No coração do Meio-Oeste dos EUA, Kansas City combina jazz, atmosfera esportiva e barbecue lendário (AdobeStock) Kansas City será uma das sedes da Copa do Mundo de 2026 e representa um lado menos óbvio — e por isso mesmo interessante — dos Estados Unidos. No coração do Meio-Oeste, a cidade costuma surpreender quem chega esperando apenas uma parada de passagem: ela tem boa infraestrutura, é fácil de circular, combina áreas modernas com bairros históricos e, sobretudo, respira esporte. Os jogos acontecerão no lendário Arrowhead Stadium, casa do Kansas City Chiefs e famoso pela atmosfera intensa em dias de futebol americano, com uma das torcidas mais barulhentas do país. Para o visitante, isso se traduz em um clima de cidade mobilizada, com fan zones, encontros em bares e um sentimento comunitário que difere das grandes metrópoles costeiras. No roteiro turístico, o National WWI Museum and Memorial é uma das visitas mais marcantes: além do acervo, o memorial oferece um dos melhores mirantes para entender a geografia urbana local. O centro revitalizado concentra atrações e vida noturna no Power & Light District, área que deve virar ponto de encontro natural de torcedores durante o torneio. Para passeios ao ar livre, o River Market e a região próxima ao rio funcionam bem para caminhadas, cafés e mercados. Já o Country Club Plaza, inspirado na arquitetura espanhola, é um cartão-postal: fontes, torres e ruas agradáveis criam um cenário que lembra uma cidade dentro da cidade. Kansas City também é conhecida por suas fontes — são dezenas espalhadas pela área urbana — e por um urbanismo que favorece deslocamentos rápidos, algo que ajuda quem viaja com tempo apertado para conciliar jogos e passeios. Se há um elemento que coloca Kansas City no mapa mundial do turismo gastronômico, ele atende pelo nome de barbecue. Aqui, defumar carne é mais do que técnica: é tradição, identidade e debate local. O estilo da cidade costuma combinar carnes cozidas lentamente, cascas bem caramelizadas e molhos encorpados, levemente adocicados e cheios de personalidade — e a discussão sobre qual é o melhor faz parte do programa. Casas clássicas atraem visitantes do país inteiro, e muitas vezes a fila é um ritual tão esperado quanto o prato. Bairros centrais e áreas renovadas misturam bares, cervejarias artesanais e mercados gastronômicos, onde é possível montar uma refeição por etapas. Para quem viaja no contexto da Copa, essa flexibilidade é valiosa: dá para comer bem entre um passeio e outro sem cair em armadilhas turísticas. A cidade também tem boa oferta de culinária internacional, com opções para diferentes perfis de viajantes. Kansas City carrega um legado cultural fortemente ligado ao jazz, que floresceu nas décadas de 1920 e 1930 e ajudou a definir a identidade artística do Meio-Oeste. O histórico distrito de 18th & Vine preserva essa memória e oferece uma leitura clara de como a música se conectou à vida social da cidade. Visitar o American Jazz Museum é entender que a cidade foi, por um período decisivo, um laboratório vivo do gênero. No campo das artes visuais, o Nelson-Atkins Museum of Art é um dos grandes destaques, com um acervo respeitável. A cidade também tem uma cultura esportiva que ultrapassa o estádio: torcer é parte da identidade local e isso cria uma energia particular em semanas de grandes eventos. Durante a Copa, Kansas City tende a oferecer uma experiência muito de dentro dos Estados Unidos, com menos espetáculo de metrópole global e mais sensação de comunidade mobilizada, hospitalidade e orgulho local. Para o visitante brasileiro, é a chance de conhecer um destino fora do circuito óbvio, mas que entrega logística simples, atmosfera intensa e uma cidade que coloca o torcedor no centro do evento.