Trama de O Agente Secreto se passa no Carnaval, no Recife, em 1977 (Divulgação/Vitrine Filmes) Quase todo brasileiro tem um quê de festeiro, qualquer coisa que dança, que vibra, que grita, que canta, que chora e ri, que beija e abraça, que se enche de graça. Nessa época, então, tudo aflora, flui, transborda, conecta e desce as ruas enfeitadas. Em tudo, tem cor e brilho: na fachada das casas, no salão de baile, na cara, na lata, na alma, por dentro e por fora. É Carnaval. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na pegada “eu quero é botar o meu bloco na rua” — parafraseando Sérgio Sampaio —, cineastas e produtores brasileiros vêm retratando o Carnaval em seus filmes há décadas, extravasando brasilidade e pertencimento sociocultural. A maior festa popular do Brasil está costurada na trama de vários filmes nacionais e internacionais. Em sua maioria, não como pano de fundo, mas como elemento-chave do enredo. Dá contexto, liga e ritmo. Carnaval no cinema dá samba, literal e figurativamente. Claro que num país com dimensão continental, o Carnaval também é diverso, rico em regionalismos. A folia ambienta e contextualiza o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, premiado duplamente no Globo de Ouro e no Festival de Cannes, e que concorre ao Oscar nas categorias de Filme, Filme Internacional, Elenco e Ator, para Wagner Moura. A trama, que retrata o drama de um professor acadêmico (Wagner Moura) marcado para morrer, se passa no Recife, em Pernambuco, em pleno Carnaval de 1977, período da ditadura militar. Neste contexto, a Folia de Momo tem função estratégica. Em uma cena emblemática, que faz jus a dois patrimônios culturais pernambucanos, o protagonista Marcelo transita do histórico Cinema São Luiz para o bloco carnavalesco que desfila na rua e desaparece entre os foliões enquanto escapa de seus algozes, no fervo do frevo. É catarse pura! A euforia carnavalesca contrapõe à sensação de isolamento e paranoia do protagonista tanto quanto aliena a população sobre o perigo oriundo do próprio sistema político vigente, aliado de uma sociedade corrupta e letal. O Carnaval também contextualiza Orfeu Negro ou Orfeu do Carnaval (1959), vencedor da Palma de Ouro (Festival de Cannes) e do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (para a França) em 1960. Dirigido por Marcel Camus e com elenco em sua maioria brasileiro, o filme ítalo-franco-brasileiro é uma adaptação da peça teatral Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes. O enredo, ambientado em uma favela no Rio de Janeiro, é inspirado no mito grego da trágica história de amor de Orfeu (Breno Mello) e Eurídice (Marpessa Dawn). Em Orfeu (1999), de Cacá Diegues, a trama retrata o trágico caso de amor de Orfeu da Conceição (Toni Garrido) e Eurídice (Patrícia França) em uma comunidade carioca que se prepara para o desfile de sua escola de samba. Já a dramática comédia musical Ó Pai, Ó (2007), de Monique Gardenberg, encena os preparativos de moradores de um cortiço no Pelourinho, em Salvador (Bahia), para a folia, equilibrando dramas, humor e performances musicais. Com Lázaro Ramos, Wagner Moura e grande elenco. Um clássico do cinema brasileiro, Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, baseado no livro homônimo de Jorge Amado, começa com foliões bêbados, num bar, entre eles o malandro Vadinho (José Wilker), que morre em um domingo de Carnaval. Viúva, Dona Flor (Sônia Braga) se casa com o farmacêutico Teodoro Madureira (Mauro Mendonça) e passa a viver um dilema quando o espírito de Vadinho reaparece. Até James Bond caiu no samba. Em 007 contra o Foguete da Morte (1979), o agente interpretado por Roger Moore, em missão no Rio de Janeiro, transita entre um bloco de rua e o desfile da Acadêmicos do Salgueiro, no sambódromo. Se você prefere uma maratona de filmes ao bloquinho, fica a dica! Bom Carnaval!