Juliana Bordallo transformou sua trajetória em uma ponte para conectar e fortalecer mulheres que atuam na cultura (Alexsander Ferraz/AT) Com mais de 20 anos no mercado cultural, Juliana Bordallo transformou sua trajetória em uma ponte para conectar e fortalecer mulheres que atuam na cultura. Diretora de produção, presidente do Instituto Bordallo e conselheira do Conselho de Mulheres Empreendedoras e da Cultura (Cmec) da Associação Comercial de Santos (ACS), ela acredita na força coletiva para transformar realidades. À frente da iniciativa A Rede – Conexão de Mulheres Trabalhadoras e Empreendedoras da Cultura, Juliana promove encontros, capacitações e conexões estratégicas para impulsionar o protagonismo feminino no setor cultural da Baixada Santista. O projeto é gratuito, inclusivo e reúne produtoras, artistas, empreendedoras, técnicas e profissionais da cultura dos nove municípios da região, além de mulheres que desejam se inserir ou expandir sua atuação nesse mercado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é exatamente A Rede? Qual é o propósito principal da iniciativa? A Rede é uma plataforma gratuita de networking e conexão voltada para mulheres trabalhadoras e empreendedoras da cultura na Baixada Santista. Nosso principal objetivo é fortalecer o empreendedorismo feminino no setor cultural, ampliando a visibilidade e facilitando o acesso às leis e aos editais de incentivo. Por meio do mapeamento profissional e da oferta de capacitações, promovemos o desenvolvimento de novas competências e a inserção qualificada dessas mulheres no mercado cultural. Como nasceu a ideia de criar A Rede? Houve algum momento ou experiência específica que inspirou você a tirar o projeto do papel? A necessidade surgiu da prática. Ao longo dos últimos 12 anos, desenvolvemos projetos culturais por meio de editais de fomento e percebemos uma demanda crescente por profissionais mulheres que pudessem integrar nossas equipes em diferentes funções. Daí veio a iniciativa de criar uma plataforma profissional dentro do site da Bordallo Cultural, onde cada mulher pode construir seu portfólio e se apresentar de forma estruturada, facilitando novos contratos e parcerias. Desde 2023, quando a plataforma foi lançada, quais foram os principais resultados ou transformações que você percebeu? O impacto é concreto e crescente: quadruplicamos o número de mulheres envolvidas desde o lançamento. Em 2023, eram 30 cadastradas; em 2024, já atingimos 60 com o início dos ciclos de capacitação; agora em 2025, ultrapassamos 120 mulheres de territórios diversos, como Caruara, Centro, Zona Noroeste e outras regiões da Baixada Santista. Notamos também uma descentralização importante, alcançando bairros e áreas periféricas onde o acesso à informação e às oportunidades é muito limitado. Uma das propostas da plataforma A Rede é mapear e dar visibilidade ao trabalho de produtoras, artistas e profissionais da cultura da Baixada Santista. Quais as principais dificuldades que essas mulheres enfrentam hoje em dia no mercado? A falta de informação e de capacitação ainda é o maior obstáculo. Muitas mulheres desconhecem as possibilidades dos editais ou acreditam que não podem acessá-los. Nosso ciclo de formação não apenas apresenta o panorama e os dados do setor cultural, mas também aproxima as mulheres das oportunidades e fornece ferramentas práticas para concretizar seus projetos e acessar políticas públicas. A Rede também conecta as participantes a oportunidades profissionais, incluindo empresas e instituições de outras cidades e estados. Já houve contratações ou projetos concretos surgidos a partir dessa ponte? Sim, essa conexão tem se traduzido em resultados concretos. Em 2024, contratamos 87 prestadoras de serviço, sendo parte significativa integrantes da Rede.Facilitamos o acesso à formalização jurídica das empreendedoras em parceria com o Sebrae e mantemos parcerias com iniciativas regionais e nacionais, como o Conselho de Mulheres Empreendedoras e da Cultura da Associação Comercial de Santos, além de um termo de cooperação com a Prefeitura de Santos que nos permite realizar atividades em equipamentos públicos. Isso fortalece a empregabilidade e fomenta colaborações efetivas entre mulheres e entidades do setor. Como será o funcionamento desse novo ciclo de capacitação itinerante? De que forma as oficinas e mentorias pretendem alcançar e fortalecer as mulheres de diferentes bairros, inclusive da Área Continental? Em 2025, oferecemos um ciclo gratuito de oficinas presenciais em diferentes polos (Caruara, Casa do Artesão de Santos, Vila Criativa do Campo Grande e Vila Criativa da Encruzilhada), em parceria com a Secretaria Municipal de Comunicação e Economia Criativa. O conteúdo aborda produção de memória, acessibilidade, elaboração de portfólios, inteligência artificial, educação financeira e elaboração de projetos. Tudo culmina em uma mentoria on-line, com cada participante recebendo orientação individualizada para finalizar e inscrever seus projetos em editais. Além disso, temos recursos de acessibilidade como intérprete de Libras, audiodescrição, abafadores antirruído e espaços acessíveis, promovendo inclusão real para todas, inclusive para mulheres da Área Continental e de territórios vulnerabilizados. Quem quiser participar ou ajudar a fortalecer A Rede, o que pode fazer? As inscrições para a plataforma e para as atividades estão abertas? Como funciona o processo? Qualquer mulher pode se cadastrar gratuitamente na plataforma A Rede pelo site www.bordallocultural.com.br. O processo é simples, com suporte direto via chat do site, onde uma webdesigner está disponível para apoiar no preenchimento, envio de fotos, minibio e links. Com o cadastro feito, já passa a integrar a Rede e pode participar das atividades, ciclos e ter acesso às oportunidades. O contato também pode ser feito pelas nossas redes sociais, especialmente pelo Instagram (@bordallocultural). Olhando para o futuro, quais são os próximos passos do projeto? Há planos de expansão, novos formatos ou outras parcerias em vista? Em outubro, teremos o evento Conexões em Rede na Casa do Artesão de Santos, um grande encontro de networking onde todas as inscritas poderão apresentar seu trabalho e trocar experiências. Também estamos expandindo para outros municípios, como Mongaguá e Cubatão, com a meta de conectar as mulheres das nove cidades da Baixada Santista. Já estamos ativando parcerias com gestores e secretarias de cultura da região para integrar A Rede a eventos importantes, facilitando indicações e ampliando oportunidades profissionais para as mulheres cadastradas. Nosso lema é: mulheres juntas movem estruturas. A Rede existe para que a cultura seja, para cada uma de nós, fonte de autonomia, dignidade e sustento.