(Adobe Stock) A chupeta e a mamadeira fazem parte da rotina nos primeiros anos de vida da criança. Além de ajudarem a acalmar o bebê, também costumam representar conforto emocional. Contudo, quando esses hábitos permanecem por tempo prolongado, podem trazer consequências importantes para o desenvolvimento da arcada dentária e até das estruturas da face. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a odontopediatra Cristina Pedro, coordenadora de Odontologia da Faculdade Anhanguera, o ideal é que a chupeta seja retirada até, no máximo, os 2 anos de idade. Já a mamadeira deve começar a ser substituída gradualmente por copos nesse mesmo período. Conforme Cristina, o uso contínuo pode interferir diretamente no posicionamento dos dentes e no crescimento facial da criança. “O uso prolongado pode favorecer problemas como mordida aberta, desalinhamentos dentários e alterações no padrão respiratório”. (Adobe Stock) Entre os principais sinais de alerta observados pelos profissionais, estão dificuldade para fechar a boca corretamente, alterações na mastigação, mudanças na fala e respiração oral predominante. Especialistas explicam que, quando a retirada ocorre apenas após os 3 ou 4 anos, algumas crianças podem precisar de acompanhamento multidisciplinar, envolvendo odontopediatra, fonoaudiólogo e até apoio psicológico, principalmente nos casos em que existe forte apego emocional ao objeto. Em determinadas situações, aparelhos ortodônticos podem ser indicados para ajudar na correção das alterações já instaladas. A recomendação é que a retirada ocorra de maneira progressiva e acolhedora, respeitando a fase da criança e a dinâmica familiar. Entre as dicas para essa etapa, estão diminuir o uso aos poucos, começando por horários específicos, como o sono; oferecer copos de transição adequados para a idade; conversar com a criança de forma leve e compreensível; e buscar acompanhamento odontológico para monitorar possíveis impactos. Além da saúde bucal, a retirada no momento adequado também contribui para o desenvolvimento correto da fala, da mastigação e da respiração, alerta a odontopediatra. O que dizem os especialistas A Associação Brasileira de Odontologia e entidades internacionais de odontopediatria reforçam que hábitos de sucção prolongados estão entre os principais fatores de alterações ortodônticas na infância. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses ajuda a reduzir a necessidade de sucção não nutritiva, como chupetas. Alguns estudos em odontopediatria também mostram que crianças que mantêm chupeta ou mamadeira após os 3 anos apresentam maior risco de: Mordida aberta anterior Alterações na posição da língua Problemas respiratórios Desalinhamento dentário Por fim, especialistas destacam que muitas alterações podem ser revertidas naturalmente quando o hábito é interrompido precocemente.