“A prática leva à perfeição. O mais difícil, às vezes, é lidar com os comentários negativos. Sempre vai ter", diz Camila (Diego Nnunes/Divulgação) A goiana Camila Morais, de 27 anos, adotou o nome artístico Camila Pudim em 2013, quando lançou o canal Batom Atrevido no YouTube. Começou falando sobre temas femininos, mas foi com uma paródia da música Bang, de Anitta — em que ensinava a fazer pudim de caneca — que sua trajetória tomou um rumo surpreendente. O vídeo viralizou, foi repostado pela própria cantora e deu origem a uma nova fase: a da artista que transformaria a maquiagem em espetáculo visual. Hoje, com mais de 7,5 milhões de seguidores no Instagram, Camila é referência internacional em maquiagem artística. Suas produções, que misturam performance, efeitos especiais e storytelling, acumulam centenas de milhões de visualizações. Nesta entrevista, ela conta como uma trend indiana impulsionou sua fama global, compartilha os bastidores de seus vídeos mais complexos — como o viral Asoka Makeup — e dá conselhos para quem sonha em viver de criatividade na internet. Sua carreira como influenciadora digital começou com um desafio relativamente simples: fazer um pudim de caneca. Você imaginava que aquele momento, há mais de dez anos, mudaria completamente sua vida? Esse vídeo foi para um concurso, ensinando a fazer pudim com uma paródia da música Bang, da Anitta. Ele explodiu muito — até a própria Anitta repostou! Foi muito especial, mas eu não imaginava que mudaria a minha vida como mudou. Hoje você é referência mundial em maquiagem artística, com produções que viralizam e encantam milhões. Qual foi o momento em que você percebeu que seu conteúdo havia se tornado algo além do entretenimento — uma forma de arte? Acho que percebi por meio da própria ferramenta, que é a maquiagem. Ela permite que você seja quem quiser e isso, para mim, é arte. Muitas pessoas, de vários nichos, usam a maquiagem como forma de expressão, e comigo não é diferente. A maquiagem é um poder nas mãos das pessoas. É uma forma de arte incrível e está presente em outras linguagens também: no teatro, na Sapucaí, em shows e apresentações. É maravilhoso! Quanto tempo costuma levar para criar um vídeo completo, desde a ideia até a postagem? E qual foi a maquiagem mais demorada que você já fez? Leva bastante tempo — na maioria das vezes, dias. A maquiagem mais demorada foi a do challenge de Divertidamente. Tive a ideia de fazer em português e inglês, para alcançar mais público. Envolvia trailer, transformação, transições... E ainda tinha uma publicidade incluída. A gente comprou e mandou fazer figurino, acessórios... Só a preparação levou quase um mês. E a gravação durou de seis a oito dias. Foi a mais trabalhosa até hoje. Camila: “A maquiagem é um poder nas mãos das pessoas. É uma forma de arte incrível e está presente em outras linguagens" (Diego Nnunes/Divulgação) Você tem uma equipe por trás das câmeras ou faz tudo sozinha? Sim, hoje tenho uma equipe! Há um ano, eu contava com meu assessor, meu produtor e meu marido, que edita tudo também. Agora, temos mais uma pessoa que cuida da agenda e ajuda nas gravações. A organização vem do roteiro e da estrutura. Se você tem um bom roteiro, com atenção aos detalhes, facilita muito na hora de gravar e principalmente de editar. Para mim, os três pilares são: roteiro, gravação e edição, sendo o roteiro o mais importante. Sem ele, a gente se perde em tudo. Em 2024, você firmou parcerias com mais de 45 marcas de diferentes segmentos. Como você escolhe com quais empresas colaborar? Há algum critério essencial? Tenho uma agência que cuida de tudo comigo. A gente avalia juntas as campanhas: se vale a pena, o tipo de produção, o que a marca quer comunicar, o que eu posso agregar... Como a maquiagem é muito plural, consigo trabalhar com muitos nichos. Claro que nem todos fazem sentido para mim e aí a gente analisa com calma. É muito gostoso quando uma parceria dá certo e o público abraça a publicidade. O vídeo Asoka Makeup, sobre maquiagem indiana, se tornou um fenômeno global, com mais de 600 milhões de visualizações. Como surgiu essa ideia e como foi lidar com a repercussão gigante? Eu quase não fiz esse vídeo. Estava em dúvida, mas meu marido me incentivou. A primeira versão viralizou com a lace preta, mas eu queria que as pessoas me conhecessem com meu cabelo natural. Refiz o vídeo — e aí sim ele explodiu de vez! Foi surreal ver essa repercussão toda. Seu projeto #HalloweenDaPudim já virou tradição nas redes sociais. Como funciona a criação dos personagens? Quais foram os mais marcantes pra você até hoje? Todo mês, a gente se reúne e estrutura o calendário de conteúdos, com base em datas temáticas, como Halloween, festas juninas, eventos grandes, shows etc. O Halloween, por ser fixo e muito esperado, é planejado com antecedência. Sempre criamos uma narrativa. No ano passado, por exemplo, usamos o Frankenstein como referência. Cada edição é especial para mim. Para quem sonha em viver de conteúdo na internet, especialmente em áreas criativas como a maquiagem artística, qual seria o seu principal conselho? Posso dizer que a prática leva à perfeição. O mais difícil, às vezes, é lidar com os comentários negativos. Sempre vai ter. O ideal é desenvolver um filtro: entender o que, mesmo sendo uma crítica, pode te fazer crescer — e o que não vale a pena absorver. Isso vem com o tempo. O mercado é competitivo, tem muita gente talentosa. Então, além da prática, é importante pensar: “o que eu posso fazer de diferente?”, “o que eu posso entregar além do que já estão entregando?”. É isso que te destaca.