Oniomania é o nome do distúrbio caracterizado pela necessidade descontrolada de fazer compras (Imagem ilustrativa/Pixabay) Você não pode ouvir falar em lançamentos, promoções e compras em geral? Então, o momento é de tentar ao máximo manter o controle, diante do mês mais promocional do ano. A compulsão por compras, também conhecida como oniomania ou transtorno do comprar compulsivo (TCC), afeta de 2% a 8% da população, sendo mais prevalente em mulheres (entre 80% e 94% dos casos), de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O psicólogo da Telavita Márlon de Souza, especialista em reabilitação e neuropsicologia, alerta para os gatilhos que intensificam esse comportamento. Segundo o especialista, as promoções criam o cenário ideal para que os impulsos de compra se intensifiquem, levando muitos consumidores a cederem ao famoso “medo de perder" uma oportunidade aparentemente única. “A boa oportunidade de compra é a que você adquire o que precisa e cuja compra foi precedida de uma pesquisa de preço, garantias e prazos de entrega. Por outro lado, a compra impulsiva não se enquadra nessas características. Muitas vezes, uma rápida pesquisa no Google pode resultar em uma economia de mais de 10%”, explica o especialista. A compra impulsiva pode gerar consequências psicológicas negativas a longo prazo, como sentimento de culpa, arrependimento e falta de controle sobre as próprias ações. Segundo o psicólogo, esses sentimentos podem evoluir para a baixa autoestima, uma vez que as pessoas passam a se considerar incapazes de gerenciar seus impulsos, o que pode impactar seriamente no bem-estar emocional e visão de futuro. “Sentimento de culpa, fracasso, arrependimento, falta de controle sobre os próprios comportamentos, tristeza e raiva de si mesmo são as consequências mais comuns observadas em pessoas que sofrem com compras impulsivas”, ressalta o psicólogo. Para evitar, ele recomenda que a pessoa escreva o que está pensando e sentindo antes de realizar a compra, avaliando a intensidade da emoção em uma escala de 1 a 5. “Em seguida, vale questionar o motivo da compra tantas vezes quanto a pontuação atribuída, confrontando as possíveis consequências negativas. Por exemplo, se a pessoa atribuiu nota 5 à alegria, deve responder cinco vezes por que deseja fazer a compra. Essa estratégia pode ajudar a tornar a compra mais racionalizada”, orienta Márlon. Para aqueles que desejam reduzir o consumo impulsivo, o psicólogo compartilha algumas dicas. A primeira delas é aceitar ajuda, reconhecendo a necessidade de apoio para o controle de seus impulsos. A segunda dica é encontrar outras fontes de felicidade, priorizando atividades que lhe oferecem bem-estar, além do consumo excessivo. A terceira é visualizar metas de médio prazo, pensando em algo maior, que pode realizar caso resista ao impulso. Deve-se considerar, também, o impacto da compra nas pessoas ao seu redor, compreendendo como seu consumo afeta familiares e amigos. Por fim, recomenda-se investir em autoconhecimento, buscando entender o que desencadeia suas compras impulsivas, e fazer um planejamento financeiro, ferramenta eficaz para evitar privações de lazer e estabelecer limites saudáveis para os gastos. “Desenvolver autoconhecimento é essencial. É importante entender como a história de vida e o ambiente influenciam suas emoções. Em seguida, é importante trabalhar continuamente para confrontar os pensamentos que antecedem as compras, de modo que, em períodos como a Black Friday, por exemplo, esses pensamentos confrontadores estejam mais ativos e ajudem a evitar compras impulsivas. A terapia que desenvolve o autoconhecimento, permite que a pessoa compreenda, por meio da sua história de vida e o que a levou a agir assim. É algo muito eficaz. Desta forma, o paciente pode desenvolver estratégias de autorregu-lação emocional e buscar outras fontes de prazer sustentáveis, promovendo um ‘hedonismo responsável’. Claudia Duarte é jornalista especialista em saúde