Atriz, cantora e produtora, Cella vem consolidando seu nome entre os destaques da nova geração (Elisa Maciel/Divulgação) Atriz, cantora e produtora, Cella vem consolidando seu nome entre os destaques da nova geração. Natural de Manaus (AM), ganhou projeção nacional ainda adolescente, ao participar do The Voice Kids Brasil, e aos 17 anos se mudou sozinha para o Rio de Janeiro com o objetivo de investir na carreira artística. Desde então, construiu uma trajetória no teatro musical, com passagens por diferentes montagens, indicações a prêmios e presença constante nos palcos. Hoje, aos 24 anos, soma sete musicais, um filme musical e trabalhos no audiovisual, além de protagonizar Fala Sério, Mãe! – Elas Só Mudam de Endereço, inspirado no best-seller de Thalita Rebouças, em cartaz no Rio. Paralelamente, também atua como produtora e diretora artística, ampliando sua atuação na cena cultural. Essa trajetória multifacetada ganha agora um novo capítulo na música. Com o lançamento de Encantaria, Cella traduz suas origens amazônicas em um pop de atmosfera mística, marcado por referências culturais e identidade própria. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Você começou muito cedo na arte e ganhou projeção nacional ainda adolescente ao representar o Amazonas no The Voice Kids. De lá para cá, sua carreira passou pelo teatro musical, pelo audiovisual e agora vive uma nova fase na música. Que momentos dessa trajetória você considera decisivos para se consolidar como artista? Acho que alguns momentos foram viradas de chave muito bonitas para mim. O The Voice Kids Brasil foi o primeiro grande portal, porque eu era uma adolescente de Manaus que amava cantar e, de repente, o Brasil inteiro estava ouvindo minha voz. Depois disso, as primeiras músicas que eu lancei como Cella também foram muito impactantes para mim, porque foi quando comecei a mostrar minha identidade artística de verdade. E os musicais que participei também foram importantes nessa construção, porque o palco me ensinou muito sobre presença e disciplina. Hoje, sinto que tudo isso foi se somou e formou quem sou como artista. Aos 17 anos, você tomou uma decisão grande para qualquer jovem: sair de Manaus e se mudar sozinha para o Rio de Janeiro para seguir a carreira artística. Como foi isso? Foi um salto meio no escuro, mas cheio de sonho. Eu tinha 17 anos, saí de Manaus e fui morar sozinha no Rio para me aprimorar e estudar. Claro que deu medo, saudade, insegurança… mas ao mesmo tempo foi muito libertador. Aquela mudança me ensinou que coragem não é não ter medo, é ir mesmo com medo. Me fez entender o quanto eu realmente amo viver de arte. Hoje você transita entre diferentes frentes da arte, como atriz, cantora e produtora cultural. Como essas três áreas se alimentam dentro da sua trajetória e de que forma cada uma influencia a outra? Para mim tudo se mistura muito. A atriz alimenta a cantora, porque interpretar uma música é quase como viver um personagem. A cantora alimenta a atriz, porque a música me conecta muito com emoção. E a produtora cultural nasceu de um desejo de criar espaços e oportunidades para a arte existir. Amo pensar projetos novos, imaginar universos, juntar pessoas criativas. No fundo são caminhos diferentes que me levam para a mesma coisa: contar histórias e provocar sentimento nas pessoas. Atualmente, você protagoniza o musical Fala Sério, Mãe! – Elas Só Mudam de Endereço, inspirado no best-seller de Thalita Rebouças, história que também virou filme de sucesso nos cinemas. O que representa para você dar vida à personagem Maria de Lourdes, a Malu, e contracenar com a própria autora da obra? É muito especial. Eu li os livros dela na adolescência, então existe uma memória afetiva muito forte. Dar vida à Malu é quase revisitar várias fases da minha própria juventude, as dúvidas, os conflitos, as descobertas. E contracenar com a própria Thalita é muito bonito, porque ela é muito maravilhosa, talentosa e generosa. Paralelamente ao teatro, você vem construindo uma identidade muito própria na música, com o conceito do CarimPop, que mistura Carimbó com Pop. Como surgiu essa ideia e o que você busca trazer de novo para a música brasileira com essa fusão? Nascer e crescer em Manaus, no meio de tantas referências culturais, marcou muito a minha sensibilidade artística. Então, quando eu faço música, essas referências acabam aparecendo de forma muito orgânica. É quase como se eu estivesse traduzindo um pouco do meu lugar de conforto para dentro da música. Você lançou o single Encantaria, um pop tropical místico que dialoga com o folclore amazônico e com elementos como o boi-bumbá e a cachaça de jambu. Que universo você quis criar nessa música e o que ela revela sobre a nova fase da sua carreira musical? Encantaria é quase uma homenagem a essa energia da floresta e do feminino. Eu quis trazer para a música esse imaginário amazônico que é tão vivo, tão místico e ao mesmo tempo tão brasileiro. Tem referências como o boi-bumbá, a cachaça de jambu, as festas, as lendas… mas tudo dentro de uma sonoridade pop. Para mim, é uma forma de celebrar. Encantaria chegou no dia 21 de março, Dia Internacional das Florestas, trazendo referências muito fortes da cultura amazônica. De que forma suas origens em Manaus influenciam sua estética e sua forma de fazer música hoje? Ser manauara é uma parte muito grande de quem eu sou. Isso está na minha forma de <CW-10>ver o mundo e a arte, sabe? Sinto uma vontade muito grande de defender e valorizar essa cultura, que é tão rica e tão potente, mas que ainda hoje muitas vezes é pouco falada e às vezes até desacreditada. Então, trazer essas referências para a minha música e para o meu trabalho artístico também é uma forma de afirmar esse lugar, de um jeito pop, lúdico e sob meu ponto de vista. Aqui na Baixada Santista temos uma relação muito forte com música, cultura e também com a natureza, por conta do mar e da Mata Atlântica. Você já teve alguma conexão com Santos ou com o litoral paulista? Eu ainda não tive tantas oportunidades de viver Santos de perto, mas tenho muita curiosidade porque sei que é um lugar com uma relação muito forte e bonita com a natureza. Acho bonito pensar que a música cria essas pontes entre lugares diferentes, mas que têm a mesma sensibilidade.