Aos 21 anos, a atriz e cantora Cecília Chancez brilha em Dona de Mim e na música, inspirando novas gerações (Ygor Marques/Divulgação) Com quase um milhão de seguidores e uma trajetória artística que começou ainda na infância, a atriz e cantora Cecília Chancez vem conquistando espaço nas telas e na música com autenticidade e talento múltiplo. Depois de encantar o público em Vicky e a Musa, ela estreou no horário das sete na TV Globo com a novela Dona de Mim, onde interpreta uma jovem rapper. Aos 21 anos, Cecília une força, sensibilidade e propósito. Nesta entrevista, ela compartilha momentos marcantes da carreira, fala de suas inspirações e comenta a responsabilidade de ser referência para as novas gerações. Você começou sua jornada artística muito cedo, aos 7 anos. Qual é a memória mais marcante dessa fase em que tudo começou? Definitivamente, minha memória mais marcante de quando tudo começou é a primeira memória que tenho de algo grande acontecer, que foi quando postei meu primeiro vídeo. Eu postava vários vídeos cantando no X (antigo Twitter) e me lembro quando postei pela primeira vez um vídeo mostrando meu rosto. Gravava vídeos mostrando só do nariz para baixo ou da boca para baixo, porque tinha muita vergonha, e lembro que um vídeo meu com a metade do rosto cantando teve umas 10 mil curtidas e muitos comentários pedindo para eu mostrar o rosto. Então tomei coragem, gravei um vídeo mostrando meu rosto, mas fiquei o dia todo pensando se postava ou não. Acabei publicando por volta das 23h e fui dormir. Quando acordei no dia seguinte, o vídeo já estava com três milhões de visualizações e em várias páginas de fofoca. Até a Preta Gil já tinha me mandado mensagem. Minha vida mudou literalmente da noite para o dia. Quando fui olhar minhas redes sociais, já estavam cheias de seguidores. Esse dia vai ser para sempre muito memorável para mim. Você passou por várias formações artísticas — do balé ao violino, do jazz ao sapateado. Como essa bagagem múltipla influencia hoje na sua atuação e na sua música? De todas as formas. Acredito que, para um artista, principalmente um que atua, nunca é demais saber novos hobbies, tipos de dança, idiomas e formas de se expressar, porque isso traz mais pluralidade e versatilidade. Uma atriz que carrega isso se torna mais completa, procurada e com mais excelência. A música, por exemplo, trouxe para minha atuação uma interpretação que só o estudo da atuação talvez não tivesse me dado. Tenho convicção disso. Vicky e a Musa marcou sua estreia nas telas como protagonista. Como foi viver essa personagem e o que mais te desafiou nesse trabalho? Vicky e a Musa foi o maior presente — continua sendo e acho que sempre será, porque foi meu primeiro grande resultado de muito esforço. Foi aquele primeiro gostinho de “caramba, eu consegui!”. Alguém olhou para mim e confiou um trabalho importante. O que mais me desafiou foi a rotina. Era gravação intensa, com 26 cenas por dia, acordar cedo, sair tarde, conciliar com o último ano da escola. Foi uma virada de chave, mas me preparou para os desafios de agora. Hoje, mesmo não estando em um papel principal, sinto que lido com mais leveza por já ter passado pelo mais extremo. Você participou de um workshop na TV Globo. Quais lições que você carrega dessas experiências com preparação de elenco? Aprendi muito com pessoas incríveis que trouxe para a minha vida. Foi uma experiência muito especial e sou muito grata aos Estúdios Globo pelo convite. Você lançou dois singles autorais em 2024, Surreal e Faz de Novo. Como é o seu processo criativo para compor e o que te inspira a escrever? Meu processo criativo para compor é estar rodeada de pessoas com o mesmo objetivo e inspiração. Amo camping criativo e escrever em conjunto. Uso minha vivência ou observo situações de pessoas próximas. Anoto tudo nas minhas notas, e às vezes isso vira um refrão ou ponte de uma música. Amo compor com meu pai, que é cantor e sempre foi minha inspiração. Ele me ajuda muito nos processos criativos. Inclusive, minhas músicas Surreal e Faz de Novo foram escritas com a ajuda dele. Você citou Iza, Rihanna e Beyoncé como grandes referências. Se pudesse dividir o palco com uma delas, qual seria a música ideal para cantar juntas? Nossa!! (risos) Se eu pudesse dividir o palco com uma dessas pessoas incríveis, com certeza seria a Beyoncé, e a música que cantaríamos seria uma dela que não é tão valorizada, mas que tem meu coração de todas as formas: Spirit, tema do filme O Rei Leão. Toda vez que escuto essa música, me arrepio. Tenho uma conexão profunda com ela. Provavelmente, só iria tremer cantando com a Beyoncé, mas com certeza seria essa a escolha. O que você pode contar sobre essa nova fase na sua carreira na novela Dona de Mim? Tenho estudado muito a história do rap feminino, que ainda enfrenta preconceitos, e minha personagem Dara mostra exatamente essa luta. Ela sonha, mas sem tirar o pé do chão. É persistente, não desiste, mesmo ouvindo “não”. Acho que essa história vai inspirar muita gente. Estou orgulhosa e feliz por dar vida a uma personagem tão forte. Com quase 1 milhão de seguidores nas redes, como você lida com o público jovem que te acompanha e se inspira em você? Sente uma responsabilidade diferente quando compartilha sua rotina e sua arte? Muito! Sempre fui uma pessoa que teve muito cuidado desde o começo, porque sempre tive consciência da importância do que é uma influência, seja no canto, dança ou na atuação, na vida de uma criança ou adolescente. Sempre optei por tentar ser útil, porque acredito que dá para trazer um conteúdo limpo, legal, que agregue algo. Tento evitar a futilidade, pois é fácil abrir o celular e falar qualquer bobagem. Mas quando você tem esse “superpoder” de influenciar para o bem, de compartilhar um livro, uma música, uma arte que vai acrescentar, isso é muito mais valioso. Me sinto honrada com essa responsabilidade, mas também preservo muito minha vida privada. Não gosto de exposição exagerada, mas acredito que, para certas coisas, vale a pena mostrar — principalmente quando pode inspirar de verdade.