(Adobe Stock) Gracyanne Barbosa disse no BBB 25 que já chegou a comer 1.200 ovos por mês, o que equivale a cerca de 40 unidades por dia. Inclusive, a musa fitness, logo nas primeiras horas de confinamento, consumiu nove ovos. Esse comportamento é bastante comum entre as pessoas que buscam um alto desempenho na academia, mas levanta dúvidas sobre os impactos na saúde. Será que existe um limite seguro? De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), cada brasileiro consome, em média, 250 ovos por ano, e a produção nacional deve atingir cerca de 56,9 bilhões de unidades em 2025. Essa alta demanda reflete a acessibilidade do alimento como parte fundamental de uma dieta balanceada. Versatilidade O ovo é um dos alimentos mais versáteis e acessíveis, sendo rico em proteínas, vitaminas e minerais essenciais. De acordo com a nutricionista, mestre em biologia e docente da Estácio Sandra Oliveira, embora existam diferentes espécies que produzam esse alimento, a maioria dos ovos de aves tem composição parecida e oferece quantidade semelhante de calorias, que varia de 50 a 190 Kcal a cada 100 gramas. “O ovo é um corpo unicelular, formado em oviduto da fêmea e tem como objetivo nutrir o gérmen da respectiva espécie em reprodução. É considerado um alimento completo, pois fornece nutrientes indispensáveis ao ser humano e é de fácil digestão”. Sandra complementa que o ovo se destaca pelas proteínas do albúmen (clara) conalbumina, ovomucina, lisozima, avidina, ovoalbuminas e ovoglobulinas. “A gema, por exemplo, contém duas proteínas, a lipovitelina e a fosfovitina. Outro componente bem expressivo no ovo são os lipídeos, que representam em torno de 11% do seu peso, e são representados por triacilglicerídeos, fosfolipídeos, colesterol livre e colesterol esterificado. Além disso, possui fósforo, cálcio, potássio, sódio, ferro, provitamina A e várias do completo B”. Benefícios A nutricionista ainda destaca que estudos recentes indicam que é uma excelente fonte de colina, essencial para o funcionamento cerebral e para a saúde do coração. “Pesquisas mostram que o consumo moderado de ovos não está diretamente relacionado ao aumento dos níveis de colesterol no sangue. O mito de que o ovo aumenta o colesterol foi desmistificado por novas evidências científicas, mas é importante que pessoas com condições de saúde específicas, como o diabetes, consumam ovos com moderação e sob orientação médica”. Para Sandra, não existe um número indicado para o consumo de ovos por dia. Para se ter uma ideia, cerca de 40 unidades, por exemplo, correspondem a aproximadamente 80 gramas de gordura saturada, o que equivale a um gasto calórico diário de mais de três mil kcal. Isso, pensando só nos ovos, sem considerar qualquer outro alimento. “É importante verificar com o nutricionista se há de fato essa necessidade tão expressiva e mesmo outras formas mais adequadas e menos monótonas de compensar a proteína evitando excedentes de outros nutrientes”. Padrão ouro Segundo Kelle Rocha, médica endocrinologista e docente do Idomed, o ovo é uma “proteína padrão ouro”, mas, o consumo em quantidades extremas pode trazer implicações específicas para o organismo. “Embora seja uma excelente fonte de nutrientes, exagerar pode sobrecarregar o metabolismo, especialmente em pessoas com predisposição a problemas renais ou exceções específicas”. Além disso, há riscos de alergias alimentares, que podem ser desencadeadas por proteínas específicas presentes no ovo. “Outro aspecto importante a se considerar é o impacto do colesterol. Para pessoas saudáveis, o colesterol alimentar tem pouco efeito sobre os níveis de colesterol no sangue, mas, quem tem histórico de dislipidemias deve procurar orientação médica antes de adotar uma dieta rica em ovos”, ressalta a médica. Equilíbrio A chave está no equilíbrio. “Uma dieta balanceada não deve se concentrar em um único alimento, por mais nutritivo que ele seja. O ideal é variar quanto às fontes proteicas e incluir ovos de forma estratégica, priorizando formas de preparo mais saudáveis, como cozidos ou pochê, em vez de fritos”, sugere a médica. É fundamental observar a procedência. Os industrializados seguem padrões rigorosos de segurança alimentar, mas é preciso garantir que sejam armazenados em condições adequadas para evitar contaminações por bactérias como a salmonella, por exemplo. “É importante que as decisões alimentares sejam personalizadas, levando em conta fatores como a saúde individual, condição metabólica e orientação profissional”, finaliza Kelle.