As infecções urinárias são uma preocupação significativa para muitas mulheres ao longo da vida (Adobe Stock) A infecção urinária é um problema de saúde que afeta principalmente as mulheres. São dois os momentos mais vulneráveis na vida delas: por volta da segunda década de vida, entre 20 e 29 anos. Depois, a partir dos 50 anos, com a queda dos hormônios, e especialmente após os 80 anos, quando a situação se agrava ainda mais devido às mudanças hormonais que causam ressecamento e alterações na flora vaginal, favorecendo a colonização por bactérias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A urologista Maria Claudia Bicudo, integrante da Sociedade Brasileira de Urologia, destaca que a menopausa desempenha um papel crucial no aumento da incidência dessa condição. Nas mulheres jovens, as infecções urinárias são geralmente causadas por bactérias de origem intestinal, já que a anatomia feminina contribui para que elas sejam mais suscetíveis a esses episódios. “O canal urinário das mulheres é mais curto do que o dos homens, o que facilita a ascensão de bactérias à bexiga. Além disso, na mulher jovem, as infecções frequentemente estão ligadas à atividade sexual, principalmente quando há uso de espermicidas, que aumentam ainda mais o risco. Só para ser ter uma ideia, mulheres que mantêm relações sexuais diárias têm nove vezes mais chances de desenvolver infecções urinárias”. Maria Claudia explica que cerca de 60% das mulheres apresentarão pelo menos um episódio de cistite ao longo da vida. De 20% a 40% delas estarão suscetíveis a novas infecções. Dentre essas mulheres, cerca de 50% podem sofrer com episódios repetidos. As infecções são consideradas recorrentes quando ocorrem dois episódios diagnosticados por exames de urina e de cultura dentro de seis meses ou três episódios no período de um ano. Para prevenir, algumas recomendações são fundamentais. Entre elas, ingerir mais de um litro e meio de líquido diariamente e manter cuidados rigorosos com a higiene, como urinar após relações sexuais e limpar-se corretamente após evacuação (da frente para trás). A urologista também alerta sobre a importância do uso moderado de agentes bactericidas para não prejudicar a flora genital. Nos casos de infecções de repetição, é possível adotar estratégias preventivas. Isso pode incluir o uso de antibióticos em doses menores sob supervisão médica ou medidas não antibióticas como reposição hormonal local para mulheres após a menopausa, por exemplo, além do uso de probióticos para restaurar a flora vaginal. Além disso, existem vacinas orais disponíveis, que ajudam a aumentar a imunidade local contra os principais patógenos, como a Escherichia coli, principal bactéria causadora de infecção urinária. As infecções urinárias são uma preocupação significativa para muitas mulheres ao longo da vida. Compreender os fatores de risco e adotar medidas preventivas pode ajudar a minimizar esses episódios desconfortáveis e garantir uma melhor qualidade de vida.