As Sufragistas: mulheres lutam pelo direito ao voto no Reino Unido (Divulgação) O cinema tem sido, ao longo das décadas, um espaço poderoso para retratar histórias de mulheres que desafiaram estruturas sociais, enfrentaram injustiças e transformaram suas realidades. Entre personagens reais e fictícias, essas protagonistas ajudam a refletir sobre direitos, resistência e conquistas femininas — temas que ganham ainda mais força no Dia Internacional da Mulher. Toda mulher nasce com um espírito revolucionário porque está predestinada a enfrentar uma batalha após a outra ao longo da vida. Permanece em vigília o tempo todo para ser ouvida, respeitada, admirada e conquistar o seu espaço. No ano 2026, do século 21, uma mulher ainda precisa se esforçar muito mais do que um homem para ter o reconhecimento justo por seus feitos. Por sorte, a coragem e a obstinação inspiram incontáveis personagens no cinema, reais ou fictícias. Em quase todas as histórias, as mulheres são revolucionárias. É a arte espelhando a vida. Neste Dia Internacional da Mulher, a coluna é dedicada às protagonistas que inspiram esta cinéfila, representadas por algumas delas. Em Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, com roteiro adaptado do livro de Marcelo Rubens Paiva, Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, assume a criação dos cinco filhos sozinha e se torna ativista dos direitos humanos após o desaparecimento do marido na ditadura militar. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, o longa reafirma a força política da mulher brasileira. No filme As Sufragistas (2015), dirigido por Sarah Gavron, com roteiro de Abi Morgan, Carey Mulligan, Helena Bonham Carter e Meryl Streep dão rosto à luta pelo voto feminino no Reino Unido em 1912. Mulheres que desafiaram o sistema pela cidadania. Baseado em fatos, Estrelas Além do Tempo (2016) é um tributo memorável às três cientistas negras que fizeram história na Nasa, nos anos 1960. Vividas por Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe, elas enfrentam o racismo e a misoginia enquanto ajudam na missão de levar um homem ao espaço. O filme celebra a inteligência, a coragem e o direito de ocupar espaços historicamente negados. Em Erin Brockovich (2000), dirigido por Steven Soderbergh, Julia Roberts interpreta uma mãe solo que luta por justiça para pessoas que desenvolveram câncer após beber água contaminada por uma empresa de energia. Com apoio do chefe (Albert Finney), ela conduz um processo milionário. É o retrato da mulher comum que realiza o extraordinário. Baseado em uma história real. Já Thelma & Louise (1991), de Ridley Scott, eternizou Geena Davis e Susan Sarandon como símbolos de liberdade e do feminismo. Duas amigas decidem dar um basta nos abusos que sofrem e caem na estrada desafiando leis e convenções. Trata-se de uma ficção que ecoa verdades profundas sobre a autonomia feminina. Em Histórias Cruzadas (2011), de Tate Taylor, Emma Stone e Viola Davis se unem no combate ao racismo no Mississippi dos anos 1960. Skeeter (Emma), com a ajuda de Aibileen (Viola), entrevista empregadas domésticas negras que relatam abusos de patroas brancas. Os relatos são reunidos em um livro que escandaliza a elite local. Inspirado em eventos reais, Entre Mulheres (2022), de Sarah Polley, com Rooney Mara, Claire Foy e Jessie Buckley, retrata mulheres menonitas que decidem seu destino após anos de violência. É um drama sobre fé, silêncio e ruptura. A Cor Púrpura (1985), de Steven Spielberg, revelou Whoopi Goldberg ao mundo como Celie, uma mulher violentada que redescobre sua dignidade com o apoio de outras mulheres. Whoopi foi indicada ao Oscar. Por fim, em A Dama de Ferro (2011), Meryl Streep encarna Margaret Thatcher, a primeira mulher a se tornar Primeira-Ministra do Reino Unido. O filme, com direção de Phyllida Lloyd e roteiro de Abi Morgan, rendeu um Oscar a Streep. Quando o cinema retrata o movimento feminista, que é holístico, abrangente no que tange aos direitos humanos e civis, é uma voz robusta que ecoa em defesa de todas as mulheres em todo o mundo. Feliz Dia da Mulher!