(Caesar Lima/Divulgação) Atriz, diretora, apresentadora e ativista, Danni Suzuki vive um momento de expansão criativa e humanitária, em projetos que conectam emoção, representatividade e impacto social. Você está em uma fase intensa e plural, entre Capoeiras, New Faces e o documentário sobre crianças refugiadas. Como equilibra esses diferentes papéis? Esse equilíbrio tenho que buscar constantemente, me organizando com planilhas, dividindo bem as datas, horários e prioridades. De certa forma, todos os meus projetos têm como base a conexão humana, seja criando histórias na ficção, ampliando vozes na realidade ou oferecendo ferramentas para o despertar humano, tudo se conecta pelo mesmo fio condutor. Então, busco hoje me envolver em projetos que tenham alma, que me emocionem de alguma forma e provoquem reflexão, seja no entretenimento ou na vida real. Isso alimenta meu prazer na hora de realizar, então nenhum se torna pesado. Não tenho interesse em me repetir e nem em fazer as coisas por fazer. Quero estar conectada em obras que expandem, que geram impacto e que toquem as pessoas de verdade. Em Segredos, você interpreta uma mulher que vive entre as aparências e o caos. O que mais te desafiou? Interpretar em outra língua é bastante desafiador, especialmente numa obra que mexe tanto com as emoções. Mas a dor que Naomi carrega em silêncio é algo que pesa. Ela vive num espaço interno de negação e aparente controle, mas no fundo está desmoronando. Entrar nesse lugar exigiu um trabalho de corpo e um esvaziamento completo das minhas emoções pessoais. E isso é algo bem denso. Você foi a primeira brasileira com ascendência asiática a protagonizar um longa-metragem nos cinemas. Como enxerga a importância desse marco para a representatividade e para as novas gerações de artistas com ascendência asiática no Brasil? Esse marco diz muito sobre o quanto fomos apagados. Cresci sem me ver representada, sem personagens que parecessem comigo. Quando protagonizei Segredos, senti que estava abrindo uma porta que deveria ter sido aberta há muito tempo, não só para mim, mas para tantos artistas amarelos no Brasil. Ainda temos muito o que avançar, mas é urgente normalizar esses rostos nas telas, nas narrativas, nas decisões criativas. Representatividade não é tendência, é reparação. Capoeiras une cultura brasileira e alcance internacional. Como foi ver uma expressão tão nossa ganhar espaço global, e o que mais te marcou nas gravações dessa série? Foi emocionante. A capoeira é muito mais do que movimento, é história viva, resistência, ancestralidade em forma de arte. Ver isso no Disney+, com alcance global, me deu uma sensação de honra. Durante as gravações, o que mais me marcou foi a movimentação dos corpos, o respeito pelo tempo de cada um e a energia latente que pairava em cena. A série é um ato de celebração da nossa força cultural. Você também atua nos bastidores como diretora e roteirista. O que o olhar de quem está por trás das câmeras te ensinou sobre atuar e sobre contar histórias de forma mais verdadeira? Aprendi a importância de ter uma comunicação clara com os atores. Direção não é sobre impor, mas sobre revelar o melhor que cada ator traz, o ambiente e a obra. Como atriz, isso me fez olhar o todo com mais generosidade e entender o meu papel dentro da engrenagem da narrativa. Como roteirista, me tornei mais responsável com as mensagens que coloco no mundo. Contar histórias verdadeiras, para mim, envolve compromisso e responsabilidade com a transformação que elas podem gerar. Sua trajetória acadêmica é impressionante: de Desenho Industrial à Neurociência e docência na PUC-RS. Como esse conhecimento influencia sua visão sobre comunicação, influência digital e comportamento humano hoje? Hoje, mais do que nunca, precisamos de responsabilidade na comunicação. A neurociência me ajuda a entender o comportamento das pessoas, porque reagem, processam e se afetam com o que consomem. A influência digital não pode ser só estética, ela precisa gerar consciência. Uso esse conhecimento para construir pontes entre razão e emoção, entre tecnologia e sensibilidade, entre comportamento e propósito. Agora como Apoiadora de Alto Perfil da ACNUR, você amplia ainda mais seu alcance social. Que aprendizados mais te transformaram ao conviver com famílias refugiadas e que mensagem gostaria de deixar sobre empatia e responsabilidade coletiva? Refugiados me mostraram de uma forma muito forte o nosso poder de resiliência e transformação. Muitas vezes, o maior gesto não é o que você traz, mas o quanto você está ali, inteiro, escutando com o coração aberto. Eles me mostraram que a dignidade humana precisa ser defendida todos os dias, não só com discursos, mas com ações. Minha mensagem é simples: empatia não é caridade, é consciência. Um exercício diário que devemos exercer. E responsabilidade coletiva não é um fardo, é uma escolha de humanidade. Você sente falta de fazer novelas, que foi onde você ficou mais conhecida do grande público? Tenho muito carinho por tudo que vivi nas novelas. Foi onde construí minha base, minha conexão com o público, e me orgulho dessa trajetória. Mas sinto que tem um momento da vida que precisa expandir e tenho encontrado outros caminhos onde consigo ter liberdade criativa e escolher com mais profundidade o tipo de história que quero viver e contar. Se surgir uma novela que se adeque ao meu propósito, alma e potência, claro que eu volto. Mas meu caminho agora é mais amplo e mais consciente.