Seleção de objetos decorativos, além de complementar estilo do projeto, expressa histórias, referências e identidade dos moradores, seguindo a ideia de que menos é mais (Xavier Neto/Divulgação) Um projeto de arquitetura de interiores é constituído por muitas etapas, e entre as fases finais está a definição dos objetos decorativos que irão ornamentar os ambientes da casa. Para muitos, esse momento pode soar como algo menos importante, mas as arquitetas Vanessa Paiva e Claudia Passarini discordam dessa visão. “Uma residência se torna lar quando recebe essa personificação”, avaliam. (veja fotos mais abaixo) Assim, seja em maior ou menor escala, com itens de valores diversos, a decoração dos ambientes acompanha não apenas o estilo do projeto, mas também as características e o modo de vida do morador. Para Vanessa, idealizar a composição do décor revela o interior das pessoas. “Filosoficamente, podemos entender como a expressão interior de quem habita aquele espaço.” Um pouco de história Na etimologia, decorar deriva do verbo latino decoro, que significa “ornar, enfeitar, honrar, dignificar”. Já a palavra “decoração” originou-se na Roma Antiga como decoratione. No entanto, segundo historiadores, a habilidade de selecionar um item ou conjunto para expressar o belo nos espaços remonta ao Egito Antigo. A civilização da época já valorizava a presença de vasos, pinturas e outros elementos que representavam a arte e suas predileções. A decoração dos ambientes acompanha não apenas o estilo do projeto, mas também as características e o modo de vida do morador (Xavier Neto/Divulgação) Contemporâneo Criar uma decoração autêntica não significa, necessariamente, um investimento alto ou seguir tendências em alta. Para as profissionais, o essencial é que cada elemento inserido em um ambiente faça sentido para quem vai viver ali. “Não existe fórmula pronta. O bonito é aquilo que conecta com nosso interior e acrescenta conforto e identidade”, pontua Vanessa. Por isso, elas sempre incentivam os clientes a inserirem objetos afetivos, como lembranças de viagem, obras de arte adquiridas ao longo da vida ou peças herdadas da família. Contudo, alertam que não adianta preencher um espaço com muitos artefatos apenas por serem bonitos. “A não ser que o proprietário do imóvel seja um colecionador — o que justifica o volume de determinados itens. O prazer está em apreciar a estética ou o significado daquilo que figura em cima de uma mesa”, exemplificam. No vasto universo da decoração, Vanessa e Claudia sugerem itens produzidos com materiais naturais como madeira, sementes, pedra, cerâmica, metal e fibras, que oferecem um acervo amplo e rico em possibilidades. “Gostamos de prestigiar o design nacional por meio de artesãos regionais que expressam suas culturas através da arte”, diz Vanessa. Entram também nesse rol os livros decorativos, que podem tanto integrar o acervo pessoal do morador quanto compor mesas de centro ou prateleiras com títulos de arquitetura, fotografia ou culinária. “Além de revelarem as paixões dos moradores, esses livros podem despertar conversas e inspirar quem passa por ali”, afirma Claudia. No décor contemporâneo, cada elemento deve dialogar com o conjunto, respeitando tanto os espaços vazios quanto os preenchidos. O verdadeiro charme está nos detalhes: o encaixe entre texturas, a escolha precisa das cores, a luz que valoriza uma peça ou a memória afetiva que um objeto carrega. Em um mundo saturado de estímulos visuais, o décor contemporâneo propõe pausa, essência e autenticidade. -galeria de fotos (1.463327)