Família Laranjeira está na quinta geração com a chegada de Manuela (Silvio Luiz/AT) No dia 10 de outubro, nasceu em Santos, Manuela Laranjeira, a mais nova integrante da família Laranjeira, que agora conta com cinco gerações de mulheres que podem contar umas com as outras. A recém-nascida é filha de Camilla Laranjeira, jornalista moradora de Praia Grande, que, aos 31 anos, afirma que a filha foi muito planejada e esperada por ela e seu marido. “Quando descobri que estava grávida, já sabia que seria a Manu, uma menina. Venho de uma família muito pulsante de mulheres, então, já sabia que, quando fosse mãe, teria uma filha.” Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Rede de segurança A rede familiar, por si só, é fundamental na formação da identidade da criança, de acordo com a psicóloga Tânia Maciel de Oliveira. O impacto da família começa quando o bebê passa a identificar padrões familiares de comportamento, incluindo a hierarquia entre os parentes. No caso das mulheres, segundo a profissional, essa influência é ainda maior e mais positiva. “Aquela mãe já se sentiu insegura, porque está começando a desenvolver um novo papel na vida dela e não sabe nada; não sabe o que fazer, nem como agir quando algo acontecer. Ter o apoio de outras mulheres que, na sua maioria, já passaram pela maternidade, traz uma segurança”. Além disso, a “supervisão” de outras mulheres faz com que a mãe se sinta mais apta. A psicóloga ainda adverte que, em famílias onde há constantes discussões e brigas, esse impacto ocorre de forma negativa. Paixões compartilhadas Camilla, que ainda está no puerpério e se recuperando, diz que a nova fase tem sido de muitas descobertas. “A cada dia, tenho mais vontade de ser melhor para ela, de ter mais paciência. Sempre fui uma pessoa muito acelerada, então, a Manuela veio me ensinar”. Corintiana de carteirinha, Camilla explica que a paixão pelo time é uma herança do avô, do pai e dos tios, e que o amor pelo Corinthians só se intensificou após o casamento com seu marido, também torcedor do clube. “Queremos passar esse amor para a Manuela. A gente é muito corintiano por aqui, e uma das nossas diversões é ir ao estádio assistir aos jogos”. Valores transmitidos Além da tradição no futebol, Camilla tem outros valores que deseja compartilhar com a filha. “A principal tradição que eu tenho da minha família é sobre união. Sentar à mesa, fazer uma refeição juntos, conversar sempre com transparência sobre todos os assuntos", explica. A psicóloga Tânia afirma que o diálogo, e principalmente a escuta, é um fator determinante na infância. “É importante que os adultos que estão ali queiram ouvi-la; vai transformá-la em uma adolescente emocionalmente mais saudável e, depois, um adulto capaz de ajudar pessoas que não tiveram a mesma oportunidade que ele". O conselho da terapeuta é: “Escute seu filho, dê espaço para a criança falar e tornar-se parte fundamental da família. Pertencente àquele núcleo, não exclua ela das conversas, exceto quando são conversas que a criança de fato não pode participar”. Segundo ela, adolescentes que não são ouvidos na infância tendem a ser calados. Amor e herança de avó Tania Laranjeira, avó de Manuela, afirma que o nascimento da neta lhe proporcionou um dos melhores sentimentos já experimentados em seus 57 anos. “É inexplicável. Um amor tão grande, um amor dobrado, um sentimento de dever cumprido e satisfação em saber que a nossa geração vai continuar. É tremendo. Foi uma bênção”, diz, emocionada. Ela acredita que sua filha, Camilla, conseguirá conversar com Manuela e transmitir os princípios da família, especialmente os valores da religião evangélica. “Somos cristãos, então nossos princípios bíblicos, creio que ela vai passar para a filha”, afirma, já que todas frequentam a Igreja Presbiteriana de Vicente de Carvalho. Outra herança muito forte está na cozinha: “Minha mãe manda muito bem na cozinha. Ela passou isso para as filhas, eu transmiti para a minha. Espero que a Camilla também passe para a Manuela”, diz a avó. Bisavó lembra das dificuldades Creuza Laranjeira, bisavó de Manuela, conta que, ao lado do marido, criou cinco filhos, mas lembra das dificuldades que enfrentou, especialmente em conciliar o cuidado com as crianças e o trabalho. “Cada um foi em época diferente. Às vezes, meu marido não estava trabalhando e eu tinha que ajudar, trabalhando”, conta. De acordo com a psicóloga Tânia Maciel, algumas mães sentem vergonha de falar do próprio cansaço por medo do julgamento. “A primeira coisa é não comparar uma mãe com qualquer outra mãe que tenha sido mais ágil que ela, em determinadas situações, porque cada mãe é única. Então, trazer o acolhimento para essa mãe é fundamental. Se ela está cansada, não invalide esse cansaço”. Aos 79 anos, Creuza observa que, no seu tempo, os pais eram mais severos e os filhos mais obedientes. Para a educação de sua bisneta, Creuza espera que Camilla “tenha o coração bom e saiba falar com a filha, que possa ensinar sem bater como a gente fazia antigamente, mas com firmeza”. Para Tânia Maciel, “Essa estrutura das outras gerações traz alívio e conforto, porque às vezes a mãe, principalmente na rotina de hoje, está trabalhando ou na correria para trazer o sustento, às vezes precisa estar em dois empregos ou com carga horária muito extensa no emprego. A criança cuidada pela avó, bisavó ou tias sente a presença do afeto”. A psicóloga destaca ainda que ajudar alguém que acabou de dar à luz faz com que se torne um personagem importante, e que a mãe dessa criança “lá na frente vai lembrar de você de uma forma muito positiva. Quando nós fazemos o bem, multiplicamos, porque aquela pessoa que recebeu, vai oferecer o bem para outra pessoa, e assim se torna uma rede infinita de apoio e suporte emocional”. Tataravó: vida sofrida movida pela fé Maria Francisca da Silva, tataravó de Manuela, tem 95 anos e enfrenta algumas limitações de saúde. Ela diz que a criação dos seus filhos foi “muito sofrida” e que, por “ignorância”, “batia muito na filha Creuza”. Viúva desde cedo, Maria Francisca se mudou de Pernambuco para Guarujá aos 32 anos e acredita que foi a partir daí que sua vida começou a melhorar. Para ela, o maior valor de sua família é a fé. “Andar nos caminhos do nosso Deus. Sem isso, não conseguiríamos chegar até aqui”, reflete sobre a família. Ela ainda compartilha que, para longevidade e união familiar, “o segredo é não guardar mágoas e liberar perdão o tempo inteiro. Mesmo achando que temos razão, é importante abrir mão de algumas razões e viver como Deus quer”.