Baseado em fatos, Setembro 5 concorre ao Oscar de Melhor Roteiro (Paramount Pictures/Divulgação) A cobertura jornalística em tempo real do trágico Massacre de Munique, pela equipe de jornalismo da ABC Sports, em 1972, é a trama central de Setembro 5, do diretor e roteirista suíço, Tim Fehlbaum. O thriller eletrizante indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original é o assunto desta colunista estreante, apaixonada por cinema. O meu propósito é compartilhar um olhar crítico e sensível acerca de filmes e séries. Contextualizando, em 5 de setembro de 1972, terroristas palestinos invadiram a Vila Olímpica durante os Jogos Olímpicos, em Munique, na Alemanha, e fizeram 11 atletas israelenses reféns. Todos eles, um policial alemão e cinco palestinos foram mortos. O filme prima pela direção de arte e edição ao transportar o espectador para dentro da sala de transmissão ao vivo, reconstituindo, com precisão, o caos, a adrenalina e o esforço de jornalistas em informar os desdobramentos de um atentado sem precedentes em Olimpíadas para 900 milhões de pessoas ao redor do mundo. A edição reproduz o ritmo frenético e orquestrado do editor-chefe, protagonista da trama, interpretado por John Magaro, que coordena jornalistas, cinegrafistas, um apresentador num estúdio improvisado, debate com superiores, se desespera e torce pelo melhor desfecho naquele dia infernal. Peter Sarsgaard, Leonie Benesch e Ben Chaplin realçam o drama com atuações irretocáveis, mas sem explosões emocionais, demonstrando com exatidão o autocontrole de profissionais atuando sob forte pressão. Mas, a intenção de Fehlbaum não é transformar jornalistas em heróis. Ele contrapõe com o dilema ético e a espetacularização do horror em transmissão global, pautando discussões em cena sobre o risco de morte dos reféns e a responsabilidade da mídia, audiência e patrocinadores. Enquanto thriller jornalístico é excelente, seguindo a fórmula de filmes do gênero como, por exemplo, Spotlight - Segredos Revelados (2015), de Tom McCarthy, vencedor dos Oscars de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original em 2016. Em suma, Fehlbaum amarra o roteiro no trabalho midiático, abordando superficialmente o histórico ataque, com breves inserções de cenas de terroristas e reféns, mesclando imagens reais e fictícias. O uso de película que remete à tecnologia de imagem da época é o charme do filme. Por fim, o longa-metragem é atemporal, pois mostra que os desafios da reportagem na checagem de informações e urgência da cobertura jornalística televisiva nos anos 1970, na era analógica, são os mesmos dos dias atuais. Nota da crítica: 5 Munique no Cinema O atentado na Olimpíada de Munique foi retratado no filme Munique (2005), de Steven Spielberg, indicado a cinco Oscars, e no documentário Munique, 1972: Um Dia em Setembro (1999), de Kevin Macdonald, vencedor do Oscar em 2000. Gascón cancelada Ao protagonizar polêmicas, a atriz Karla Sofía Gascón foi afastada da campanha de Emilia Pérez ao Oscar. O filme disputa 13 prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, incluindo Filme, Filme Internacional e Atriz. Oscar na Globo Com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, concorrendo aos Oscars de Filme, Filme Internacional e Atriz para Fernanda Torres, a TV Globo transmitirá a cerimônia ao vivo no domingo de Carnaval, além do canal pago TNT e dos streamings Max e Globoplay.