A infecção urinária pode parecer simples à primeira vista, mas exige cuidados médicos (Adobe Stock) A infecção urinária, condição comum especialmente entre mulheres, pode parecer simples à primeira vista, mas exige cuidados médicos. Em entrevista, a nefrologista Caroline Reigada, de Santos, explica que o quadro pode variar de uma inflamação leve na bexiga a infecções mais graves, com risco de atingir os rins e evoluir para um quadro generalizado. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é uma infecção urinária e quais partes do corpo pode afetar? Sempre envolve bactéria? Infecção urinária é a presença de microrganismos no trato urinário associada a resposta inflamatória e quadro clínico compatível. A maioria é bacteriana, sobretudo por microrganismos do intestino, como Escherichia coli, mas também pode ser causada por fungos e protozoários. A infecção pode atingir uretra, bexiga e rins. A distinção entre cistite (bexiga), pielonefrite (rins) e bacteriúria assintomática (bactérias na urina sem sintomas) é essencial, pois altera o risco clínico e o tratamento. Por que é mais comum em mulheres? Principalmente por fatores anatômicos e hormonais. A uretra feminina é mais curta e próxima da região anal, o que facilita a entrada de bactérias. Além disso, atividade sexual, uso de espermicidas e alterações da flora vaginal aumentam o risco. Na pós-menopausa, a queda do estrogênio reduz os lactobacilos vaginais e favorece a colonização por bactérias que causam infecção urinária. Por isso, o estrogênio vaginal pode ter papel preventivo em casos recorrentes. Como a infecção pode se espalhar pelo corpo? A progressão costuma ocorrer de baixo para cima: uretra, bexiga e, em alguns casos, rins. Na cistite, os sintomas mais comuns são dor na parte baixa do abdômen, urgência e ardência ao urinar. Já na pielonefrite, surgem febre, dor nas costas, náuseas, vômitos e mal-estar. Em quadros graves, pode haver pressão baixa, aumento da frequência cardíaca, redução do volume urinário e alteração do estado mental, exigindo avaliação médica imediata. Como é o tratamento? A cistite não complicada costuma ser tratada com antibióticos orais de curta duração. Já a pielonefrite e infecções mais complexas podem exigir tratamentos mais prolongados e, em alguns casos, antibióticos intravenosos. Quando a infecção urinária é considerada recorrente? Quando há dois episódios em seis meses ou três em 12 meses. Geralmente, resulta da combinação de fatores como exposição repetida a bactérias, microbiota vaginal desfavorável, persistência bacteriana e condições como esvaziamento incompleto da bexiga, menopausa, refluxo urinário, cálculos ou disfunções urinárias. Relação sexual pode desencadear infecção? Sim. É um dos fatores de risco para cistite aguda e recorrente em mulheres, pois facilita a entrada de bactérias na uretra e na bexiga. O uso de espermicidas pode aumentar esse risco. Isso não está relacionado à falta de higiene, mas a um processo biológico. Existe fator genético ou imunológico? Sim. A suscetibilidade a infecções urinárias recorrentes também depende da resposta imunológica individual, não apenas da exposição a bactérias. Quais exames confirmam o diagnóstico? O exame de urina pode indicar aumento de células de defesa, presença de bactérias e nitrito positivo. Já a urocultura é o principal exame para identificar o agente causador e orientar o tratamento. Em alguns casos, podem ser necessários exames de imagem ou avaliações complementares. Por que os homens são menos atingidos? Principalmente pela uretra mais longa, o que dificulta a ascensão bacteriana. Quando ocorre em homens, a infecção exige investigação de possíveis complicações, como obstruções, prostatite ou alterações urológicas. Quais hábitos ajudam na prevenção? Manter boa hidratação, evitar segurar a urina por longos períodos, reduzir o uso desnecessário de antibióticos, revisar o uso de espermicidas e manter higiene adequada. Em mulheres na pós-menopausa com infecções recorrentes, o uso de estrogênio vaginal pode ser indicado. Urinar após a relação ajuda? É uma orientação tradicional que pode reduzir o tempo de permanência de bactérias na uretra, mas não deve ser considerada a única estratégia de prevenção. Sabonete íntimo atrapalha? O uso de duchas ou produtos íntimos irritativos pode alterar o equilíbrio da flora vaginal, contribuindo para desconfortos e aumentando a suscetibilidade a infecções recorrentes.