Os brises são compostos por lâminas dispostas vertical ou horizontalmente (Alexandre Disaro/Divulgação) Na arquitetura, forma e função caminham lado a lado e é nesse equilíbrio que os elementos que aliam funcionalidade à estética se tornam cada vez mais queridos. No caso de brises, cobogós e muxarabis, as soluções se destacam na capacidade de controlar a entrada de luz, promover ventilação natural e proporcionar privacidade, além de, claro, deixar cada ambiente com um charme marcante. “Brises, cobogós e muxarabis são itens inteligentes que elevam qualquer projeto no que diz respeito à sustentabilidade e funcionalidade. Junto com design, considero que todos eles acrescentam um grande apelo visual aliado com a personalidade e o frescor aos locais onde estão inseridos”, explica o arquiteto Raphael Wittmann. Destrinchando um a um Para relacionar os diferenciais entre os três, o arquiteto compreende que é importante entender como cada um filtra a luz e ventilação de maneiras distintas. Dessa forma, ele analisa as necessidades específicas de conforto, estética e serventia do projeto para, só então, decidir qual especificar. Além disso, os materiais utilizados na composição variam, influenciando diretamente o desempenho e a aplicação ideal em diferentes projetos arquitetônicos. Brises Nascido da mente do arquiteto e urbanista francês Le Corbusier, ainda no século 20, os brises são compostos por lâminas dispostas vertical ou horizontalmente e reverberaram com força na arquitetura contemporânea brasileira como uma solução versátil para fachadas, principalmente corporativas. Madeira, alumínio, aço, concreto e até materiais compostos são comumente empregados na fabricação dos brises. De acordo com o arquiteto Raphael Wittmann, a madeira entrega um viés de aconchego que combina com os projetos residenciais, enquanto o alumínio e o aço são bastante considerados em grandes construções graças à baixa necessidade de manutenção. Por sua vez, o concreto é excelente para fachadas robustas, proporcionando um visual durável. “Podem ser fixos ou móveis e até automatizados, permitindo personalizar a luminosidade e o conforto térmico ao longo do dia. Gosto dos brises nas fachadas com maior exposição ao sol para equilibrar a entrada de luz e calor”. Embora existam indicações tradicionais de uso, Raphael ressalta que não há restrição. Ele exemplifica que um cobogó pode se transformar em cabeceira ou balcão de cozinha e os muxarabis se ajustam como portas de armário ou painéis decorativos em salas. Por fim, além das fachadas, os brises podem integrar pergolados ou até mesmo tetos retráteis. Cogobó (Juliana Deeke/Divulgação) Cobogós Amplamente aclamados por sua brasilidade, os cobogós surgiram em nosso país durante o movimento modernista na arquitetura e foram inspirados nos grafismos dos muxarabis. Compostos por peças vazadas de cerâmica, barro, porcelana, concreto, vidro e até madeira, eles funcionam como divisórias, fachadas ou decoração. “Os cobogós entregam jogos de sombras fascinantes, dando um toque de ludicidade aos ambientes. São ideais para locais que precisam de privacidade permanente e controle constante de luz, como corredores e fachadas”. Muxarabi (afael Renzo/divulgação) Muxarabis Originários da arquitetura árabe, os muxarabis foram amplamente adotados em regiões como o Norte da África e a Península Ibérica. Trazidos a partir dos portugueses para a arquitetura brasileira, se revelam, originalmente, na forma de gradis ou treliças de madeira, mas também são empregados com outros tipos de materiais na função de criar divisórias ou cumprir o papel de revestimentos ou fechamentos de janelas e varandas. “Uma das particularidades mais interessantes do muxarabi é o jogo de luz e privacidade que ele proporciona. Quem está dentro consegue enxergar o exterior, mas quem está fora só consegue visualizar o treliçado”, explica Raphael. De quartos a varandas, o muxarabi é um queridinho, perfeito para ambientes que precisam de ventilação e luminosidade controladas e flexíveis. Também é comum estar em portas de entrada, de armários, closets, paredes internas e painéis decorativos. Dicas do especialista Material adequado “Se o elemento tiver contato com a área externa, priorizo materiais resistentes ao sol e à chuva, como madeiras tratadas ou alumínio”, recomenda. Carta solar De acordo com o especialista, a posição do sol interfere diretamente na escolha entre brises horizontais ou verticais que garantirão a eficiência máxima. Design funcional Quando o orçamento comporta, ele indica a automatização de brises ou muxarabis para a articulação que eleva o conforto e a praticidade no dia a dia.