(Adobe Stock) O consumo de livros impressos e digitais avançou no Brasil em 2025 e alcançou 18% da população com 18 anos ou mais, o que representa cerca de 3 milhões de novos compradores em relação ao ano anterior. Os dados são da pesquisa Panorama do Consumo de Livros, da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Além do crescimento, o estudo aponta mudanças no perfil dos leitores no país. Pessoas pretas e pardas representam, juntas, 49% dos consumidores de livros. Entre as mulheres, pretas e pardas concentram 30% do total e correspondem à metade das consumidoras. Dentro desse grupo, mulheres pretas e pardas de renda média formam o maior contingente. “O crescimento de 3 milhões de novos consumidores em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro”, afirma Sevani Matos, presidente da CBL. O levantamento indica que as mulheres são maioria entre os leitores: 61% do total, contra 39% de homens. Em termos proporcionais, 21% das mulheres compraram livros nos últimos 12 meses, frente a 14% dos homens. O avanço foi mais intenso entre os mais jovens. As faixas de 18 a 34 anos cresceram, juntas, 3,4 pontos percentuais, com destaque para o grupo de 25 a 34 anos, que concentra uma das maiores participações no consumo. “Enquanto em 2024, 16% da população brasileira era consumidora de livro, em 2025 passamos para 18%. Isso representa um aumento de dois pontos percentuais e a entrada de 3 milhões de novos consumidores no mercado”, ressalta Mariana Bueno, coordenadora de pesquisas econômicas e setoriais da Nielsen BookData. O estudo também mostra diferenças regionais. O Sudeste reúne a maior parcela de consumidores de livros no país, seguido pelo Nordeste. As duas regiões também lideram entre os compradores que utilizam redes sociais como canal de compra, concentrando 38% e 31% desse público, respectivamente. “Para ser considerado um consumidor de livro, a pessoa precisa ter comprado ao menos um exemplar nos últimos 12 meses. Sabemos que o livro tem um apelo — muitas pessoas se sentem mais inteligentes ao falar sobre leitura —, mas nem sempre sabem exatamente por que estão respondendo à pesquisa”, explica Mariana. Concorrência Apesar do crescimento, os livros ainda ficam atrás de outras categorias de consumo. Roupas lideram (55%), seguidas por celulares (27%) e ingressos de cinema (21%). Os livros aparecem com 18%, indicando espaço para expansão dentro do consumo cultural. De fora Mesmo com o aumento no número de compradores, a maioria dos brasileiros não adquiriu livros no período analisado. Entre os que não compram, os principais motivos são falta de interesse pela leitura, preferência por outras formas de entretenimento e questões relacionadas ao custo. O estudo também aponta barreiras ligadas ao hábito: parte dos entrevistados afirma não ter o costume de ler ou não encontrar títulos que despertem interesse. Os dados mostram ainda que o distanciamento do consumo de livros não está ligado a um único fator, mas a uma combinação de acesso, repertório e engajamento. Metodologia A pesquisa ouviu 16 mil pessoas com 18 anos ou mais, em todas as regiões do país e de diferentes perfis socioeconômicos. O levantamento foi realizado entre 13 e 19 de outubro de 2025, com margem de erro de 0,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Ambiente digital é o principal ponto de compras O comportamento de compra de livros é dividido entre canais. Na última aquisição de livro impresso, 53% dos consumidores compraram on-line e 47% presencialmente. Mesmo com o avanço digital, as livrarias mantêm relevância simbólica e prática: 53% dos consumidores as veem como espaços para relaxar e explorar, enquanto 46% associam o ambiente à conexão com cultura e conhecimento. Para a Câmara Brasileira do Livro (CBL), o cenário reforça o papel do livro como experiência cultural e aponta a necessidade de fortalecer políticas de acesso e incentivo à leitura. O interesse por lançamentos também é significativo: 70% dos consumidores afirmam acompanhar novidades. Os principais canais de descoberta são sites de compras (34%), indicações de pessoas próximas (30%), livrarias (24%) e criadores de conteúdo (22%). Entre os gêneros, a ficção — especialmente títulos voltados ao público jovem adulto — teve papel relevante no crescimento do consumo, em sintonia com o avanço das comunidades digitais de leitura. Em 2025, O Segredo Final, de Dan Brown, foi o livro de ficção mais vendido do país. Os livros de colorir também se destacaram: 7,1% da população adulta, cerca de 11 milhões de pessoas, compraram ao menos um exemplar em 2025, o que representa 40% dos consumidores de livros. Nessa categoria, Do Dia para a Noite, de Bobbie Goods, liderou as vendas no Brasil. “A gente sabe que o livro de colorir tem um peso grande aqui, mas também sabemos, pelos dados do varejo, que a categoria de ficção segue impulsionando esse crescimento, muito puxada pelo segmento chamado young adult”, afirma Mariana.