O resfriado comum, caracterizado por coriza, espirros e febre baixa, costuma passar espontaneamente entre 3 e 7 dias (Adobe Stock) Dor de garganta, tosse, pigarro, rouquidão e dificuldade para engolir estão entre as queixas mais frequentes. Embora esses sintomas sejam comuns em gripes e resfriados, também podem estar relacionados a refluxo laringofaríngeo, laringite ou amidalite, condições com causas e tratamentos distintos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Os sintomas iniciais podem ser muito parecidos. Por isso, é importante observar a intensidade, a duração e a presença de outros sinais antes de iniciar qualquer tratamento”, explica Marcelo Mello, chefe do Pronto-Socorro de Otorrinolaringologia do Hospital Cema. O resfriado comum, caracterizado por coriza, espirros e febre baixa, costuma passar espontaneamente entre 3 e 7 dias. Contudo, se os sintomas persistirem ou apresentarem características específicas, o foco muda de figura: No refluxo, por exemplo, parte do conteúdo do estômago retorna e alcança a região da laringe, provocando irritação. Entre os sintomas mais comuns estão tosse seca, principalmente ao deitar, pigarro persistente, rouquidão, ardor e sensação de algo parado na garganta. Diferentemente das infecções respiratórias, o refluxo geralmente não provoca febre, coriza ou espirros. Os sintomas podem piorar depois das refeições, à noite ou quando a pessoa se deita logo após comer. Já a laringite é uma inflamação da laringe, região onde estão localizadas as cordas vocais. A manifestação mais característica é a rouquidão, que pode variar de uma alteração discreta até a perda temporária da voz. A condição pode surgir durante ou após uma infecção viral, mas também estar associada ao uso excessivo da voz, à exposição a substâncias irritantes e ao refluxo. Tosse seca, dor de garganta e desconforto ao falar também podem estar presentes. Em crianças, é necessário observar sinais como tosse forte e estridente, ruído ao respirar e esforço respiratório. Nesses casos, a avaliação médica não deve ser adiada. A amidalite é uma inflamação das amídalas, geralmente provocada por vírus ou bactérias. Pode causar dor intensa ao engolir, febre, mal-estar, aumento dos gânglios do pescoço e vermelhidão na garganta. Placas esbranquiçadas ou pontos de pus podem aparecer, mas sua presença, isoladamente, não confirma que a infecção seja bacteriana. A avaliação clínica e, em alguns casos, testes específicos são necessários para definir a causa e indicar o tratamento adequado. Quando a amidalite é provocada por determinadas bactérias, como o estreptococo, o diagnóstico e o tratamento corretos ajudam a prevenir complicações. Antibióticos, no entanto, não têm efeito contra infecções virais e não devem ser usados sem prescrição. Sintomas leves de resfriado, como coriza, espirros e discreto desconforto na garganta, geralmente podem ser acompanhados em casa, com repouso, hidratação e lavagem nasal. É importante, porém, observar a evolução do quadro. A avaliação médica é recomendada quando houver: Dificuldade para respirar; Dificuldade para engolir líquidos ou a própria saliva; Febre alta ou persistente; Piora importante do estado geral; Sinais de desidratação; Dor intensa ou que se agrava; Ruído ou esforço para respirar, especialmente em crianças; Rouquidão que persiste por mais de duas semanas; Sintomas que não melhoram ou pioram após alguns dias. Atenção Em crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas ou com doenças crônicas, a avaliação pode ser necessária mais precocemente. Segundo Marcelo Mello, a semelhança entre os sintomas reforça a importância do diagnóstico correto. Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames, como a videolaringoscopia, para avaliar laringe e cordas vocais. A automedicação com antibióticos, corticoides e anti-inflamatórios deve ser evitada. Além de provocar efeitos adversos, o uso inadequado pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e, no caso dos antibióticos, contribuir para a resistência bacteriana.