(Anderson Macedo/Divulgação) Aos 33 anos, o ator e criador de conteúdo Marco Túlio Davi é um dos maiores nomes do humor nas redes sociais. Natural de Uberlândia (MG), ele soma mais de 17 milhões de seguidores em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube, onde viraliza ao interpretar profissionais do cotidiano. Ao domingo+, ele fala sobre a decisão de largar uma carreira sólida no setor bancário em nome da arte, do entretenimento, de novos horizontes no audiovisual e do carinho do público. “Se alguém sorriu no hospital assistindo a um conteúdo meu, isso vale mais do que qualquer métrica”. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Com mais de 17 milhões de seguidores, você se enxerga como influenciador ou ator e criador? Eu acredito que hoje ninguém é só uma coisa. É uma profissão nova, que muita gente ainda está entendendo, então me vejo como um pouco de tudo isso. Sou criador de conteúdo, principalmente dentro do humor de identificação, aquele tipo em que a pessoa assiste e pensa: “sou eu” ou “conheço alguém exatamente assim”. Também sou influenciador, porque com uma audiência desse tamanho é inevitável impactar pessoas — e isso vem com uma responsabilidade muito grande. É preciso ter consciência no que comunica, falar sobre o que realmente conhece e divulgar apenas o que faz sentido para a própria vida. E sou ator também, porque me preparei para isso, estudei teatro e tenho DRT. No fim das contas, me vejo como artista e comunicador, alguém que usa diferentes ferramentas para se expressar e se conectar com o público. Como é o seu processo de pesquisa para construir cada personagem? É um processo cuidadoso e baseado na observação. Costumo dizer que é quase um laboratório. Antes de gravar, observo bastante o profissional, converso, entendo a rotina, o jeito de falar, o comportamento e as relações no ambiente de trabalho. Procuro captar desde a linguagem e as gírias até a personalidade — se é mais extrovertido ou tímido — e as situações mais comuns, inclusive as mais engraçadas. Vou anotando tudo e, a partir disso, construo o roteiro. Também há cuidado com figurino, cenário e, principalmente, o tom da atuação. A ideia não é caricaturar, mas retratar de forma respeitosa, quase como uma homenagem. Quero que as pessoas se reconheçam e se sintam representadas. No fundo, é um olhar para o trabalhador brasileiro e suas histórias do dia a dia. Você saiu de uma carreira sólida no banco. Teve medo? Que conselho daria? Eu saí de uma carreira estruturada no mercado financeiro, com estabilidade e perspectiva de crescimento. Mas chegou um momento em que não me sentia realizado, porque sempre tive um lado criativo muito forte. Quando decidi migrar para o digital, em 2021, foi algo consciente. Eu me preparei, estudei, testei formatos e entendi o caminho — não foi um salto no escuro. Claro que existem desafios e aprendizado constante, mas sempre estive focado no que queria construir. O principal conselho é planejamento e preparo. Nem todo mundo pode largar tudo de uma vez, então é importante fazer essa transição com responsabilidade. Existe alguma linha que você não ultrapassa no humor? Com certeza. Tudo passa por responsabilidade e respeito. Meu objetivo nunca é expor ou ridicularizar, mas representar de forma leve e verdadeira. Minha formação em Administração me deu uma visão ampla de pessoas e contextos, e o teatro trouxe técnica e sensibilidade. Procuro criar conteúdos que gerem identificação, mas também reflexão. Quanto mais repertório e conhecimento, mais consciente é a comunicação. Sua formação em Administração e experiência no mercado financeiro ainda impactam suas decisões hoje? Impactam totalmente. A Administração me deu base estratégica — gestão, planejamento, tomada de decisão. Hoje enxergo minha carreira como um negócio, e o que aprendi no mercado financeiro ajuda na organização, nos contratos e na forma de pensar crescimento e sustentabilidade. Ao mesmo tempo, a formação como ator complementa no lado criativo. Consigo equilibrar o artístico e o estratégico, o que é um diferencial. Entre tantos personagens, algum te marcou mais? É difícil escolher um só. Já foram mais de 170 profissões retratadas e milhares de conteúdos. Tenho um carinho especial pelos mais recentes. Fiz uma campanha em que realizei um sonho de infância — andar de patins no supermercado — e foi marcante. Também houve um vídeo que viralizou, com mais de 13 milhões de visualizações, sobre pessoas que respondem sem entender a pergunta. Esse tipo de conteúdo funciona porque retrata comportamentos reais. E há personagens que me tocam pessoalmente, como quando representei um gari ou a profissão do meu pai, torneiro mecânico. São conteúdos que vão além do humor e têm valor emocional. Como você equilibra publicidade e autenticidade? Tenho muito cuidado com isso. A publicidade precisa estar integrada ao conteúdo de forma natural, respeitando a linguagem que o público já conhece. Gosto de trabalhar com marcas que entendem esse processo e valorizam a construção criativa. O objetivo é gerar conexão e resultado. Busco inserir a marca na narrativa sem parecer forçado. Manter a autenticidade é essencial, porque é isso que sustenta a relação com o público. O que te atrai no audiovisual tradicional? É um sonho antigo. Cresci nos anos 90, quando a TV era o principal entretenimento, então sempre me imaginei nesse espaço. Venho me preparando, estudando, porque acredito que é preciso estar pronto quando a oportunidade surgir. O que mais me encanta é viver novos desafios, trabalhar com outros profissionais, ser dirigido, participar de grandes produções e expandir meu trabalho como ator. Mas a internet continua sendo minha base — foi onde tudo começou. Hoje vejo os dois mundos como complementares.