Os felinos distinguem odores familiares de desconhecidos, usando diferentes narinas (AdobeStock) Uma reportagem publicada pelo jornal The New York Times sobre um estudo divulgado no periódico Plos One revelou que os gatos respondem de forma diferente aos cheiros de seus tutores em comparação aos odores de pessoas desconhecidas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o The New York Times, os pesquisadores recrutaram 30 gatos e seus tutores para participar do estudo. Os tutores coletaram seus próprios odores esfregando cotonetes atrás das orelhas, entre os dedos dos pés e debaixo dos braços. Outras oito pessoas, que não possuíam animais de estimação nem conheciam os tutores dos gatos, foram recrutadas como “doadores de odor”. Cada gato foi exposto a um conjunto de tubos de ensaio contendo cotonetes com o cheiro de seu tutor, de uma pessoa desconhecida e um tubo de controle. Uma câmera instalada no aparato experimental registrou as reações dos felinos. Os gatos passaram mais tempo cheirando as amostras dos desconhecidos do que as de seus tutores — um indicativo de que conseguiam reconhecer o cheiro familiar e dedicavam mais atenção à novidade. Hidehiko Uchiyama, professor de Ciência Animal na Universidade de Agricultura de Tóquio, e seus colegas analisaram detalhadamente as gravações em vídeo e notaram que os gatos usavam predominantemente a narina direita ao cheirar os tubos com odor de desconhecidos, independentemente da posição do tubo. Esses achados corroboram estudos anteriores com outros animais, como os cães, que também tendem a usar a narina direita para explorar odores novos. “A narina esquerda é usada para odores familiares e a narina direita fica mais voltada para novos e alarmantes odores, sugerindo que o olfato pode estar relacionado ao funcionamento do cérebro”, explicou Uchiyama. “É provável que o cérebro direito seja preferido para processar odores emocionalmente alarmantes.” Carlo Siracusa, professor associado de Comportamento Animal na Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, pediu cautela na interpretação sobre a relação entre o comportamento de cheirar dos gatos e o funcionamento cerebral. “O estudo não provou que o lado direito do cérebro é ativado”, afirmou. Para isso, seria necessário que os gatos cooperassem com exames cerebrais enquanto cheiram diferentes odores. Embora não tenha participado da pesquisa, Siracusa destacou a importância desse tipo de estudo para o avanço do entendimento humano sobre o comportamento felino, o que pode contribuir para um cuidado mais adequado aos gatos. Ao The New York Times, Siracusa também comentou sobre o desafio logístico de elaborar um protocolo de estudo que fosse aceito pelos participantes felinos. “Eu realmente aplaudo este grupo de cientistas por terem sucesso em envolver 30 gatos nessa atividade”, disse. “A maioria dos gatos não quer fazer parte dessa pesquisa”, completou, aos risos.