Imunomoduladores são mais uma alternativa para fortalecer o sistema imunológico, ajudando a prevenir infecções (Adobe Stock) A chegada do outono marca também o começo das preocupações com a saúde respiratória, principalmente das crianças. Isso porque o ar mais seco e os termômetros em queda podem prejudicar o desempenho das defesas naturais do organismo. Nas crianças, a convivência com outros meninos e meninas no ambiente escolar pode aumentar ainda mais o risco de infecções. Fortalecer o sistema imune é fundamental. Hábitos saudáveis como alimentação equilibrada - rica em frutas e vegetais -, hidratação adequada, sono regular e higiene são essenciais para potencializar o sistema de defesa do corpo. Essas práticas combinadas ajudam a preparar o organismo das crianças para uma rotina com mais saúde e menos interrupções. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O uso de imunomoduladores também pode ser uma estratégia recomendada por profissionais de saúde para assegurar que o organismo dos pequenos esteja pronto para enfrentar a maior exposição a agentes infecciosos. Formulados a partir de fragmentos bacterianos inativados, esses medicamentos estimulam a produção de anticorpos e células de defesa, treinando o organismo para reagir de forma mais eficaz a futuras infecções. Dessa forma, são importantes aliados na prevenção de doenças respiratórias recorrentes, como sinusites, amidalites, otites e bronquites. O uso de imunomoduladores permite uma ativação preventiva do sistema imunológico. Eles atuam nas células apresentadoras de antígenos, que identificam e reagem a agentes invasores, ajudando a reduzir a gravidade e a frequência das infecções respiratórias”, explica Ana Paula Castro, especialista em alergia e imunologia e doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP. “O tratamento com imunomoduladores é realizado em ciclos de aproximadamente três meses. Trata-se de uma mescla de antígenos bacterianos obtidos por liofilização (processo nobre de desidratação) e lise (destruição de células) química ou mecânica de bilhões de bactérias ou cadeias de referência bacteriana cultivadas in vitro, como o Staphylococcus aureus, Streptococcus viridans, Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes, Klebsiella pneumoniae, Klebsiella ozenae, Moraxella catarrhalis, Haemophylous influenzae”. Resumindo, imunomoduladores são substâncias que ativam ou regulam o sistema imunológico e que podem ser encontrados em alimentos, medicamentos ou suplementos. O lisado bacteriano, por exemplo, é um medicamento da categoria dos imunomoduladores. Eles estimulam células e citocinas do sistema imune. Os seus ativos são bactérias que perdem a patogenicidade ao serem quebradas em pequenos pedaços (lisadas), mas mantêm o potencial de estimular o sistema imune, auxiliando e prevenindo processos infecciosos nos pulmões, garganta, seios da face e ouvidos de infecções resistentes aos antibióticos convencionais e de complicações bacterianas decorrentes de infecções virais do trato respiratório, especialmente na criança e no idoso. Ele estimula o sistema imunológico e fortalece a resistência às infecções do sistema respiratório, reduzindo o risco de recidivas. Mas atenção! Esses medicamentos são vendidos sob prescrição médica. E, ao contrário dos antibióticos, que atuam no combate direto às infecções, os imunomoduladores preparam o organismo para agir preventivamente, reduzindo a incidência de infecções e até mesmo evitando o uso de antibióticos — um desafio crescente na saúde pública. A médica Ana Paula Castro ainda destaca a importância do uso consciente de antibióticos em crianças, frequentemente prescritos para tratar infecções comuns. “Cerca de 75% das prescrições de antibióticos são destinadas a crianças, muitas vezes por infecções recorrentes. O uso prolongado pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana, tornando o tratamento de infecções futuras mais difícil. É essencial que antibióticos sejam prescritos e utilizados de forma responsável”, reforça.