(Guilherme Pucci/ Divulgação) Estamos cada vez mais acostumados a ver imóveis com integração nas áreas sociais. Mas será que abrir mão das divisões é a melhor saída? Para o arquiteto Bruno Moraes, não há uma resposta exata e a solução vem das necessidades do cotidiano de cada um. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo ele, é preciso analisar a rotina, os hábitos e até as pequenas manias do dono do imóvel para entender se vale apostar em um layout aberto ou colocar divisórias. “Em um primeiro momento, essa possibilidade pode soar como um retrocesso, porém o principal é considerar que a decisão de executar os ambientes abertos não pode ser tomada só por estar na moda”. Bruno explica que a integração de ambientes permite ganho de área, mas muitas vezes, por exemplo, o morador só quer que a varanda seja apenas uma varanda. O fato é que, há algum tempo, o mercado imobiliário deixa para trás as plantas rigidamente compartimentadas com cada cômodo composto por quatro paredes. Porém, a integração pode se tornar um problema se não corresponder ao esperado pelo morador. “Há pessoas que desejam abrir a varanda, pois isso se alinha com as expectativas que possuem. Contudo, não há nada de errado querer que esse ambiente preserve a essência privada para se configurar em um refúgio com plantas, uma área para atividades físicas ou o uso gourmet”, cita o profissional, que é direto: integrar por integrar, só por uma tendência da arquitetura, pode acarretar desconforto. Em metragens reduzidas, é possível agregar a sensação de amplitude, mas a decisão não pode ser tomada apenas por esse critério. “Se o incômodo é o apartamento parecer pequeno, integrar ajuda, mas se o morador precisa de concentração ou privacidade, talvez dividir faça mais sentido”. Outro erro comum é acreditar que basta eliminar as barreiras físicas para conectar os ambientes. Na prática, outras questões podem gerar divisões invisíveis e até contraditórias. “Não adianta querer que os cômodos estejam ligados se houver diferenças na paginação do piso ou na iluminação”. Infinitas opções Dividir ambientes vai muito além de construir paredes. Marcenaria combinada com estrutura metálica, cobogó, muxarabis, drywall, cortinas, portas de correr e painéis deslizantes são opções disponíveis no mercado. Nas áreas integradas, há situações em que realinhar o mobiliário não é suficiente para alcançar um bom layout – seja por falta de privacidade, excesso de ruídos ou até pela exposição daquilo que o morador não gostaria de apresentar para convidados, como uma louça na pia. Para o profissional, são nessas ocasiões que a divisória passa a ser indispensável. Por falar em cozinhas integradas, os grandes inimigos dos moradores são o odor no preparo dos alimentos e a gordura que pode invadir a sala. Para isso, Bruno recomenda uma divisória móvel, como portas ou painéis deslizantes. “Não sendo fixa, o deslocamento delas acontece de acordo com a demanda”, define. Com a área de serviço alinhada com a cozinha – como denotam os imóveis novos –, Bruno reitera que as plantas abertas têm o visual prejudicado por conta do varal de roupas. “Nesses casos, a inclusão de portas de correr é eficiente para esconder, quando necessário, a área de serviço, e abrir o ambiente quando estiver organizado, mantendo a sensação de amplitude”, ressalta. Para quem trabalha de forma remota, o arquiteto sugere a instalação de divisórias fechadas ou painéis móveis quando o home office compõe a área social. “Já projetei um home office compartilhado para um casal com rotinas opostas e o desafio foi providenciar um fechamento em madeira que permitisse tanto o isolamento, quanto a abertura total. Enquanto um precisava de silêncio para reuniões, a outra parte preferia trabalhar integrada à dinâmica da casa. A divisória resolveu um problema que o layout sozinho não conseguiria”, resume. O futuro Se antes as divisórias eram essencialmente físicas, hoje começam a incorporar tecnologia. O especialista elenca os vidros que se alternam entre transparente e leitoso com um toque, permitindo o controle da privacidade instantaneamente. Ademais, elementos produzidos por impressão 3D a partir de argila ou plástico apontam para um futuro ainda mais versátil.