A doença pode se manifestar em situações de dificuldade para respirar ao subir escada (Imagem ilustrativa/Unsplash) Condição progressiva, silenciosa e ainda pouco compreendida, a DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - exige atenção aos sintomas e ao diagnóstico precoce. Dificuldade para respirar ao subir alguns degraus, cansaço ao caminhar curtas distâncias e aquela tosse que nunca passa. Para milhões de brasileiros, esses sinais fazem parte da realidade da DPOC, uma condição inflamatória, grave e progressiva, que compromete as vias aéreas e afeta diretamente a qualidade de vida. Embora esteja associada ao cigarro na maioria dos casos, a DPOC é uma doença complexa, heterogênea e ainda cercada de desinformação, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento. Conversamos com a pneumologista Helen Coutinho, da Comissão de DPOC da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), para esclarecer os principais mitos que ainda confundem pacientes e familiares. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A DPOC é uma doença apenas de fumantes? Mito. O tabagismo é, sim, a principal causa da DPOC, mas não a única. Exposição contínua à poluição do ar, poeiras, fumaças de biomassa (como fogão a lenha) e produtos químicos também elevam o risco. “Além disso, pessoas com predisposição genética e fumantes passivos podem desenvolver a doença”, reforça a pneumologista. A DPOC só aparece em idosos? Mito. A doença também se manifesta em adultos de meia-idade, especialmente entre fumantes ou pessoas expostas a poluentes. “Estudos indicam que a prevalência tende a aumentar nas próximas décadas devido ao cigarro eletrônico entre jovens e à piora da qualidade do ar provocada pelas mudanças climáticas”, alerta Coutinho. DPOC e asma são a mesma coisa? Mito. Apesar de alguns sintomas semelhantes, são doenças distintas — em causas, características e tratamento. “A asma tem fundo alérgico, desencadeada por ácaros, pólen, pelos de animais e poluição. Já a DPOC decorre de exposição crônica à fumaça de cigarro e outros irritantes”. No dia a dia, as diferenças são claras: a asma costuma provocar tosse, chiado, sensação de aperto no peito e falta de ar que aparecem e desaparecem. Já a DPOC se manifesta com falta de ar progressiva, tosse persistente com catarro e chiado que tende a piorar ao longo dos anos. A DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - exige atenção aos sintomas e ao diagnóstico precoce (Adobe Stock) A DPOC não tem cura? Verdade! Mas tem controle. A doença é progressiva e causa danos irreversíveis aos pulmões, porém o tratamento adequado retarda a evolução e melhora significativamente a qualidade de vida. “O diagnóstico precoce é essencial. Parar de fumar, usar os medicamentos prescritos e fazer reabilitação pulmonar podem transformar a rotina do paciente”. Nos casos mais graves, pode ser preciso recorrer à oxigenoterapia. E o acesso ao tratamento? Embora o SUS ofereça tratamentos para DPOC, as terapias triplas em dispositivo único, indicadas para casos moderados a graves, ainda dependem da publicação de protocolo oficial para chegar à rede pública. Essas terapias combinam três medicamentos em um único dispositivo inalatório, o que aumenta a adesão e pode melhorar o controle dos sintomas. “A praticidade facilita muito o dia a dia do paciente”, diz a pneumologista. *Cláudia Duarte Cunha é jornalista especialista em saúde. clauduarte@uol.com.br