(Rômulo Fialdini/Divulgação) Com a intensificação da busca por ambientes mais acolhedores e sensoriais, o marrom volta ao foco do design de interiores na arquitetura contemporânea. Para quem vê a casa como um refúgio e ambiente para desaceleração, permanência e conexão, os tons terrosos ajudam a construir atmosferas mais quentes e envolventes, capazes de despertar conforto de forma quase imediata. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a arquiteta Denise Barretto, esse movimento está diretamente ligado a uma busca por autenticidade. “Existe um desejo crescente por ambientes que transmitam verdade, que não sejam excessivamente montados. Os tons de marrom contribuem para isso porque carregam uma sensação de naturalidade muito forte”. De acordo com a especialista, a versatilidade da paleta terrosa permite que ela se adapte a diferentes linguagens — do clássico ao contemporâneo, do urbano ao rústico — sempre com uma base elegante e atemporal. “É uma cor que acolhe e, ao mesmo tempo, estrutura o projeto. Ela pode aparecer de forma sutil ou mais marcante, dependendo da proposta”, completa. A ascensão do chamado quiet luxury (luxo silencioso) reforça esse olhar mais contido e duradouro sobre o design. Em vez de apostar em elementos chamativos ou tendências passageiras, a proposta está em valorizar materiais de qualidade, acabamentos bem executados e escolhas que resistem ao tempo. Nessa lógica, os tons de marrom funcionam como um elo entre sofisticação e discrição. Eles não competem visualmente, mas constroem uma base sólida sobre a qual o restante do projeto se desenvolve. Em muitos casos, substituem o cinza e o branco absoluto, proporcionando mais calor sem perder a elegância. Denise observa que esse tipo de abordagem exige sensibilidade na composição. “Quando você trabalha com uma paleta mais contida, cada escolha ganha mais peso. A textura, a iluminação, o acabamento — tudo precisa estar em harmonia. O marrom ajuda justamente a criar essa unidade”. Tapete off-white atua como contraponto para tons escuros de projeto (Raphael Briest/Divulgação) Estética orgânica A presença dos tons terrosos também está diretamente relacionada à consolidação da estética orgânica na arquitetura e no design de interiores. Mais do que uma tendência visual, trata-se de uma abordagem que busca reconectar o ambiente construído com referências naturais, tanto na escolha de materiais quanto nas sensações que o espaço provoca. Nesse cenário, o marrom aparece como uma extensão da paisagem — evocando terra, madeira, fibras e elementos brutos. A conexão contribui para ambientes mais equilibrados e acolhedores, com visual e sensorial caminhando juntos. “Quando trazemos essas referências para dentro de casa, constituímos espaços mais humanos. É uma arquitetura que acolhe não só visualmente, mas também emocionalmente”, destaca. Tradição reinventada Entre as principais formas de incorporar os tons de marrom nos projetos, a madeira — em suas versões naturais ou reinterpretadas — segue como protagonista. Presente em pisos, painéis, marcenaria e mobiliário, ela contribui para aquecer os ambientes e adicionar camadas de textura. Ao mesmo tempo, os acabamentos amadeirados ampliam as possibilidades de aplicação, oferecendo soluções versáteis e compatíveis com diferentes necessidades do dia a dia. “Hoje conseguimos trabalhar com materiais que reproduzem a estética da madeira com muita fidelidade, explorando veios, nuances e padrões que enriquecem o projeto”, comenta Denise. A combinação entre tradição e inovação permite que o uso do marrom se atualize constantemente, dialogando com diferentes estilos sem perder sua essência. Na imagem à esquerda: marrom envolve este espaço por todos os lados, com novas camadas e texturas, mesmo com uso de uma só cor. Na imagem à direita: sala de jantar ganha toque rústico com utilização de madeira de demolição como tampo da mesa (Rômulo Fialdini/Divulgação) Nuances e contrastes Outro aspecto primordial está na maneira como os tons de marrom são combinados entre si. Longe de composições monótonas, a paleta permite explorar contrastes sutis e sobreposições que promovem profundidade visual. Dos tons mais claros, como bege e fendi, aos mais intensos, como chocolate e café, a variação contribui para ambientes mais dinâmicos, ainda que dentro de uma mesma família cromática. “O equilíbrio é fundamental. Alinhar diferentes tonalidades dentro do marrom traz riqueza sem pesar”, afirma a arquiteta. Ademais, a cor se relaciona com facilidade com outros materiais como pedras naturais, metais de acabamento fosco e tecidos de fibras naturais, ampliando as possibilidades de composição. Comportamento Mais do que uma escolha estética, a valorização dos tons de marrom reflete uma mudança de comportamento. Em um cenário em que o excesso perde espaço para o essencial, a arquitetura passa a priorizar experiências mais autênticas, duradouras e conectadas ao bem-estar. “Não se trata apenas de cor, mas da sensação que o espaço transmite. O marrom tem essa capacidade de tornar os ambientes mais acolhedores e atemporais, sem depender de tendências passageiras”, resume a arquiteta Denise Barretto.