O cuidado com as mamas começa antes de qualquer sintoma, mas não termina na adoção de hábitos saudáveis. No Outubro Rosa, compreender que reduzir o risco de desenvolver câncer e identificar a doença precocemente ajudam a transformar a conscientização em decisões práticas. Alimentação, movimento e atenção ao consumo de álcool são formas de se prevenir. Já o reconhecimento de alterações nas mamas e a realização dos exames de rotina ajudam a diagnosticar tumores de forma precoce. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A dimensão do desafio aparece nas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca): são esperados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais incidente entre as mulheres no País. A doença não tem uma causa única. Idade, histórico familiar, alterações genéticas e fatores hormonais são fatores de risco, assim como o estilo de vida. Isso significa que há medidas capazes de reduzir a probabilidade de adoecer, mas nenhuma delas oferece proteção absoluta. “Alguns fatores de risco podem ser modificados ao longo da vida”, destaca o médico Roberto Yano. Uma das medidas é manter o corpo em atividade. Caminhar, pedalar, dançar e nadar são possibilidades de incorporar movimento ao cotidiano. A prática regular de atividade física está associada à redução do risco de câncer de mama e também contribui para a saúde cardiovascular. “Não é necessário pensar apenas em exercícios de alta intensidade. O mais importante é reduzir o sedentarismo e encontrar formas de movimento que possam ser incorporadas de maneira consistente à rotina”, afirma Yano. O peso corporal também merece atenção, especialmente depois da menopausa, quando o excesso de gordura está associado ao aumento do risco da doença. Manter um peso adequado e adotar alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados fazem parte das medidas de cuidado. Outro fator modificável é o consumo de bebidas alcoólicas. O Inca recomenda evitá-las como uma das estratégias para reduzir o risco de câncer de mama. Assim como a atividade física e o cuidado com a alimentação, essa orientação precisa ultrapassar o calendário das campanhas. Conhecer as próprias mamas permite perceber mudanças que merecem avaliação. Um nódulo persistente, alterações no formato ou no tamanho da mama, retração da pele ou do mamilo e secreção sanguinolenta pelo mamilo estão entre os sinais de alerta. Observar o corpo, porém, não substitui os exames indicados. Também não é preciso esperar a próxima mamografia de rotina para procurar atendimento diante de uma alteração suspeita. Outro ponto: a investigação de sintomas deve ocorrer em qualquer idade. Qualquer idade Essa distinção é fundamental. O rastreamento busca identificar alterações em mulheres sem sinais ou sintomas. Quando há uma mudança percebida, o objetivo passa a ser esclarecer sua causa por meio de avaliação e investigação diagnóstica. A mamografia é a principal estratégia de rastreamento do câncer de mama. Desde setembro de 2025, a recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento populacional no Sistema Único de Saúde (SUS) é realizar o exame a cada dois anos em mulheres de 50 a 74 anos. Essa faixa etária não significa que mulheres mais jovens ou mais velhas estejam impedidas de fazer o exame. O SUS também permite o rastreamento por demanda entre 40 e 49 anos e acima de 74 anos, mediante orientação de um profissional de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos. O histórico individual e familiar precisa entrar na conversa. Mulheres com fatores que indiquem risco elevado, como determinadas alterações genéticas ou um histórico familiar sugestivo de predisposição hereditária, precisam de mais atenção. *Jornalista especialista em saúde clauduarte@uol.com.br