Gabriel Sanches: “Se o público embarca na história, o céu é o limite. Se existir rejeição, muita coisa pode ser adaptada" (Luisa Worcman/Divulgação) Com humor ácido, tiradas afiadas e uma boa dose de carisma, Gabriel Sanches vem conquistando cada vez mais espaço em Dona de Mim, novela das sete da TV Globo. Na pele de Breno, personagem complexo que transita entre o ranzinza e o divertido, o ator se vê em uma trama delicada e cheia de dilemas: a inseminação caseira feita por seu companheiro Caco (Pedro Alves), que acaba envolvendo de forma inesperada o casal Ayla (Bel Lima) e Gisele (Luana Tanaka). Fora da tela, Gabriel também se destaca pelo estilo, pelo olhar artístico que leva da moda à decoração da própria casa e pela parceria afinada com o colega de cena Pedro Alves. A partir de 5 de outubro, estreará no teatro com uma peça infantil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na novela Dona de Mim, o personagem Breno já mostrou várias camadas na trama — divertido, ranzinza, ácido, mas também carismático. Como você enxerga essa complexidade e de que forma ela te desafia como ator? Tenho encarado a experiência de viver o Breno como uma excelente oportunidade de experimentar, justamente porque ganhei esse presente da Rosane Svartman (autora), um personagem que apresenta tantas facetas, inclusive contradições. As implicâncias com a visão de trabalho da Leona, por exemplo, irão trazer cada vez mais essas nuances e isso tem me encantado por ser uma oportunidade de explorar mais camadas e intenções na atuação. A parceria com o ator Pedro Alves tem sido muito elogiada pelo público. Como essa sintonia fora de cena influencia no resultado nas gravações, especialmente em momentos mais delicados da trama? Sei dessas histórias, que viram lendas, de atores que eram apaixonados e cheios de química em cena, mas que nos bastidores nem se falavam. Não me imagino vivendo isso. Tem sido muito importante construir intimidade e parceria com o Pedro no fortalecimento da relação entre Breno e Caco. Não é difícil, o Pedro é encantador, gentil, tem uma escuta excelente. Estamos nos dando muito bem nesse encontro profissional, não poderia desejar algo melhor para a realização desse trabalho. A novela aborda questões sensíveis e importantes para a comunidade, como a inseminação caseira e seus desdobramentos. Qual foi sua principal preocupação e preparo ao entrar nesse núcleo? A preocupação sempre vai ser a rejeição do público em relação a história, porque a novela é uma obra aberta, ela joga com o público enquanto a trama caminha. Se o público embarca na história, o céu é o limite. Se existir rejeição, muita coisa pode ser cortada, transformada e adaptada. A ideia foi começar a contar essa história com calma, dando pistas de cada coisa uma por vez. Ayla e Gisele como casal, Breno e Ayla como amigos e colegas de trabalho, Breno e Caco como namorados e então a coincidência da inseminação. O público foi recebendo tudo isso aos poucos e ficando curioso com os desdobramentos, dentro da intimidade de cada personagem. Acredito que estamos sendo muito bem sucedidos com o resultado e agora cada vez mais conseguindo expor partes da trama, depois da cautela. O Breno tem um estilo marcante, com roupas oversized, cintura alta e tons pastéis. O que você mais se diverte em experimentar no figurino e o que acabou trazendo para o seu próprio guarda-roupa? Eu gosto de experimentar todas as peças que a figurinista Júlia Ayres apresenta. Sempre que tem prova de figurino, já fico todo animado porque sei que virão mais peças lindas e que se eu pudesse ficava com todas. Das peças do Breno, a que mais me marca são os óculos, é o que mais dá a identidade do personagem quando termino de vestir tudo. Você falou que moda e estética, para você, têm a ver com identidade. De que esse olhar também aparece na forma como organiza e decora a sua casa? Estou justamente num processo de finalização da decoração da casa. Quer dizer, não posso dizer finalização porque sempre tem alguma coisa mudando. É importante fazer girar a gira, movimento sempre é bem-vindo. Mas quero dizer que a casa está ficando daquele jeitinho que você olha e se orgulha, pensa “esse é o meu lar”. Tenho algumas sobras que eu mesmo fiz espalhadas pelas paredes e prateleiras e tenho muitas coisas de viagens. Além de espalhar plantas por todos os lados. As plantas e as folhas são nascimento, vida e alegria. E tudo isso se conecta com minha espiritualidade, com a forma como quero construir comunidade, família, laços e a relação comigo mesmo, na minha intimidade. Na novela das sete, o público costuma ver o Breno ora como vilão, ora como mocinho. Você acredita que essa dualidade é o que mais atrai no personagem? Acho que isso atrai porque cria um fator inesperado nas cenas que o Breno está. Isso é ótimo tanto pro trabalho como ator, quanto para a dramaturgia. Em geral, com o Breno, algo vai surpreender, uma fala mais apimentada, um carinho gentil, uma verdade que escapa, um comentário que transforma o ambiente etc. Fora da novela, quais são seus próximos projetos? Estou gravando o terceiro álbum da minha carreira musical. Tem essa parte também. Faço um duo chamado Sara e Nina, junto com Alessandro Brandão. Vem aí no final do ano o álbum Tentei ser feliz. E a partir de 5 de outubro, vou circular pelo Rio de Janeiro com a peça infantil Gagá. Fui assistente de direção do espetáculo e agora entrei substituindo um dos atores, Leandro Santana. Espero muito em breve contar também sobre novos projetos no audiovisual.