Em grandes panos de vidro, a espessura e a composição devem ser definidas conforme normas técnicas, levando em conta cargas de vento (JP Image/Divulgação) As esquadrias não são apenas elementos estéticos dentro de um projeto arquitetônico. Elas exercem impacto direto no conforto térmico, na iluminação natural, na acústica e até na conservação da edificação. Em um cenário de arquitetura contemporânea, marcado por grandes aberturas envidraçadas e integração entre ambientes internos e externos, a escolha correta desses elementos se torna ainda mais essencial. Antes restritas a vãos menores e soluções mais compartimentadas, as esquadrias passaram por uma transformação significativa nas últimas décadas, ganhando protagonismo em projetos residenciais e comerciais. Hoje, grandes panos de vidro são cada vez mais comuns em varandas, fachadas e áreas sociais. Segundo o arquiteto Alexandre Pasquotto, essa mudança acompanha um novo modo de viver. “Os modelos de vidro acompanham uma mudança importante no modo de vida dentro de casa. Esse caminho também favorece a entrada de luz natural e ventilação cruzada, que são benéficas para o meio ambiente e o bem-estar dos moradores”. Para a arquiteta Mariana Meneghisso, o impacto vai além da funcionalidade. “O vidro deixa os ambientes mais leves, sofisticados e muito mais conectados com a paisagem do entorno. Mesmo em apartamentos menores, uma pequena abertura faz o espaço respirar melhor e propicia a sensação de liberdade dentro do imóvel”. Conforto térmico Uma das principais dúvidas em relação às grandes superfícies envidraçadas é o aquecimento dos ambientes. A preocupação com o calor excessivo, especialmente em horários de maior incidência solar, depende diretamente do projeto arquitetônico. De acordo com o arquiteto, o problema não está no vidro em si, mas na forma como ele é especificado. Quando não há estudo adequado de ventilação e proteção solar, o ambiente pode superaquecer ao longo do dia. Para equilibrar conforto térmico e iluminação natural, os profissionais destacam o uso de soluções como brises, beirais e recuos, que ajudam a controlar a incidência solar sem comprometer a entrada de luz. Além disso, tecnologias como vidros com controle solar, películas especiais e sistemas insulados contribuem para melhorar o desempenho térmico das esquadrias. “A gente consegue filtrar o excesso de calor sem perder a sensação de amplitude e conexão com o exterior”, reforça a arquiteta. A serralheria metálica é bastante valorizada em projetos de linguagem contemporânea e industrial (JP Image/Divulgação) Materiais: qual escolher? A escolha do material das esquadrias é um dos pontos mais importantes do projeto, já que cada opção apresenta vantagens e limitações específicas em termos de estética, durabilidade e manutenção. O alumínio é atualmente um dos materiais mais utilizados, por reunir resistência, versatilidade e baixa necessidade de manutenção. Ele é especialmente indicado para áreas sujeitas à umidade e variações climáticas, além de permitir grandes vãos com bom desempenho estrutural. Quando recebe pintura eletrostática ou anodização, apresenta excelente durabilidade. A serralheria metálica é bastante valorizada em projetos de linguagem contemporânea e industrial, permitindo perfis mais finos e um visual mais leve. No entanto, exige manutenção frequente para evitar oxidação ao longo do tempo. A madeira mantém forte apelo estético e sensorial, sendo associada a conforto e sofisticação. Apesar disso, requer cuidados constantes e tratamentos específicos para resistir às intempéries. Já o PVC tem ganhado espaço por seu alto desempenho térmico e acústico, sendo uma alternativa eficiente especialmente em regiões de clima extremo ou áreas urbanas com alto nível de ruído. Além da durabilidade e baixa manutenção, também pode receber acabamentos que simulam madeira. Cores e desempenho A escolha da cor das esquadrias também influencia o resultado final do projeto. Tons como preto, grafite, bronze, champanhe e acabamentos amadeirados estão entre os mais utilizados atualmente. Segundo os profissionais, além do aspecto estético, a cor interfere diretamente no comportamento térmico do material. Tons mais escuros tendem a absorver mais calor, o que pode impactar a dilatação dos perfis e o conforto interno, dependendo da incidência solar. Por isso, a definição deve considerar fatores como orientação solar, exposição ao calor e linguagem arquitetônica do projeto. As esquadrias funcionam como molduras da paisagem. Vidro ideal A escolha do vidro adequado depende de diversos fatores, como dimensões do vão, altura de instalação, incidência de vento, localização do imóvel e nível de ruído externo. Em grandes panos de vidro, a espessura e a composição devem ser definidas conforme normas técnicas, levando em conta cargas de vento, sistema de fixação e condições de uso. Em áreas com risco de impacto ou circulação intensa, o uso de vidros de segurança, como laminados ou temperados, é essencial. Além da segurança, o desempenho termoacústico também influencia a especificação. Em áreas urbanas ou fachadas expostas ao sol, é comum o uso de vidros duplos ou soluções com controle solar. Erros mais comuns Apesar da importância técnica, as esquadrias ainda são frequentemente tratadas como elementos secundários em muitas obras, o que pode gerar problemas de desempenho. Entre os erros mais comuns estão perfis subdimensionados, falhas de vedação, roldanas inadequadas e trilhos sem sistema de drenagem. Esses problemas podem causar infiltrações, desgaste precoce e comprometimento do funcionamento. Segundo o arquiteto, a esquadria deve ser entendida como um sistema técnico completo, que exige projeto, especificação e instalação adequados para garantir eficiência.