(Divulgação) Sala, cozinha e varanda deixaram de ser ambientes necessariamente separados e passaram a dividir o mesmo cenário em muitos projetos residenciais. A integração amplia visualmente os espaços, favorece a convivência e permite que a casa seja vivida de maneira mais fluida. Mas, para que o resultado não vire uma grande área sem identidade, é preciso encontrar equilíbrio entre unidade e personalidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para Rose Alves, sócia e fundadora da Kazarrô Conceito, a integração começa justamente pela escolha do mobiliário. Em vez de criar divisões físicas, os próprios móveis podem delimitar as funções de cada área. “Um sofá pode marcar o estar, uma mesa pode criar o ponto de encontro, uma poltrona pode trazer acolhimento e uma peça de design pode ser o elemento que conecta tudo”, explica. Essa definição por meio das peças permite que os ambientes permaneçam visualmente conectados, mas continuem cumprindo papéis diferentes. A sala pode ser mais acolhedora, a cozinha mais funcional e a varanda ganhar características próprias, sem que uma área pareça desconectada da outra. Quando sala e varanda são unificadas, a continuidade visual pode ser construída a partir de materiais, texturas, cores e formas. Não é necessário repetir exatamente os mesmos móveis. “Podemos escolher móveis diferentes, mas que tenham uma conversa entre si. Uma textura que se repete, uma tonalidade que aparece nos dois espaços ou materiais que criam uma conexão já são capazes de trazer essa unidade”, afirma Rose. A ideia também vale para a cozinha, que deixou de ser apenas uma área de serviço para assumir cada vez mais protagonismo na casa. Em plantas abertas, elementos funcionais como mesa, cadeiras, banquetas e iluminação passam a fazer parte da composição. Em vez de tentar esconder completamente a cozinha, a proposta é fazer com que ela dialogue com o restante do ambiente. “Uma mesa bonita, cadeiras de presença, banquetas especiais, uma iluminação marcante ou objetos bem escolhidos conseguem trazer sofisticação e fazer com que a cozinha converse naturalmente com a área social”, diz Rose. Diferentes, mas conectados Uma das armadilhas dos ambientes integrados é acreditar que a harmonia depende de repetir cores, revestimentos e móveis. Para Rose, é justamente a mistura que pode tornar o projeto mais interessante. “Uma casa não precisa parecer uma vitrine, com tudo comprado da mesma coleção. Podemos misturar formas, materiais, texturas e estilos e criar uma composição muito mais interessante”. O segredo, segundo ela, está na curadoria. Peças diferentes podem funcionar juntas quando existe uma relação entre elas. Uma cor, um material, uma forma ou mesmo o estilo de uma peça pode servir como fio condutor entre os ambientes. Em apartamentos menores, esse cuidado se torna ainda mais importante. Como há menos espaço disponível, cada escolha interfere na circulação e na percepção do ambiente. A recomendação é priorizar peças proporcionais ao tamanho do espaço, evitando o excesso de elementos. “Menos peças, mas peças melhores e escolhidas com intenção”, resume Rose. Um sofá adequado, uma mesa bem dimensionada e uma cadeira ou poltrona de visual mais leve podem garantir conforto sem sobrecarregar a composição. “Não acredito que um ambiente pequeno precise abrir mão de conforto, design ou personalidade”. Mais do que seguir uma fórmula pronta, a proposta é entender as necessidades de quem vive na casa. Afinal, um ambiente integrado pode ser contemporâneo e sofisticado sem perder a sensação de acolhimento. Para Rose, o mobiliário tem justamente esse papel de transformar o espaço e ajudar a construir uma atmosfera. “Não existe uma fórmula única para uma casa bonita. Existe aquilo que faz sentido para quem vive nela”. O que evitar Escolher peça por peça: um sofá, uma mesa ou uma poltrona podem ser bonitos individualmente, mas precisam conversar com o restante da composição; Preencher todos os espaços: o vazio também tem função. Deixar áreas livres ajuda na circulação e valoriza as peças que merecem destaque; Exagerar na padronização: ambientes integrados não precisam ter os mesmos móveis ou exatamente as mesmas cores. Diferentes personalidades podem coexistir quando existe harmonia; Ignorar as proporções: principalmente em apartamentos pequenos, móveis grandes demais podem comprometer a circulação e deixar o espaço visualmente pesado; Pensar apenas na estética: conforto e funcionalidade precisam caminhar junto com o design. O ambiente deve ser bonito, mas também fazer sentido para a rotina dos moradores.