Paisagens de Guilin, jardins históricos de Suzhou e o Exército de Terracota, em Xi'an, revelam diferentes faces da China além das grandes metrópoles (Adobe Stock) Entre dias intensos de visitas em verdadeiras “cidades-formigueiro”, tive a oportunidade de conhecer o interior da China, passando por cidades menores que me ofereceram uma perspectiva completamente diferente do país. Em poucos quilômetros, a atmosfera muda de forma surpreendente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Suzhou foi uma dessas descobertas. Conhecida como a Veneza do Oriente, a comparação não faz total justiça. A cidade tem identidade própria, construída ao longo de mais de 2.500 anos de história. O primeiro contato foi no Jardim Wangshi, um espaço que parece ter sido desenhado para equilibrar tudo: água, pedra, vegetação e arquitetura. Cada pavilhão, cada ponte, cada detalhe do paisagismo tem um propósito claro. (Adobe Stock) Na sequência, a Pingjiang Road revelou o lado mais encantador da cidade. A rua de pedestres, repleta de pequenas lojas tradicionais, acompanha um canal por onde passam pequenas embarcações que oferecem uma perspectiva privilegiada do local. Ao longo do trajeto, pontes de pedra, jardins preservados e o reflexo das construções na água criam um cenário quase pinturesco. Para completar a cena, dezenas de chinesas vestidas com trajes inspirados em antigas dinastias posavam para fotos, reforçando a sensação de estar em um cenário que atravessa o tempo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Xi'an trouxe novamente a sensação de mergulho na história, especialmente na visita ao Exército de Terracota. É difícil descrever o impacto de entrar naquele complexo. Milhares de soldados, cada um com expressão única, permanecem alinhados como se ainda guardassem o imperador. Não é apenas impressionante - é profundamente impactante, daqueles momentos que permanecem na memória. A cidade ainda preserva outros símbolos importantes, como a Pagoda do Ganso Selvagem e a antiga muralha que circunda o centro histórico. Caminhar por essa muralha é observar Xi'an sob uma nova perspectiva, entre o passado preservado e a modernidade que cresce ao redor. Outro ponto marcante foi o Bairro Muçulmano. As ruas são vibrantes, cheias de aromas, sons e movimento. Barracas de comida, lojas e pessoas criam um fluxo constante que envolve o visitante. Ali, a cultura chinesa se mistura com influências islâmicas de forma natural e autêntica. Essa combinação também se reflete na Grande Mesquita de Xi'an. Diferente de qualquer outra que já visitei, ela une arquitetura chinesa a elementos islâmicos de maneira singular, criando um espaço que impressiona tanto pela estética quanto pela história que carrega. À noite, assistir a um espetáculo de sombras chinesas foi como voltar à infância. Simples, delicado e extremamente expressivo, o show mostra como tradições milenares ainda encontram espaço no mundo contemporâneo. Se Xi'an impressiona pela história, Guilin encanta pela paisagem. As montanhas surgem de forma inesperada, criando um horizonte irregular e quase surreal. O passeio pelo Rio Li até Yangshuo foi, sem dúvida, um dos momentos mais memoráveis da viagem. Ao longo do trajeto, as montanhas se refletem na água, formando cenários que parecem irreais - não à toa, a região é conhecida como “as montanhas e águas mais belas do mundo”. Para encerrar, o espetáculo Sanjie Liu foi simplesmente impactante. Realizado ao ar livre, com as montanhas como cenário natural, o show combina luz, música e movimento de forma grandiosa. Mais de 500 artistas ocupam esse palco natural, celebrando a cultura chinesa de maneira única. Ao olhar para esse trecho da viagem, uma conclusão se impõe: a China não é um destino linear. Cada cidade apresenta um ritmo, uma identidade e uma sensação completamente diferentes - e é justamente isso que torna a experiência tão fascinante.