Evelyn Castro fala sobre sua carreira multifacetada e os novos projetos (Johnne de Oliveira/Divulgação) Desde sua estreia na 4ª edição do reality Fama, da TV Globo, em 2005, Evelyn Castro construiu uma carreira multifacetada, transitando entre música, teatro, televisão e cinema. Cantora, atriz e comediante, conquistou o público com performances intensas e personagens marcantes, sem abrir mão da autenticidade e do humor. Nessa conversa exclusiva, ela, que brilha na novela das seis Êta Mundo Melhor! com a personagem Zenaide, fala sobre os desafios de equilibrar a rotina intensa e o desejo de explorar personagens com camadas dramáticas. Você começou no programa Fama 4 e desde então construiu uma carreira muito diversa. Você imaginava tudo isso ou seu foco era a música? Comecei minha carreira como cantora profissional, sim, cantando em eventos e em casas de show. Tinha uma banda, participava de algumas bandas de baile e aprendi muito na noite, cantando em shows. Minha primeira paixão na infância foi ser atriz. Sempre dizia que queria atuar no teatro, sempre gostei de fazer rir, especialmente. Mas nunca imaginei que a música me levaria de volta à atuação. No teatro, você esteve em musicais que contaram a história de grandes nomes da música, como Tim Maia, Cássia Eller e Tina Turner. Como é a preparação para um musical? É diferente de outros papéis? A preparação para teatro musical é muito intensa, porque envolve música, dança e dramaturgia. Esses musicais, em específico, exigiam muita dramaturgia por serem dirigidos por João Fonseca, um dos grandes nomes da direção, que também é ator. Acho que isso conta bastante, e aprendi muito com ele. Quando me perguntam onde está minha escola, eu digo: minha escola é João Fonseca. Foi lá que realmente me formei. É uma preparação intensa, um momento de reclusão. É preciso muita disciplina para estar em perfeitas condições e executar, às vezes, duas sessões diárias, mantendo a voz perfeita, porque você fala e canta. É preciso técnica. Sempre tive acompanhamento de fonoaudióloga; nunca fiz aula de canto, mas fui à fono por algumas questões vocais. Além disso, fora os exercícios físicos, é necessário manter o corpo sempre em dia. Aliás, foi a Tina Turner que me colocou de volta aos treinos diários, porque, senão, eu não teria condição de interpretar aquela força de mulher. Foi um grande presente participar desses projetos com grandes nomes da nossa música e da música internacional. A Tina Turner — que chamo carinhosamente de Tia Turner — é minha grande inspiração de vida. Você tem uma trajetória forte e marcante na comédia. Sua imagem ficou marcada com o Porta dos Fundos e depois em outros programas, como Tô de Graça e Encantados. Como você equilibra o humor com outros gêneros? Quando entrei no Porta dos Fundos, ainda conseguia fazer musicais e equilibrar as coisas. O teatro me dá mais oportunidades de explorar cenas dramáticas. No meu último monólogo, um tributo musical a Tina Turner, tive momentos dramáticos e felizes. O teatro permite trazer essa parte minha. No audiovisual, nem sempre surgem tantas oportunidades dramáticas. Não fico triste, porque amo fazer comédia e fazer rir, mas muitas vezes acabam me chamando apenas para isso. Tive a oportunidade, logo no início do audiovisual, de participar de Um Contra Todos, um projeto com dramaticidade, e depois de O Mecanismo, em que era uma personagem coadjuvante. Depois disso, não surgiram tantas chances. Em novela, também há cenas dramáticas, mas meus personagens estão sempre ligados ao humor. No Porta dos Fundos, o humor é mais naturalista; no Tô de Graça, é mais caricatural. Isso me permitiu explorar diferentes tipos de comédia e aprender bastante. Tem alguma preferência? Não. Sou uma operária da arte, uma artista. É como me perguntar se prefiro cantar ou atuar. Até brinco: não há como estar em um show sem mandar uma gracinha para fazer alguém rir. Sou uma só. Sou artista, gosto de criar. Também já desenhei e pintei. Fiz faculdade de design; se tivesse que trabalhar com isso, também seria feliz. Recentemente, você participou do Masked Singer como a Sereia Iara. Dá a impressão de que os participantes gostam muito do programa. Como foi a experiência? Amei o The Masked Singer Brasil, e nem sei explicar exatamente por quê. Não foi fácil. A fantasia da Sereia Iara me deixava com as pernas amarradas, com peso, calor e dificuldade de enxergar, mas foi uma superação atrás da outra. Conheci pessoas incríveis e uma equipe maravilhosa. Se você me perguntasse se faria isso o ano todo, eu diria que sim. Volto com certeza. O programa foi lúdico: poder cantar sem que as pessoas soubessem quem eu era e serem impactadas pela voz, experimentar gêneros que nunca cantei... Eu cantei Vermelho e, confesso, tentei lutar contra, pensando que me daria errado. Mas foi lindo. Me emocionei na fantasia, incorporando a Sereia Iara. Foi um reencontro com minha ancestralidade, espiritualmente falando, e com meu feminino. A Sereia me proporcionou uma viagem interior, literalmente, tirou todos os meus sentidos, inclusive a locomoção, e foi incrível para meu crescimento artístico. No cinema, você já interpretou antagonistas, protagonistas e personagens hilárias. Existe algum tipo de personagem que ainda sonha em viver? Quero algo com mais camadas dramáticas. Quero drama, porque preciso ser sincera com minha arte. O drama exige camadas e entrega. Gostaria de viver uma dramédia, não tão voltada à comédia, interpretar uma vilã que exigisse seriedade e profundidade em cena. Você faz parte do elenco fixo do Caldeirão com Mion, da TV Globo, e também se apresenta com sua banda em eventos. Como lida com a rotina intensa de TV e música ao mesmo tempo? Não sei exatamente como lido com essa rotina intensa. Aliás, tenho sentido falta dela. Descobri que novela é um verdadeiro crossfit, e essa rotina exige dedicação total. A obra aberta me apaixonou, e não saber para onde meu personagem vai tomou completamente meu foco. Estou hiperfocada na Zenaide e na novela, então parei quase tudo: tenho poucos shows e estou pouco voltada para a música e outras atividades. Mas amo essa rotina intensa e fazer várias coisas ao mesmo tempo, e sei que dou conta. Mãe, né? A mãe dá conta porque, no topo da lista, tem uma pessoinha chamada Juan, que é minha luz e combustível. Acima de Juan vem o espiritual, que me criou para ser assim. Só tenho a agradecer toda essa energia. Todos esses pedacinhos, bifurcações e encruzilhadas são importantes; eu agradeço e aceito. Digo que os caminhos fiquem abertos. Sua parceria com Heloísa Périssé em Êta Mundo Melhor! tem chamado atenção do público, até pelas maldades. Como construíram essa química em cena? Não sei dizer. A parceria com a Heloísa é um presente divino. Sei que ela é espiritualizada e acredito que sente o mesmo. É um presente porque não combinamos nada; nem há o que explicar. Tivemos preparação maior com as crianças, para criar uma conexão entre eu, ela e os pequenos. A mágica com a Heloísa é única. Se não acontecesse, não traria o resultado que vocês veem. Temos um jogo de olhares raro, quase sem explicação; é como se entendêssemos a música que cada uma canta. Por isso funciona: eu entendo a melodia dela, ela entende a minha; eu entendo o que a Zenaide canta, e ela também. Assim seguimos tocando essa “bola”. É uma doideira, mas é assim que acontece. Generosidade, saber ouvir e se escutar — isso é único no set.