Aplicativo australiano usa interface amigável para estimar a pegada ambiental de mais de 63 mil produtos alimentícios (Adobe Stock) Imagine entrar em um supermercado e poder escolher suas compras a partir de alimentos e produtos que causem menores danos ambientais? Para pesquisadores australianos, isso já é uma realidade. Por meio de uma interface simples, o cidadão tem acesso a centenas de produtos e sua respectiva pegada ambiental. Dessa forma, torna-se acessível aos leigos saber que um almoço à base de carne bovina tem um custo ambiental maior que se optar por frango. Nesse exemplo, a redução nas emissões de carbono alcançam mais de 70%. O estudo já conseguiu estimar a pegada ambiental de mais de 63 mil produtos alimentícios, cobrindo mais de 90% do mercado australiano de alimentos embalados. A pesquisa utilizou o banco de dados de um instituto dedicado à saúde, que desenvolveu um aplicativo, chamado EcoSwitch. Em sua página na internet, ele é apresentado como “uma plataforma de tecnologia de dados que estima o impacto de gases de efeito estufa de alimentos embalados individualmente e converte as pontuações em um esquema de classificação de saúde planetária simples de entender”. É possível utilizar o aplicativo no Brasil? Sim, mas o ideal seria a ferramenta espelhar a realidade do país. Apesar de haver certa similaridade no consumo dos insumos necessários à produção dos alimentos entre os dois países, um estudo no Brasil permitiria avançar em etapas que os australianos já estão colocando em marcha. Uma das propostas é que as gôndolas de supermercado priorizem os produtos com menos impacto ambiental, destacando a presença dessas opções a partir dos dados já disponíveis. Todos ganham, de varejistas à consumidores. Na verdade, pensando na economia em escala e, principalmente, na difusão fácil e rápida desse tipo de informação, o benefício extrapola fronteiras. (Adobe Stock) Na cozinha O estudo australiano, apesar de toda sua vasta base de dados, não consegue ser completo. Nesse processo, falta um ingrediente para definir a real pegada ambiental de um alimento: o seu preparo. Quanto água é utilizada? Qual a disponibilidade desse recurso hídrico? E a energia? Gás ou eletricidade na cocção? Essas e outras preocupações ainda dependem de cada um de nós para identificar e melhor utilizar essas alternativas – o que, convenhamos, não é nada fácil. Mas essa receita, aos poucos, vai dando caldo. O importante é ter informação e poder utilizá-la.