Whistler foi palco das competições de esqui dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010 (Adobe Stock) A pouco mais de 120 quilômetros de Vancouver, com acesso por uma estrada panorâmica que cruza montanhas e florestas densas, está Whistler, uma das cidades mais charmosas e completas do Canadá. Palco das competições de esqui dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, disputados em Vancouver, ela atrai turistas o ano inteiro — seja para encarar as pistas nevadas, ir aos picos com vistas cinematográficas ou até encontrar ursos em safáris guiados. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A viagem já começa com um espetáculo: o trajeto entre Vancouver e Whistler, feito pela Rodovia Sea to Sky, é daqueles que merecem paradas no meio do caminho só para contemplar. Dirigir por ali foi uma das experiências mais marcantes que tive no Canadá. A estrada é excelente, segura e cercada por uma natureza impressionante. Ao chegar, Whistler surpreende pela organização e beleza. A cidade lembra muito as vilas suíças da região de Interlaken, com arquitetura alpina, ruas limpas e repletas de lojas e restaurantes. No inverno, as pistas de esqui ganham vida com atletas e amadores do mundo todo. No verão, trilhas, tirolesas e aventuras ao ar livre tomam conta do cenário. Uma das atrações mais emblemáticas da cidade é o Peak 2 Peak Gondola, um teleférico suspenso entre duas montanhas — Whistler e Blackcomb — que oferece uma das vistas mais espetaculares do país. Lá do alto, é possível enxergar glaciares, lagos cristalinos e o vale inteiro. O ingresso para subir custa 89 dólares canadenses (R\$ 350) por adulto, mas vale cada centavo. Outro destaque são os safáris para avistamento de ursos, experiência que tive a oportunidade de fazer e recomendo com ressalvas. Apesar do preço elevado — cerca de 190 dólares canadenses (R\$ 750) por pessoa — o passeio oferece a chance de ver ursos negros selvagens em seu habitat natural. Durante o trajeto, em veículos com teto aberto, acompanhados por guias experientes, avistamos ao menos cinco ursos, alguns bem próximos ao carro. Os guias se comunicam por rádio para informar os locais onde os animais estão sendo vistos, o que aumenta bastante as chances de avistamento. Curiosamente, antes mesmo do passeio oficial, tivemos encontros inesperados com ursos às margens da estrada, nos arredores da cidade. Um lembrete de que estamos em um território onde a vida selvagem é protagonista — e o respeito às regras de segurança é essencial. Em nenhum momento é permitido sair do carro ou tentar se aproximar dos animais. Não sei se os encontros foram pura sorte ou são algo comum para os canadenses. Por isso a ressalva. Se soubesse que esses encontros “gratuitos” seriam possíveis, não teria feito o passeio, já que dá praticamente na mesma. Além disso, Whistler mantém algumas das estruturas olímpicas utilizadas em 2010, como a área do salto de esqui, que pode ser visitada por turistas e, curiosamente, se tornou um local onde os ursos gostam de pegar um sol. A cidade é uma oportunidade de caminhar por locais históricos e ainda conhecer mais sobre os bastidores dos Jogos de Inverno. Whistler é um destino que combina sofisticação, adrenalina e natureza. Com atrações para todos os gostos e uma atmosfera que mescla esportes, tranquilidade e charme europeu, é o tipo de lugar que fica na memória — e no coração — de quem visita. Sucesso Os primeiros colonos passaram a habitar a área de Whistler na década de 1880. A cidade tentou sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 1968, mas não conseguiu. O sonho olímpico se tornou realidade em 2010. Atualmente, conta com cerca de 14 mil moradores, mas chega a receber mais de 3 milhões de turistas todos os anos. Veja fotos -Whistler (1.465629)