(Adobe Stock) É com o objetivo de combater um silêncio perigoso que surgiu o Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais, infecções que acometem o fígado e que, se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para cirrose hepática ou câncer de fígado. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 700 mil pessoas vivem com hepatite C no Brasil, muitas sem saber. Já a hepatite B atinge números igualmente preocupantes: estima-se que uma em cada 30 pessoas no País já teve contato com o vírus. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 1,1 milhão de pessoas morrem todos os anos por complicações causadas pelas hepatites virais. Entre as crianças, o cuidado deve ser redobrado. A infectologista pediátrica Carolina Brites, de Santos, explica que os tipos A e E são os mais prevalentes, principalmente por questões relacionadas à falta de saneamento básico. “Brincar em águas contaminadas ou consumir alimentos sem higiene adequada aumenta muito o risco de contaminação”, alerta. Já entre adolescentes, os tipos B e C preocupam, principalmente em casos de relações sexuais sem proteção ou uso compartilhado de seringas e objetos cortantes. A boa notícia é que existem vacinas para prevenir duas das hepatites mais importantes. “A hepatite B tem vacinação obrigatória desde o nascimento. Já a hepatite A também está disponível no SUS, aplicada aos 15 meses. Quem puder, pode complementar com um esquema de duas doses pagas, aos 12 e 18 meses”, orienta a especialista. No entanto, a subnoti-ficação ainda é um dos principais obstáculos no combate às hepatites. Segundo a médica, isso ocorre porque muitas pessoas, inclusive crianças, não apresentam sintomas visíveis. “Às vezes, o quadro se manifesta apenas como um mal-estar, indisposição ou inapetência. Os sinais clássicos, como olhos e pele amarelados, urina escura e dor abdominal, nem sempre aparecem, o que dificulta o diagnóstico”. Carolina Brites reforça que os pais devem estar atentos à vacinação dos filhos e à qualidade da água e alimentos que consomem, especialmente em regiões com maior risco sanitário. “A prevenção começa em casa, com cuidados simples, como lavar bem os alimentos, evitar água de procedência duvidosa e respeitar o calendário vacinal”. Além dos cuidados individuais, o Julho Amarelo também tem o papel de mobilizar a sociedade. “Muitas vezes só lembramos das doenças quando alguém próximo é afetado. A campanha serve para despertar a consciência coletiva e promover ações preventivas antes que o problema apareça”, diz Carolina. Em meio a tantos desafios, o Julho Amarelo representa uma oportunidade de ampliar o acesso à informação, incentivar o diagnóstico precoce e reforçar a importância da imunização. Afinal, quando se trata de hepatites virais, ouvir o que o corpo diz — mesmo que em silêncio — pode fazer toda a diferença.