[[legacy_image_354654]] Há cerca de 15 anos, quando ainda trabalhava em A Tribuna, sofri uma perseguição de alguém cuja identidade desconheço até hoje. Telefonemas para a redação do jornal, e-mails, mensagens de celular vindas de dezenas de telefones diferentes e, quando tentei colocar um fim naquela maluquice, ameaças que me fizeram registrar um boletim de ocorrência. Depois desta história, fui conhecendo outras, de gente muito próxima de mim: duas parentes, meu pai, dois colegas de trabalho. Todos foram, em algum momento da vida, perseguidos por pessoas que conheciam ou não. É impressionante a quantidade de gente que, em algum momento da vida, teve contato com um stalker. Talvez por causa deste histórico, assistir a Bebê Rena, série que estreou recentemente na Netflix e que está no Top 10 do serviço, não teve novidades (passei por muito do que é mostrado) e ao mesmo tempo foi uma experiência extremamente assustadora pelas lembranças que me provocou. E o aviso é bem pertinente: se você é sensível a esta temática, evite, pois a narrativa está cheia de “gatilhos”. A série gira em torno exatamente de uma perseguição que um aspirante a comediante sofre de uma mulher que conheceu no bar em que trabalha como barman. Os protagonistas são Donny, o comediante, e Martha, a perseguidora. Ela, um dia, entra no bar onde ele trabalha, se senta no balcão e começa a chorar. Ele, preocupado, pergunta se ela precisa de algo. Quando ela diz que não tem dinheiro, ele prepara um chá por conta da casa. Foi o que bastou: a partir daquele momento, ele não teve mais um segundo de paz. Além de ir todos os dias ao bar e ficar até o fechamento, Martha começa a frequentar seus shows. Tenta levá-lo para um piquenique. Num certo dia aparece em sua casa. Diz que é advogada, conhece políticos famosos e atua em grandes casos, o que contrasta com sua falta de dinheiro crônica. É interessante perceber que a relação, por mais que seja criminosa, também acaba envolvendo o rapaz de alguma forma, já que ele se sente fracassado e, no fim das contas, gosta do fato de alguém lhe dar atenção, mesmo que de forma maníaca e criminosa. Não para aí: a mulher descobre seu celular e o inunda de mensagens e de e-mails (41 mil mails, 10 horas de mensagens de voz, centenas de cartas). Até que o rapaz atinge seu limite de paciência e, em meio a diversos outros problemas que enfrenta em sua vida, resolve dar um basta na situação. E é claro que a perseguidora não vai aceitar pacificamente o “término” de uma relação que só existia na cabeça dela. A série britânica é a angustiante mas tem o bom senso de ser bastante curta: são sete episódios com cerca de meia hora cada um, dá para maratonar em uma tarde. A produção é excelente, assim como as interpretações. Vale pelo alerta, de que qualquer um pode passar por isso. Ah: dê um Google sobre este caso, a imprensa descobriu a verdadeira perseguidora, que não está presa, e ela tem comentado sobre o tema em suas redes. Um tempero ainda mais sinistro para uma produção marcante!