Elenco estelar percorre labirinto do inconsciente por meio dos sonhos (Reprodução) Em 16 de julho de 2010, Christopher Nolan lançou o ambicioso e fascinante A Origem (Inception). Ele se inspirou no labirinto da mente humana e nos mecanismos do inconsciente e do subconsciente para gerar um roteiro criativo e incomparável, com um drama psicológico que transita entre a realidade e a ilusão, num filme visualmente impressionante. Com A Origem, o cineasta britânico ampliou o gênero ficção científica e entrou para a seleta galeria de gênios da indústria do cinema. A trama é simples, focada no ladrão Dom Cobb, interpretado pelo vencedor do Oscar Leonardo DiCaprio, que recebe a missão de roubar um segredo. Porém, a execução da sua jornada é bem complexa. Cobb é especialista em extrair segredos do inconsciente alheio através dos sonhos e faz uma imersão no labirinto mental, percorrendo níveis de sonhos cada vez mais profundos — o sonho dentro do sonho —, correndo riscos reais, inclusive o de enlouquecer, em uma dimensão essencialmente abstrata. A Origem é um marco do gênero, enriquecido com cenas de ação, drama e thriller psicológico. A narrativa é construída dentro de uma estética inovadora e surpreendente em matéria de efeitos visuais. Do dobramento surreal da cidade de Paris à icônica cena do corredor em rotação, A Origem tem um resultado visual único, unindo computação e cenários reais. Wally Pfister, diretor de Fotografia, merecidamente levou o Oscar por um trabalho que equilibra o palpável e o fantástico. E é nesse limiar entre o real e o onírico que o filme brilha: o impossível se torna crível sem soar artificial. Tudo isso embalado pela trilha sonora de Hans Zimmer. As batidas profundas e quase metálicas criam uma tensão que pulsa sob cada cena. Time, a faixa final, não apenas sublinha o clímax emocional da história, mas tornou-se um tema emblemático — tanto do filme quanto da própria filmografia de Zimmer. É a terceira colaboração de Hans Zimmer com Christopher Nolan depois de Batman Begins (2005) e Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), ambas em parceria com James Newton Howard. Destaque também para o elenco afiado e carismático. Leonardo DiCaprio entrega uma das performances mais densas de sua carreira, carregando o peso emocional de um personagem fragmentado por perdas e escolhas. A vencedora do Oscar Marion Cotillard, como Mal, encarna o inconsciente de Cobb com intensidade e ambiguidade. Não bastassem as atuações tão bem construídas dos dois atores, Nolan claramente presta homenagens aos dois protagonistas criando sequências que remetem aos filmes Titanic (1997) e Piaf: Um Hino ao Amor (2007), protagonizados respectivamente por DiCaprio e Cotillard. O melhor é que essas easter eggs se encaixam matematicamente no contexto do longa-metragem. O resultado é nada menos do que poético, uma brisa leve num filme denso espetacular. O elenco traz outros nomes importantes da cena audiovisual, como Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine, Tom Hardy, Cillian Murphy, Ken Watanabe e Elliot Page (então Ellen Page). A Origem é o que podemos chamar de clássico moderno, um épico contemporâneo. O filme recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Roteiro Original, Direção de Arte e Trilha Sonora, mas conquistou estatuetas nas categorias de Fotografia, Efeitos Visuais, Mixagem de Som e Edição de Som. Atualmente, o longa-metragem pode ser assistido no catálogo do Prime Video e está disponível para aluguel nas plataformas Apple TV e Google Play. A Origem talvez seja o ponto de virada definitivo na carreira de Nolan. Embarque nesse sonho você também!