Tom Holland encara sua quarta aventura como o herói dos quadrinhos. (Reprodução) Homem-Aranha: Um Novo Dia é o mais maduro dos quatro filmes da era Tom Holland. Mantém a aventura dinâmica e as acrobacias de sempre nas cenas de ação, mas aprofunda a solidão do protagonista. Por trás do altruísmo do super-herói há um Peter Parker triste e sozinho. Seu melhor amigo e sua ex-namorada não o reconhecem. Então ele mergulha no combate ao crime e se mantém constantemente ocupado para não pensar na própria vida. Não é egoísmo, mas uma fuga do vazio, da falta de sentido. Afinal, mesmo com superpoderes, Peter é humano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tom Holland convence como um Peter Parker mais maduro, mas falta intensidade à sua interpretação. A solidão que conduz o personagem está presente no texto, mas não tem a mesma força em cena. Dessa vez, é Destin Daniel Cretton quem assume a direção. Jon Watts comandou De Volta ao Lar (2017), Longe de Casa (2019) e Sem Volta para Casa (2021), além de assinar o roteiro de De Volta ao Lar em parceria com Christopher Ford. Já Longe de Casa, Sem Volta para Casa e Um Novo Dia têm roteiro da dupla Chris McKenna e Erik Sommers. Um Novo Dia se passa após os acontecimentos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, quando o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) apagou Peter Parker da memória de todos que ama. Agora, ele vive solitário em Nova York, mais incansável do que nunca e sempre disposto a combater o crime. Ao mesmo tempo, sofre com a distância do melhor amigo, Ned Leeds (Jacob Batalon), e do amor de sua vida, Mary Jane Watson (Zendaya), enquanto tenta se reaproximar dos dois. O jovem que sonha em salvar o mundo domina a tecnologia e desenvolve um método mais sofisticado e prático para disparar as teias, além de um dispositivo capaz de inibir a própria força física e mental. No entanto, o filme também preserva a essência dos quadrinhos criados por Stan Lee e Steve Ditko, com vilões superpoderosos e a eterna batalha entre o bem e o mal. Um ponto alto são as reviravoltas envolvendo os antagonistas. Elas conferem mais complexidade à trama ao romper a divisão simplista entre heróis e vilões, mantendo por boa parte da história a dúvida sobre suas verdadeiras intenções. É o caso da telepata Jean Grey (Sadie Sink), do chefe da organização Controle de Danos, Bill (Tramell Tillman), e de Mac Gargan, o Escorpião (Michael Mando). Já Frank Castle, o Justiceiro (Jon Bernthal), aliado de Peter Parker, responde pelos momentos de humor da trama, enquanto Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo), como professor universitário, representa a voz da experiência e do conhecimento. Marisa Tomei retorna em uma participação especial como tia May Parker, e Liza Colón-Zayas se destaca no papel da detetive Jean DeWolff. Florence Pugh também marca presença como Yelena Belova, a líder dos novos Vingadores no Universo Cinematográfico Marvel (MCU). Ela retornará em Vingadores: Doutor Destino, que estreará em 17 de dezembro. Naturalmente, o lema que norteia a trajetória de Peter Parker de que “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” continua sendo a moral da história. Mas, se a produção aquece na ação e nos efeitos visuais, esfria na relação amorosa entre Peter e Mary Jane. Falta emoção. Falta o molho. Ainda assim, Homem-Aranha: Um Novo Dia é aventura leve, divertida e convidativa. Importante ressaltar que a cena pós-créditos não surpreende, mas dá um recado aos fãs. Além disso, Destin Cretton lançou, no Disney+, o documentário Generations: The Evolution of Spider-Man sobre os 24 anos do super-herói no cinema, com as participações de Tobey Maguire, Andrey Garfield e Tom Holland. Boa semana!