade de unir memória e contemporaneidade. “O material vibra uma identidade muito forte. Cada composição nasce de uma intenção e ajuda a construir uma atmosfera que conecta memória com uma rusticidade singela”. No projeto apresentado na mostra, o ladrilho hidráulico deixa de ser apenas um acabamento para assumir papel protagonista. O revestimento conduz a circulação, organiza visualmente os ambientes e, com um desenho exclusivo em formato de cruzeta, funciona como um grande tapete que delimita áreas de convivência. Tradição e contemporaneidade Introduzido no Brasil no fim do século 19 por influência de países como França, Bélgica e Portugal, o ladrilho hidráulico rapidamente ganhou características próprias. Artesãos e imigrantes adaptaram técnicas de fabricação e incorporaram referências culturais brasileiras, transformando o revestimento em um dos símbolos da arquitetura nacional. Entre as décadas de 1920 e 1940, estampas geométricas e florais passaram a ocupar residências, edifícios públicos e estabelecimentos comerciais. Influências do Art Déco e, posteriormente, do tropicalismo ampliaram esse repertório visual, consolidando o ladrilho hidráulico como patrimônio da arquitetura brasileira. “Há um valor cultural muito importante. Além da beleza, ele mantém viva uma tradição que atravessa gerações, fazendo com que seu uso tenha um significado muito especial”, destaca Isabella. Feito à mão A singularidade do ladrilho hidráulico começa no próprio processo de fabricação. Produzido a partir da mistura de cimento e pigmentos compactados por uma prensa hidráulica — origem do nome do material —, ele passa por um processo de cura em água, sem necessidade de queima em fornos, como ocorre com cerâmicas e porcelanatos. Para Isabella, esse processo artesanal acompanha uma tendência de valorização do trabalho manual. “Depois de vivermos um auge da produção em alta escala, hoje atravessamos uma época de resgate daquilo que é feito pelas mãos do ser humano, respeitando os tempos de cada processo”. Cada peça apresenta pequenas variações naturais, tornando cada composição única. Além disso, desenhos exclusivos, diferentes combinações de cores e paginações personalizadas permitem criar percursos, delimitar ambientes e destacar áreas específicas dentro dos projetos. Outro diferencial está na sustentabilidade. Como dispensa fornos de alta temperatura, o processo de fabricação reduz o consumo de energia. Pensado para o projeto Na arquitetura contemporânea, ele aparece em pisos, paredes, cozinhas, halls, banheiros, áreas gourmet e varandas. Mais do que um elemento decorativo, sua aplicação costuma fazer parte da concepção do projeto, ajudando a organizar os espaços, criar eixos de circulação e direcionar o olhar. Para Isabella Nalon, o revestimento funciona como uma ponte entre os diferentes elementos da arquitetura, conectando materiais, mobiliário e usos do ambiente de forma harmônica.