A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele (Adobe Stock) Ar seco, banhos muito quentes e ressecamento favorecem o aparecimento ou agravamento das crises. A dermatologista Roseli Andrade explica como identificar os sintomas, prevenir e tratar a doença. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é dermatite atópica e quais são os sintomas? A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, relacionada a uma alteração da barreira de proteção cutânea e a uma predisposição genética. Os principais sintomas são coceira intensa, vermelhidão, ressecamento e, em alguns casos, pequenas feridas causadas pelo ato de coçar. Por que os casos de dermatite costumam aumentar durante o inverno? No inverno, o ar fica mais seco e as pessoas costumam tomar banhos mais quentes e demorados. Isso retira a camada natural de proteção da pele, favorecendo o ressecamento e o surgimento ou agravamento das crises. Quais são os tipos de dermatites mais comuns no inverno? As mais frequentes são a dermatite atópica, já explicada anteriormente, e a dermatite asteatósica, que acomete principalmente pessoas acima dos 50 anos e está relacionada ao ressecamento intenso da pele. Como diferenciar uma pele ressecada de uma dermatite que precisa de tratamento? A pele ressecada costuma melhorar com hidratação. Já a dermatite geralmente provoca muita coceira, vermelhidão, descamação e pode evoluir para pequenas fissuras ou feridas. Quando esses sintomas aparecem ou persistem, é importante procurar avaliação médica. A dermatite atópica pode aparecer pela primeira vez na vida adulta ou é uma doença apenas da infância? Ela é mais comum na infância, mas também pode surgir pela primeira vez na vida adulta. Além disso, algumas pessoas que tiveram a doença quando crianças podem voltar a apresentar sintomas anos depois. Além do ressecamento da pele, fatores emocionais e psicológicos também podem funcionar como gatilhos. Quais hábitos do dia a dia mais prejudicam a barreira de proteção da pele? Banhos muito quentes e demorados, uso excessivo de sabonete, buchas e produtos com álcool em excesso, além do contato direto da pele com tecidos ásperos, como a lã. Outro erro comum é não hidratar a pele diariamente, principalmente no inverno. Quais regiões do corpo costumam ser mais afetadas em crianças, adultos e idosos? Nas crianças pequenas, é comum o comprometimento do rosto, pescoço e das partes externas dos braços e das pernas. Em crianças maiores e adultos, as lesões costumam aparecer nas dobras dos cotovelos, atrás dos joelhos, no pescoço e nas mãos. Nos idosos, além dessas regiões, o ressecamento pode acometer praticamente todo o corpo. O estresse emocional pode desencadear ou piorar as crises? Sim. O estresse não é a causa da doença, mas pode ser um gatilho para desencadear ou intensificar as crises. Existe uma relação muito próxima entre a pele e o sistema nervoso. Por isso, o controle do estresse também faz parte do tratamento. Quais são os principais tratamentos? O tratamento começa com hidratação diária da pele, banhos mornos, uso de roupas leves de algodão, evitando, se possível, carpetes e cortinas de tecido no quarto, além da identificação de alergias alimentares e do controle do estresse psicológico. Quando necessário, utilizam-se medicamentos tópicos para controlar a inflamação e a coceira. Nos casos mais graves, podem ser indicados medicamentos por via oral ou terapias imunobiológicas. Quem nunca teve dermatite pode desenvolvê-la com o passar dos anos? Sim. Embora algumas formas sejam mais comuns na infância, qualquer pessoa pode desenvolver dermatite ao longo da vida. Fatores como predisposição genética, alterações da barreira da pele, contato com substâncias irritantes, clima e até o envelhecimento da pele podem contribuir para o aparecimento da doença.