Visitar Pequim é, acima de tudo, mergulhar na história da China (Adobe Stock) Chegar a Pequim foi diferente de qualquer outra experiência na China. Se Hong Kong impressiona pela intensidade e Xangai pelo futurismo, em Pequim a sensação é imediata: você está entrando em uma cidade que carrega o peso da história política do país. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na primeira noite, participei de uma experiência gastronômica que me transportou aos tempos das dinastias Han, Ming e Tang. O jantar aconteceu em um museu que preserva a riqueza da arquitetura tradicional chinesa, enquanto telões de alta definição compunham o cenário com apresentações de dança e cerimônias típicas. Foi uma noite cuidadosamente construída — e, sem dúvida, memorável. No dia seguinte, comecei por um dos maiores símbolos da China: a Cidade Proibida. Entrar naquele complexo é como atravessar séculos de história. Durante quase 500 anos, foi a residência dos imperadores e o centro do poder chinês. Os pavilhões, pátios e portões seguem uma lógica rígida de hierarquia e simbolismo. Caminhar por ali exige tempo — e atenção aos detalhes. Cada construção tem um significado, cada espaço cumpre uma função. Na sequência, visitei o Templo do Céu, um dos locais mais emblemáticos da capital. A arquitetura circular, os tons intensos de azul e a simetria perfeita não são apenas elementos estéticos — tudo ali foi concebido com significado. Era nesse espaço que os imperadores das dinastias Ming e Qing realizavam rituais para pedir boas colheitas. Da contemplação, o contraste é imediato ao chegar à Praça Tiananmen, conhecida como Praça da Paz Celestial. A escala é difícil de compreender até estar ali. Trata-se da maior praça pública do mundo, palco de alguns dos momentos mais marcantes da história contemporânea chinesa. O espaço é amplo, imponente e carrega uma atmosfera que mistura respeito, curiosidade e reflexão. Encerrar o dia em uma casa de chá trouxe um fechamento simbólico. Experimentar diferentes variedades, compreender os rituais e perceber o valor cultural do chá na China foi uma forma de desacelerar após um dia tão intenso. Mas Pequim também sabe surpreender com entretenimento em escala grandiosa. Dedicar um dia à Universal Studios Beijing foi mergulhar em um universo completamente diferente. O parque impressiona não apenas pelo tamanho — é o maior da Universal no mundo —, mas pelo nível de tecnologia e imersão. A área dos Minions é extremamente divertida, a de Transformers futurista, e a Kung Fu Panda Land, exclusiva da China, mostra como o parque se adapta ao público local sem perder o padrão internacional. À noite, caminhei pela rua de pedestres Wangfujing, que mistura comércio moderno, grandes marcas ocidentais e restaurantes tradicionais. É ali que o famoso pato laqueado ganha protagonismo. Em meio ao movimento, algo curioso chamou atenção: o que parecia ser um totem de informações de transporte revelou-se uma cervejaria self-service, com mais de 20 tipos disponíveis e informações detalhadas sobre cada uma. Foi um daqueles momentos em que a barreira do idioma se transforma em surpresa. Ainda assim, nada se compara à visita à Grande Muralha da China. É uma experiência difícil de traduzir em palavras. Caminhar por aquela estrutura, que atravessa montanhas e parece não ter fim, é compreender a dimensão da história chinesa. A subida exige esforço, mas cada passo compensa. A sensação é de estar diante de algo muito maior do que qualquer expectativa. À tarde, o roteiro seguiu para o Palácio de Verão, um refúgio imperial que contrasta completamente com a rigidez da Cidade Proibida. Ali, tudo é mais leve. Lagos, pontes, jardins e pavilhões criam um ambiente pensado para descanso e contemplação. É fácil entender por que a família imperial escolhia esse local para escapar do calor e da formalidade da corte. Visitar Pequim é, acima de tudo, mergulhar na história. Um destino que não impressiona apenas pelo que mostra — mas, principalmente, pelo que representa.