(Jorge Bispo/Divulgação) Em um momento de grande visibilidade na carreira, Gui Ferraz vive dois personagens que revelam sua versatilidade como ator. Enquanto interpreta o ambicioso e enigmático Tiago na novela Quem Ama Cuida, também dá vida ao ex-jogador Jairzinho na série Brasil 70 – A Saga do Tri, produção que resgata a histórica conquista da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com uma trajetória construída entre teatro, cinema, televisão e streaming, o carioca acumula trabalhos em produções como Marighella, Macabro, Éramos Seis e Rock Story, consolidando-se como um dos nomes em ascensão do audiovisual brasileiro. Formado em Artes Dramáticas e com estudos em direção cinematográfica, Gui transita com naturalidade por diferentes linguagens, sempre em busca de personagens que desafiem seus limites. Nesta entrevista, ele fala sobre a construção de Tiago, a preparação intensa para interpretar Jairzinho, os aprendizados ao lado de Antônio Fagundes e Belize Pombal, além de refletir sobre representatividade, protagonismo negro e os caminhos que ainda deseja percorrer na atuação. Seu personagem em Quem Ama Cuida parece carregar uma ambição silenciosa e disciplinada. Como você construiu essa personalidade e o que mais te chamou atenção nele? Esse personagem me intriga muito pela forma como vive e como pensa. Tiago tem uma ambiguidade complexa: a ambição e, ao mesmo tempo, uma doçura, ternura talvez. Ele transita numa linha muito tênue entre o bem e o mal. Na trama, Tiago trabalha na joalheria do tio, vivido por Antônio Fagundes. Como foi dividir cena com um ator tão experiente e o que aprendeu nesse convívio? Foi uma satisfação imensa poder contracenar com ele. Acredito que ainda estou absorvendo todos os aprendizados. A relação intensa entre Tiago e a mãe, interpretada pela grande Belize Pombal, parece central na novela. Como tem sido essa parceria? Tem sido um (re)encontro muito lindo! Belize é uma artista magnífica! Completamente magnética! Nos divertimos muito! Você vive agora dois universos muito diferentes: o drama familiar de Quem Ama Cuida e o futebol histórico em Brasil 70 – A Saga do Tri. Como foi transitar entre personagens tão distintos? O privilégio de atuar é esse: poder viver universos distintos e poder contar histórias relevantes. As duas personagens possuem traços parecidos, como a ambição, a disciplina e o foco. Só que elas reagem de formas distintas. Mas, em algum ponto, elas se cruzam e isso eu acredito que o universo se encarrega de nos conectar. Interpretar Jairzinho em Brasil 70 – A Saga do Tri, da Netflix, deve ter exigido uma preparação física e emocional. O que foi mais desafiador nesse processo? A rotina diária de um atleta/ator. Além dos treinos das jogadas, nós tínhamos a preparação para dramaturgia, depois treino de força e, algumas vezes, recovery. A parte emocional eu acredito que veio muito da vivência e experiência do cotidiano com todo o elenco, o que foi possibilitando uma espontaneidade muito grande. A série reúne nomes como Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo e Marcelo Adnet. Como foi o clima nos bastidores e a troca com esse elenco? Melhor impossível! Um elenco muito divertido e coeso. Às vezes era uma experiência muito curiosa lidar com diversas faixas etárias ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Sua trajetória passa por televisão, cinema, streaming e teatro, com trabalhos em produções como Marighella e Éramos Seis. Em qual linguagem você sente que consegue se desafiar mais como ator hoje? Sinto que cada uma dessas linguagens nos torna muito potente. Cada uma delas tem suas peculiaridades e suas dificuldades. Eu amo transitar entre todas. Você vem construindo uma carreira marcada por personagens intensos e ligados à identidade brasileira. Existe algum papel ou gênero que ainda sonha em explorar? Tenho como objetivo viver aquilo que ainda não vivi (risos). Gosto de contar histórias interessantes, que nos conectam com o povo. Em um momento em que o audiovisual brasileiro discute cada vez mais representatividade e protagonismo negro, como você enxerga sua trajetória ocupando espaços importantes? Muito instigante essa pergunta porque, de fato, na minha trajetória, na maioria das personagens, eu vivi histórias que não representam o estereótipo do homem negro. Sou muito agradecido pelas oportunidades e pelo caminho que tenho trilhado. Há ainda muitas barreiras a serem quebradas? Com certeza! As oportunidades aumentaram, mas o mercado ainda precisa ampliar a gama de personagens para nós. Queremos contar nossas histórias. Com humanidade, com intensidade e sabendo o que nos move. Quando nos conectamos com nossos ancestrais, passamos a enxergar ainda mais profundamente as barreiras que nos impossibilitam de evoluir e progredir. Essa corrida nunca começou do mesmo lugar para todo mundo. O ponto de partida é muito diferente para nós aqui no Brasil.