Da TV ao digital e agora ao empreendedorismo, jornalista e influenciadora constrói trajetória marcada por autenticidade, maternidade e propósito (Sanary de Barros/Divulgação) Neste Dia Internacional da Mulher, a trajetória de Janaina Hohne, jornalista, influencer, empresária e mãe, é um símbolo de reinvenção e ousadia. A carreira começou no rádio, em Campinas, ganhou projeção após vencer um concurso da Revista Imprensa e incluir uma experiência na BBC, em Londres. Em 2003, chegou à TV Tribuna, onde se consolidou como repórter e apresentadora. Após encerrar o ciclo na emissora, fortaleceu sua presença no universo digital e agora inicia uma nova fase no empreendedorismo com a coleção de óculos Renascenza, expressão de um novo olhar sobre si mesma e sobre o papel da mulher no mundo. Você construiu uma carreira sólida na TV como jornalista. Como foi fazer a transição para o universo digital e, agora, para o empreendedorismo? A transição aconteceu de maneira natural. Dia após dia, fui sentindo o que as pessoas queriam de mim. Sempre fui muito preocupada com o público, buscando matérias que elevassem a autoestima, mudassem padrões e levassem mais saúde e qualidade de vida. Quando saí da TV, descobri outra linguagem: a das redes sociais. Mais dinâmica, mais direta, mais rápida e que exige verdade, o que eu sempre prezei como jornalista. Fui construindo essa relação aos poucos. Essa preocupação genuína com as pessoas, acredito, faz com que eu seja respeitada e bem aceita em todos os meios. Empreender no Brasil já é desafiador e, como mulher, muitas vezes ainda mais. Quais foram os maiores medos e as maiores forças que você descobriu nesse processo? Eu não tive medo de empreender, porque estava na hora certa. Entrar nesse universo foi uma surpresa, mas eu sentia no coração que precisava tocar as pessoas de alguma maneira. Hoje, meu perfil é de renovação, de um novo olhar sobre a vida, sobre como podemos nos sustentar numa sociedade e sermos felizes do jeito que somos. Autenticidade tem valor, assim como autoconfiança e determinação. A gente precisa acreditar na gente para ultrapassar barreiras. A coleção de óculos Renascenza nasce com o conceito de “renascer”. Como surgiu o nome e a ideia de empreender nesse ramo? Quando a Alessandra Bugno, curadora da coleção, perguntou o nome, eu respondi na hora: Renascenza. Era exatamente o que estava acontecendo na minha vida. Eu estava renascendo, encontrando meu caminho com mais maturidade e certeza. O nome também me conecta às minhas origens italianas. As mulheres precisam sentir que são capazes de se renovar, independentemente das lutas e dificuldades. Sempre é tempo de se reinventar. Os óculos são o que vemos primeiro numa pessoa. Dizem muito sobre quem ela é e até onde quer chegar. Meu propósito é trabalhar autoestima, autoconfiança e autoconhecimento. Vai muito além de lançar um acessório. É sobre transformar vidas por meio desse símbolo de novo olhar. A vontade de trabalhar com óculos já estava dentro de mim. Trabalhamos com diferentes estilos para que cada uma se identifique, se descubra e se posicione. É um acessório que impacta diretamente a autoestima. Os óculos são um fator determinante na imagem que transmitimos. Ao olhar para eles, você já sente algo sobre a pessoa. Isso influencia a forma como ela se vê e como caminha ao longo da vida. Renascenza carrega esse significado de renascimento, redescoberta, evolução e realização. Qual é o sentimento ao ver a coleção pronta? Estou muito feliz, realizada. Se eu voltasse três anos no tempo, quando saí da TV, jamais imaginaria lançar uma coleção de óculos com esse alcance internacional, peças que vêm da Itália, de Milão, com esse gabarito todo, e que estão se conectando com mulheres de uma maneira tão forte. Naquela época, meu mundo era mais restrito. E quando estamos assim, não conseguimos enxergar tão longe. A construção é diária, é um passo de cada vez. É sobre entender o que precisa ser melhorado, aceitar o que não cabe mais na sua vida e ter maturidade para dizer “não” quando necessário. Saber onde se quer chegar e, principalmente, entender quem você é e o que veio fazer no mundo. Acredito que não estamos aqui apenas para trabalhar e ganhar dinheiro. Estamos aqui para algo maior. Essa coleção nasce desse renascimento que aconteceu em mim. É algo muito maior do que produto, é sobre alcançar pessoas. Eu sei onde quero chegar: quero tocar vidas. A forma como isso vai acontecer, deixo que Deus mostre dia após dia. É uma corrente do bem. Não estou falando de valor comercial, mas de valor humano, de todos que fazem parte dessa história. Você é mãe de um adolescente de 14 anos. Como a maternidade influenciou suas decisões profissionais e sua coragem de se reinventar? Fui mãe aos 33 anos e sempre soube muito bem o que queria. Me dediquei integralmente à maternidade e respeitei cada fase. Sabia que aquele tempo era essencial para a formação do meu filho, e não atropelei esse processo. Ao mesmo tempo, sempre soube que poderia ir além. Cuidar, ser mãe, é parte de quem eu sou, mas também sou alguém que se preocupa profundamente com as pessoas ao redor, que quer fazer o melhor por elas e impactar o entorno de forma positiva. Hoje, sinto que cheguei a uma nova fase. Quando a gente olha para dentro e reconhece do que é capaz, nasce uma confiança diferente. E quando essa certeza existe, tudo flui. O universo parece conspirar, porque você está alinhada com o que realmente é. Muitas vezes, quando ligo a câmera para falar nas redes sociais, sinto que preciso dizer algo específico, e é impressionante como quem está do outro lado se conecta e dá retorno. Existe uma troca verdadeira. Para mulheres que desejam mudar de carreira ou empreender, mas ainda têm medo, que conselho você daria? Acredito que o medo, muitas vezes, indica que falta amadurecer a ideia. Quando você está realmente preparada, existe uma clareza maior. É fundamental se conhecer, entender onde quer chegar e qual impacto deseja causar. Se você não sabe seu destino, fica difícil saber se está no caminho certo. É um processo de descoberta, evolução e também de aceitação, inclusive da possibilidade de algo não dar certo. A pergunta é: você está preparada para qualquer resultado? Quando existe propósito verdadeiro, quando o coração já deu a resposta, o caminho tende a se abrir. Mas isso exige consciência e maturidade. Se ainda há muita insegurança, talvez seja o momento de aprofundar esse autoconhecimento antes de dar o salto. Empreender não é só buscar estabilidade financeira, é construir algo com sentido.