[[legacy_image_357887]] Demorei para assistir a O Dublê, filme com Ryan Gosling e Emily Blunt em cartaz nos cinemas da região, porque esperei uma sessão legendada em um horário decente. Mas esta é outra história que vou abordar em outro momento por aqui. O fato é que o filme é um blockbuster dos bons, uma obra que não quer te fazer pensar nem refletir sobre nada. Seu único e claro objetivo é… divertir. E não há nada de mal nisso, pois existe espaço para todo tipo de filme e a experiência de ir ao cinema é cada vez menos cerebral e mais adolescente. Ryan Gosling, um ator de enorme carisma e que consegue estar em evidência há anos (La La Land, Barbie…), une beleza com talento único para fazer rir, o que é uma combinação que sempre dá certo nas telas (Burt Reynolds, Clint Eastwood do começo da carreira). Funciona muito bem no papel do dublê de um grande astro, que faz as cenas difíceis, mas ninguém fora do set conhece. Na história, ele sofre um acidente que atrapalha sua paquera com uma talentosa diretora e o deixa por um bom tempo incapaz para sua profissão. E é no meio deste fundo do poço que ele recebe o telefonema de uma grande produtora, pega um avião para a Austrália e volta a trabalhar em um filme dirigido justamente pela mulher que ele deixou falando sozinha meses antes. Durante as filmagens, além da tensão sexual com a ex-paquera, ele ainda vai se ver no meio de uma trama (meio burra, mas isso é o de menos em um filme assim) que vai arrastá-lo para uma sucessão de brigas, lutas, explosões e cenas de ação, que afinal são sua especialidade! A homenagem declarada do diretor, que já trabalhou como dublê, é à própria categoria e às tradições, incluindo alguns de seus grandes nomes. O filme conta, inclusive, com a participação especial de Lee Majors, astro da série Duro na Queda, na qual o filme se inspira livremente, e que aos 85 anos recebe uma merecida lembrança. Outros rostos conhecidos são o da atriz Hannah Waddingham, a indicada ao Oscar Stephanie Hsu e Aaron Taylor-Johnson. Todos, em algum nível, alívios cômicos em um filme que faz graça o tempo todo. Até na trilha sonora, com as várias versões de I Was Made for Loving You, do Kiss, é possível encontrar graça. O ritmo é tão acelerado que nem dá tempo de refletir sobre os enormes buracos da história. E, afinal, o importante aqui é comer pipoca, torcer pelos mocinhos e rir o tempo todo das situações que passeiam entre o impossível e o ridículo (no bom sentido). Vale a pena procurar os outros filmes do diretor disponíveis no streaming, todos na mesma linha de ação/humor, tão divertidos quanto. Destaque para o recente Trem Bala, adaptação de um livro japonês que também ganhou uma adaptação estrelada por um bonitão (no caso, Brad Pitt) e cuja história gira em torno de cinco assassinos que foram contratados, aparentemente pela mesma pessoa, para matar alguém em um trem bala. Neste, os personagens são ainda mais caricatos, tente também, está no catálogo do Prime Video e da Apple TV. O Dublê ainda está em cartaz nos cinemas e não vai decepcionar os fãs do gênero. Pode não ser uma obra-prima nem revolucionar o cinema de ação, mas é uma grande carta de amor aos dublês e ao gênero que tanto depende da categoria. Gostei!