Cris Vianna já desfilou pelo mundo como modelo, brilhou em novelas e séries marcantes (Guilherme Lima/Divulgação) Com mais de duas décadas de carreira, Cris Vianna já desfilou pelo mundo como modelo, brilhou em novelas e séries marcantes, mergulhou na comédia em Família é Tudo, emocionou em papéis intensos como a Maíra, de Arcanjo Renegado, e expandiu horizontes no streaming em produções como A História Delas, Beijo Adolescente e Vicky e a Musa. Também soltou a voz no palco do The Masked Singer Brasil e segue ocupando espaço de destaque no universo fashion, da SPFW à Semana de Moda de Paris. Sua trajetória é atravessada por reinvenções — e, nesta entrevista, a atriz reflete sobre aprendizados, desafios e sonhos que ainda deseja realizar, sempre com a arte como motor de transformação. Você começou sua carreira como modelo muito jovem. De que forma essa experiência influenciou sua visão sobre arte e representatividade? Sim, comecei muito jovem como modelo e viajei bastante, conhecendo culturas, pessoas e modos de viver diferentes. Isso ampliou muito minha visão de mundo e me trouxe uma percepção mais sensível sobre o poder da imagem, da estética e da presença. A moda me ensinou disciplina, me deu segurança com o meu corpo e, de certa forma, foi a minha primeira escola artística. Mais tarde, quando comecei a atuar, percebi o quanto essa vivência me ajudava a construir personagens e a entender o impacto que temos enquanto figuras públicas. Depois de tantos papéis marcantes na TV, o que significou se aventurar na comédia com a personagem Lulu Mancini em Família é Tudo? Mergulhar no universo da comédia foi um respiro e também um grande desafio. A comédia tem um tempo muito específico, exige uma escuta muito apurada, e tudo isso foi um exercício de presença e generosidade em cena. Lulu era uma mulher vaidosa, divertida, cheia de nuances e me permitiu brincar mais, ousar. Em Arcanjo Renegado, você interpreta uma mulher negra em um cargo de poder inédito na ficção. Que impacto teve na sua trajetória pessoal e profissional? Interpretar a Maíra, que chegou à presidência da Assembleia Legislativa do Rio, é sem dúvida um marco na minha carreira. Pela complexidade da personagem, pela força da trama e, principalmente, pela representatividade. Ela é uma mulher negra em posição de comando, tomando decisões, enfrentando estruturas. Isso tem um impacto simbólico enorme, porque por muito tempo não vimos mulheres como ela na dramaturgia brasileira. Me emociona quando mulheres vêm falar comigo dizendo que se sentem vistas. Esse é o poder da arte. É isso que me move. Você tem se destacado também no streaming, com papéis em Beijo Adolescente, A História Delas e Vicky e a Musa. Que leitura faz desse novo momento? O streaming abriu outras portas e formas de contar histórias. Há mais liberdade, mais diversidade de temas, linguagens e formatos. É um espaço onde cabe mais experimentação e, principalmente, onde surgem novas vozes e narrativas. Eu me sinto muito feliz de fazer parte dessa fase, interpretando personagens que talvez não existissem em outro momento. A dramaturgia brasileira está vivendo um momento de transição e efervescência, e é muito bom poder estar em movimento com ela. No cinema, você viveu personagens intensos e diversos. Qual papel mais a desafiou até agora nas telonas? Olhando para os personagens que vivi até aqui, é difícil destacar um só marco, porque acredito que todas tiveram importância na minha trajetória. Interpretei muitas mulheres incríveis, como a Maíra da série Arcanjo Renegado (Globoplay), a Marisa de Última Parada 174, a Dagmar de Fina Estampa, a Marta de A História Delas, a Julinha de Império, só para citar algumas. Falando da mais recente, a Maíra tem um significado especial: ela me fez acessar emoções profundas, pensar sobre as estruturas de poder e refletir sobre o quanto é simbólico ver uma mulher como ela ocupando esse lugar. Além de atriz, você é cantora e já participou do The Masked Singer Brasil. A música ainda ocupa espaço na sua vida artística? A música é uma paixão que nunca me deixou. Ela está presente no meu cotidiano, nos bastidores, nos momentos de criação, nas pausas. Participar do The Masked Singer foi uma experiência deliciosa, que me reconectou com essa parte mais lúdica e emocional da arte. Eu tenho, sim, vontade de retomar projetos ligados à música, um desejo que estou nutrindo com carinho. Sua estreia na Semana de Moda de Paris e sua presença na SPFW mostram sua força também no universo fashion. Que papel a moda tem na sua expressão e identidade? A moda sempre foi uma linguagem para mim. Desde a época de modelo até hoje, ela me permite dizer quem eu sou sem precisar falar. É sobre presença, escolha, identidade. Poder estar presente na Semana de Moda de Paris e na SPFW, como atriz e como mulher negra, é muito significativo. É ocupar com orgulho um espaço onde, por muito tempo, fomos invisibilizadas. E eu gosto de pensar que cada look, cada aparição, também carrega uma mensagem de afirmação. Com mais de 20 anos de carreira e tantos projetos no horizonte, o que ainda a move e inspira na arte? Há algum sonho artístico que ainda deseja realizar? O que me move é a possibilidade de transformação. A arte tem o poder de abrir consciências, curar feridas e provocar reflexões, e isso me inspira todos os dias. Eu ainda tenho muitos sonhos: dirigir, escrever, continuar me desafiando e saindo da zona de conforto. Mas, acima de tudo, quero seguir contando histórias que importam, porque quando a gente se vê na tela, no palco ou na música, entende que pode ocupar o mundo de outras formas.